terça-feira, 15 de junho de 2010

Qualidade versus Eficácia

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Integrei por seis anos o Conselho Fiscal da CET, em São Paulo.
No período, acompanhei todos os esforços da Companhia buscando a implantação de Qualidade, a da reserva endógena mas que pudesse ser extensiva à toda a cidade , trabalho delicado e dedicado de experts, exitoso na consecução em outras empresas. De todas as medidas, dentro de um plano traçado, restou um expediente que nunca conseguiu ser superado, ainda que o empenho para a sinalização semafórica, sinalização horizontal e vertical, placas, zona azul, etc. etc., consumissem cada vez mais os minguados recursos que a Prefeitura disponibilizava. Mas o que não deu tanto certo como o desejado, o esperado ? Simples, porque a população não considerava tais medidas como a de quem buscava Qualidade mas sim a possibilidade de trafegar sem vigilância, sem a presença “antipática” dos marronzinhos a aplicar multas. Conforme a cultural política da impunidade. Sem multas, aí sim a empresa teria Qualidade pois contrariar interesse é inimigo feito.

Invadindo outro cenário, o da educação, o que o tomador desse serviço reputa como Qualidade se o que ele busca é aprioristicamente o diploma e não o conhecimento, o aprendizado, para enfrentar o dificílimo mercado de trabalho ? Só ele não sabe disso.

Aliás, esse “comprador de serviços” é um dos poucos que não sabe o que está comprando e pagando ( ? ). É a compra no escuro. Quando as coisas clareiam um pouco ele vira um bicho de exigências. Afinal, ele está pagando e impensável uma reprovação. Esta dentre muitas outras razões o leva a soltar todos os cachorros no Enade como revolta e vingança.

Na outra ponta as IES se digladiando para buscar respeito, consideração e visibilidade responsável junto aos seus públicos: famílias, imprensa, MEC, mundo intelectual e sociedade em geral. Mas, a imagem positiva não aparece, não na justa relação de todo o esforço despendido, de todas as ordens e naturezas. Falta o elementar: comunicação dirigida a cada público, evitando assim o “case” de MKT do ovo da pata.

Como coordenador de curso, ouvi às centenas que “... só estou aqui por causa do diploma porque já sou profissional da área.” Ah. meu Deus !

Então, o que importa é ter BOA IMAGEM no mercado ? Como conquistar essa imagem se a relação Custo x Benefício entre os interessados não tiver o mesmo quilate ? Qual a pedra de toque para a justa consideração de Qualidade ? Como propiciar ensino de boa Qualidade sem o ônus de manter um plexus universitário à altura das exigências de um mundo globalizado ? Ou seja, o melhor corpo docente, os melhores laboratórios, a melhor biblioteca, a melhor extensão, a melhor pesquisa ( iniciação científica ), os melhores conteúdos programáticos, a rigidez nas avaliações ? Não exagero se disser que isto basta. Ainda que sem ar condicionado nas salas, estacionamento gratuito, boleto de cobrança das mensalidades, parque de PCs em rede total, diários de classe impressos por sistema, cada sala com projetor multimídia, etc. etc.

Qualidade com efetiva eficácia custa caro. E acima de tudo, o imperativo que os interesses sejam recíprocos, o do tutor e do aprendiz. Faltou tal relação o processo fica capenga. E mais, não se consegue Qualidade com o valor da mensalidade na casa dos “nine,nine”.

Eficácia é a palavra de ordem na avaliação de uma proposta educacional, por exemplo a partir da permanência ou não de determinado curso no elenco de cursos da IES.

Não é possível a existência de curso de Enfermagem onde exista só um hospital na cidade, curso de Comunicação onde exista único jornal e emissora de rádio, etc. etc.
Em quatro anos tem-se duzentos profissionais “aptos” mas desempregados.
Sem falar em corpo docente (in)existente, custosos laboratórios, biblioteca satisfatória, extensões de complementaridade educacional como atendimentos, práticas e estágios, seminários, palestras e conferências. É querer uvas maduras, sem chance.

Bons tempos quando tudo se iniciava pelo ( único ) vestibular das IES por via do Edital constando dia, hora, conteúdos a considerar, número de vagas, etc. etc.
Hoje o processo seletivo de ingresso se dá continuamente, por semanas (ou meses), sem interrupção, avaliando desiguais ( sem a isonomia legal ) como iguais.
É a concorrência atuando no setor.

A busca da condição de Qualidade no ensino passa necessariamente pela eficácia dos planos de ensino das IES — PDI e CPA atuantes —, seja na graduação regular ou nos tecnológicos porque o fim não é outro — e deve ser — senão a empregabilidade. Fica para depois comentário sobre as pós graduações.

Mestres e Doutores em sala são ótimos se deixarem de aplicar suas dissertações e teses, para semi alfabetizados, mas impondo as realidades programáticas das disciplinas que assumiram. Em que pese algum esforço pessoal, mas nunca porque a IES não podia/desejava dispensar o profissional a quem os currículos dos diversos cursos oferecidos não contemplavam seus saberes ( específicos ? ). Se a dispensa é onerosa o mote é apostar no futuro e não no presente, nesse particular, porque os “opinion makers” estão de plantão: o aluno e/ou o mercado, lembrando que ambos são os consumidores do “produto acabado/formado”.

As famílias e os próprios alunos estão ansiosos por ocupações, sem o que não se terá atingido o fim desejado: EMPREGABILIDADE. Nisso sim se traduz Qualidade e eficácia de educação superior. O resto é conversa de periquito australiano, é “embromation”.

Se eficiência é saber fazer, eficácia é saber fazer bem feito.
E tem mais, é claro, eficiência e eficácia entendido para um não é para todos.

Tentar impor Qualidade para ingressantes que se assemelham a insumos de carregação, concluintes do ensino médio no qual foram aprovados por via de aprovação automática é contrariar a ordem natural das coisas.
Que tal se logo no primeiro dia de aula dos calouros os docentes tivessem em mãos suas redações do seletivo, seus acertos/erros no gabarito das questões de múltipla escolha ? Ah. como o entendimento do nível cultural da classe seria diferente. Vinho para a água.

No setor, querer transferir um produto da Daslu para a 25 de Março é vôo suicida, atitude kamikaze do ponto de vista educacional. Talvez não para a visão de negócios. Mas, que não se espere Qualidade nessa última. É pirataria absoluta.

Como pretender falar de Qualidade no ensino superior se antes, nos ensinos fundamental e médio, a matéria prima chega com defeito ? Com varinha de condão ?
Sejamos realistas, não mais do que o rei e será o suficiente.

Esforços hercúleos no superior não suprirão a formação desejável e esperada para o fundamental e médio. Antes de discutir a validade educacional de Qualidade no superior — grande preocupação do momento —, para a qual as IES particulares estão(riam) prontas a implementar imediatamente, a discussão, em tom de cobrança, deve recair sobre as secretarias municipal e estadual de educação. Sem o que não tem jogo. Novamente os periquitos palradores estão no palco.

Vem aí o novo PNE sem que fosse obtido nem 45% de bons resultados no plano anterior. Como é que pode ? O senhor de engenho ( MEC ) quer açúcar com cana seca. Nem o gado consome.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Samba do crioulo doido já era. Prevalece o tango do japonês sumô.

Por Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

O leitor já viu algum japonês que luta sumô dançando tango ? Nem eu.
Mas, as últimas notícias entre abril e começo de junho no setor educacional remetem ao cenário escalafobético ( que palavra ! ) tais são as descompensações.
É recurso/técnica da mídia jornalística que o emissor deve dirigir-se a algum público: a comunicação dirigida. Então me detenho se os textos forem lidos por alguém fora da mídia pretendida, os alunos e pais deles porque aí então o mundo educacional entra em parafuso, no estrambótico.

Darcy Ribeiro e Anisio Teixeira devem estar se contorcendo nos jazigos. Senão, leiamos o que “pintou” no noticiário com os títulos:

1-)Por Jacques Steinberg – “Mais Aprendizado Sem Faculdade” – Nem todo o mundo vai à universidade, e isso pode ser uma decisão inteligente;

2-)MEC vai recomendar o fim da reprovação – O CNE vai propor e o MEC recomendará às escolas públicas e privadas que não reprovem mais alunos dos 3 primeiros anos do ensino fundamental;

3-)Ensino de letra cursiva para crianças em alfabetização: quem tem letra feia pode ter de trocar a de mão pela de forma;

4-)O Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) é taxativo: 15% da população entre 15 e 24 anos estão alfabetizados em nível rudimentar;

5-)Ensino Fundamental : 1,4 milhão largaram a escola em 2008;

6-)MEC suspende ingresso de alunos em Pedagogia na Faculdade Sumaré por excesso de oferta de vagas;

7-)Enem para professores mas Pedagogia e Licenciaturas ficam à deriva nas formações;

8-)Demagogia no Ensino Superior: das 13 universidades federais criadas nos dois mandatos do presidente Lula duas se destacam pelo excêntrico: a Universidade Federal da Integração Latino-Americana(Unila), sediada em Foz de Iguaçu, ora funcionando provisoriamente num prédio da Usina Itaipu; a outra, que será erguida em Redenção ( 55 quilômetros de Fortaleza ), Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira (Unilab), cidade com 27 mil habitantes, foi escolhida por ter sido a primeira a libertar todos os seus escravos antes da Lei Áurea ( 1888);

9-)”O Inep não está desgastado” ainda que tenha cancelado 54 perguntas das avaliações aplicadas em novembro de 2009, enquanto que mal formuladas ou polêmicas, por conta do caráter político que apareceram no Enade. Afora o “imbróglio” dos cadernos de provas que seriam “vendidos” ao jornal Estado de São Paulo, etc. etc.

Ou seja, universo totalmente em desencanto pelas estapafúrdias situações, colocações, intenções, a quem parece estar tudo às mil maravilhas, céu de brigadeiro pela frente.
Os conteúdos que se seguem às manchetes são escabrosos para quem tem preocupação com a educação nacional, a ponto da recomendação que não evitem mais que seus filhos leiam o
noticiário sobre violências, corrupção, etc. no país, mas suprimam a editoria de educação porque certamente você não terá respostas aos questionamentos deles de como vai a saúde do ensino brasileiro.
E vem aí a discussão/implantação do novo PNE para o próximo decênio sem que se tivessem cumprido nem 46% do plano anterior.

Quem viver verá.

terça-feira, 11 de maio de 2010

De Geração em Geração, sem Solução?

Prof. Roney Signorini - Assessor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Teóricos sociais — sociólogos, antropólogos, psicólogos, pedagogos, etc. — já estão quase de acordo na separação dos grupos das gerações, cujos estudos e discussões vêm ganhando observadores atentos, sobretudo os operadores da educação brasileira, quanto aos perfis estabelecidos.
Por oportuno, o SEMESP, em São Paulo, discutirá em suas Jornadas Regionais a temática da Geração Y.

De alguns meses para cá a imprensa vem divulgando o assunto como que na tentativa de rastrear, principalmente, o público de hoje na universidade e com isso quase discutir alguns comportamentos dominantes nesse “lócus”. Inclusive, começa a surgir literatura nacional traçando balizas para as quatro gerações: a dos tradicionais, nascidos até 1950; a dos baby boomers, nascidos entre 1951 e 1964, ou seja, os situados hoje entre 59 e 46 anos de idade; os da geração X, nascidos entre 1965 e 1983, hoje situados entre 45 e 27 anos de idade; e ultimando com a geração Y, nascidos entre 1984 e 1990, hoje situados entre 26 e 20 anos de idade.
Há quem já esboce a geração C, geração M e a geração Z, (matéria publicada pela revista Veja, recentemente) os nascidos em 1991 para cá.

Leia abaixo como a especialista Karla Santana Mamona, da InfoMoney, descreve os tipos:

Geração dos tradicionais – Nascidos até 1950, são pessoas extremamente dedicadas, que entendem e se conformam com o sacrifício; admitem recompensas tardias; respeitam a hierarquia e são formais: burocratas. O dever vem antes do prazer e são bons em tomar decisões pressionados.

Geração dos baby boomers – Nascidos entre 1951 e 1964, são pessoas revolucionárias e moldadas com grande disciplina; céticos em relação à autoridade, independentes; transformadores, buscam reorganizar ou reestruturar suas organizações; foco no curto prazo e mentalidade de trabalhar pressionados; liderança por consenso; tendem a priorizar o trabalho, acreditam num mundo competitivo e compenetrado;

Geração X – Nascidos entre 1965 e 1983, buscam equilíbrio entre a vida pessoal e profissional; são pessoas auto-centradas, empreendedoras e extremamente independentes: altamente pragmáticas e orientadas às ações; liderança por competência; grupo mais conservador da força de trabalho. Meta de carreira dirigida a novos desafios; gostam de trabalhar num ambiente de equipe e a primeira geração que verdadeiramente domina os computadores - Era da Informação.

Geração Y – Nascidos entre 1984 e 1990, são tecnologicamente superiores; tendem a ter entendimento global; necessitam de reconhecimento positivo periódico; desejam crescimento rápido na carreira e são imediatistas. Tecnicamente muito sofisticados; multi-tarefeiros; fiéis aos seus projetos; informais, autônomos e individualistas. Não abrem mão de gerenciar simultaneamente sua vida pessoal e profissional. Precisam se sentir "fazendo parte" do time: liderança por coletividade e inclusão.

É possível fazer leituras adicionais nos endereços abaixo ou clicando no pesquisador Google — Geração C, Geração Y , etc.:
http//miriamsalles.info/wp/?p=165 contido no YouTube.
http://augustocvp.wordpress.com/2009/05/06/a-geracao-m/

A ter sustentação real e efetiva os perfis contêm muita heterogeneidade de posturas, pretensões, fatores existenciais (com algum conflito entre eles), aspirações pessoais, condutas individuais e grupais que ganham até certa imbricação. Não nos interessa comentar o ensino fundamental e médio, mas atentar para o fato de que na universidade encontram-se representantes dessas quatro gerações.
Cabe a primeira pergunta: nossos docentes estão preparados, habilitados e capacitados para esse enorme desafio na proposição e administração dos conteúdos dos planos de aulas? Ao que tudo indica essa preocupação ainda não chegou perto dos muros das escolas embora venha sendo debatida mas é a bola da vez junto aos organismos de RH, que discutem a presença dessas gerações no mundo empresarial.

Algumas poucas instituições, entretanto, como casos isolados, já tomaram a dianteira no trato de evitar conflito de gerações nas salas de aulas. Uma delas é a Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo.
A iniciativa se deu pelo último Censo, o qual indicou que um em cada quatro estudantes ingressantes em curso superior, em 2008, tinha 30 anos ou mais.
De 2000 a 2008 o grupo desses universitários ingressantes aumentou à extraordinária taxa de 206%; os de 24 anos também subiu, mas em 89%.

Imbroglios à parte, de eventuais conflitos geracionais sobre o chão das salas de aulas, há muito ainda por se discutir na busca de eficácias programáticas com as novidades tipológicas acima descritas. É desafio e tarefa inadiável da iniciativa privada

Embora outras heterogeneidades persistam na sala de aula como a de alunos egressos de escolas públicas e privadas, as primeiras como responsáveis pelos 15% da população brasileira, com idade entre 15 e 24 anos, considerada analfabeta funcional, isso permite afirmar que a incúria governamental — dos analfabetos educacionais — vem sendo tanta e muita. E o quadro não mostra melhoras em grandezas como desejamos e precisamos: educação de primeira qualidade para o fundamental e médio.

Mas quem são esses alunos, ora ingressantes com 30 ou mais anos, calouros, transferidos, desistentes do mesmo curso ou de outro, de graduação ou tecnológicos, que já estão no mercado, supostamente capazes economicamente? Tanto melhor se têm autonomia financeira
A depender de crédito e financiamento estudantil melhoramos timidamente, hoje expressos pelas estatísticas de quase 190 mil usufruindo o ProUni integral, com perto de só 150 mil no Fies, outros 67 mil no ProUni parcial e 54 mil (13%)oferecidos pelas próprias IES. É uma gotinha no oceano quando temos perto de 4 milhões de universitários nas instituições privadas.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Faculdade sucumbe diante de pretoria

Prof. Roney Signorini - Assessor Educacional
roneysignorini@ig.com.br


Em recente notícia, a Faculdade Sumaré, em São Paulo, foi submetida à semelhança de tribunal romano, o dos tribunos ensandecidos, mandando suspender(vagas) ingresso de alunos em Pedagogia. Afora mal entendidos, a escola se defenderá. Leia abaixo o conteúdo da pendenga:



Portal G1, 23/04/2010

MEC suspende ingresso de alunos em Pedagogia na Faculdade Sumaré

Segundo portaria, instituição oferece mais vagas que o permitido. Faculdade tem 15 dias para apresentar defesa

Fernanda Nogueira

A Secretaria de Educação Superior (Sesu) instaurou processo administrativo contra a Faculdade Sumaré, que tem cinco unidades em São Paulo, por oferecer mais vagas do que o permitido para o curso de pedagogia, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (23). A Sesu determinou, como medida cautelar, a suspensão de novos ingressos de alunos no curso, tanto por seleção como por transferência. A instituição tem 15 dias para apresentar defesa. O diretor-superintendente da Faculdade Sumaré, Eliseu Lourenço Pereira, disse acreditar que o problema ocorreu na publicação do reconhecimento do curso de pedagogia no ano passado.

De acordo com Pereira, a faculdade já oferecia 900 vagas em pedagogia com autorização do MEC quando o curso normal superior, que tinha 400 vagas, passou a ser denominado Pedagogia. A partir de então, a faculdade passou a oferecer 1.300 vagas. No entanto, o MEC reconheceu apenas 400 vagas em portaria publicada no Diário Oficial em 15 de junho. "Pedimos retificação da portaria que autorizou o curso, porque diminuiu o número de vagas, mas ainda não tivemos resposta”, disse Pereira. O diretor afirmou que a instituição ainda não teve acesso às informações técnicas da portaria. "Devemos receber a notificação oficial no início da próxima semana e temos uma audiência marcada para apresentar a defesa na quarta-feira", afirmou. De acordo com o diretor, a faculdade espera resolver a situação antes da abertura do processo seletivo do segundo semestre, prevista para o final de maio.

Tem cabimento, quando o país precisa de mais formadores desde a creche até o final do fundamental ? Despropósito. Se a escola tem os 1.300 candidatos ( com muita sorte dela, pois é particular, em detrimento das vagas ociosas nas escolas públicas na mesma área ) qual é a questão em discussão ?

Só na cidade de São Paulo há milhares de vagas não cobertas por ação política ( intencional ? ) ou por incúria de governo nesse segmento.

Qual a efetiva razão da medida ?
Qual o problema quando a instituição tem condições de atender ao público ?
Ou seja, tem acomodações ( prédios - salas - professores, etc. ) limitar-lhe as vagas ! Quisera tivessem como atender mil, dois mil. É uma cegueira absoluta.

E as metralhadoras continuam a cuspir fogo sobre as licenciaturas. Com a palavra a profa. Eunice Durhan .

O que há nelas se têm espaço, carteiras ociosas, bibliotecas, brinquedotecas, laboratórios diversos, corpo docente e coordenação capaz ?

Ora, já tomou a sua dose de cicuta hoje ? Deixe a Devassa pra lá.

É inadmissível quando em São Paulo o próprio Estado tem em seus quadros docentes que não lograram aprovação, em recente exame de qualificação, no qual quase 50% foram reprovados, com ciência e admissibilidade disso. Onde é que estamos, em tempos de inquisição espanhola ?

Os nomes dos integrantes da(s) comissão(ões) que avaliaram a instituição têm que vir a público, senão também as autoridades superiores.
Dezenas de IPEs estão oferecendo graciosamente tais cursos exclusivamente para mantê-los vivos no rol de cursos ofertados, com peso financeiro próprio e com isso dar sua contribuição às formações (Pedagogia e Licenciaturas), de que tanto carecemos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Bicho Papão de Três Cabeças

Prof. Roney Signorini - Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Os mantenedores têm verdadeiro pavor das Desistências, Trancamentos e Cancelamentos.
Não sem razão pois eles acontecem, provavelmente, por algum defeito na fabricação.
Entram na linha de montagem mas sucumbem na primeira curva da esteira rolante que aprova ou condena a matéria prima utilizada.
Há percentagens perigosíssimas quando uma somada com outra(s) cenarizam o final do semestre letivo com menos 10 a 20% do alunado.
Mas, porque essa tríade maldosa ocorre quando "tudo está bem, tudo ia muito bem" ?
Algumas estilingadas rápidas e lá na frente, no stand de tiro ao alvo no macuco, não tem erro.
É macuco no bornal. Ou seja, vai tudo pro saco: CPA mal conduzida e incompetente(ineficaz); corpo docente desengajado; conteúdos programáticos à deriva do mercado e na empregabilidade, dissociados e avessos às diretrizes curriculares; atendimento despersonalizado ao aluno; horário de aula incompatível com o horário de trabalho do aluno; acomodações impróprias; coordenações de cursos totalmente órfãs; ausência de docentes às aulas; enganos(embromation) escancarados em bibliotecas e laboratórios; barzinhos nas esquinas próximos da IES, afora praças de alimentação cada vez mais "apetitosas", etc.

Programado para os dias 4 e 5 de maio, em Belo Horizonte, acontece o Curso de Captação e Retenção de Aluno, promoção da Carta Consulta, Editau e Consae.
Serão palestrantes os americanos Tent Argo, Marcus C.Whitt, Vanedson Ximenes e Thomas M.Huebner Jr. além do brasileiro Willie Muriel Cardoso.
A oferta do curso, publicada em www.cartaconsulta.com.br, tem como material informativo os vastos currículos dos experientes expositores, as ementas temáticas, além do texto abaixo, justificador da proposta.

"Os processos de captação e retenção de alunos ganham cada vez mais a atenção dos dirigentes das Instituições de Ensino Superior. A captação não se resume no preenchimento das vagas oferecidas. É preciso ir além.
Preencher as vagas é condição fundamental para a sustentabilidade do projeto acadêmico institucional. Ir além é buscar o melhor aluno possível, aquele mais preparado para aprender e para contribuir como discente, envolvendo-se com a sua formação até o final, sem evadir.
Este é um ponto de semelhança entre organizações educacionais no mundo todo, não importando o marco regulatório, o meio acadêmico ou contexto mercadológico a que se vinculem. Todas precisam captar e manter os melhores alunos possíveis, sobretudo, num ambiente onde o número de vagas oferecidas excede o número de candidatos preparados para o ensino universitário. "

O curso vem bem a propósito do momento quando os índices de evasão começam a majorar e esvaziar salas de aulas, preocupantemente frente à manutenção dos custos mas com perda de receitas.
Inseridas num contexto altamente competitivo, as universidades americanas implantaram departamentos de recrutamento, de admissão, de orientação financeira e de egressos, dentre outras estruturas. Criaram estratégias e táticas e aprenderam a captar e a manter os melhores alunos possíveis. Atualmente elas contam com alunos do mundo inteiro.
No Brasil vivenciamos o mesmo contexto competitivo, mas ainda não implantamos uma gestão capaz de cuidar de todo o processo de captação e principalmente de retenção de alunos, indo até a implantação de uma política de egressos eficaz. Estamos realizando uma série de ações, é verdade, mas ainda não paramos para pensar e planejar nossas estratégias.
Falta-nos, inclusive, a mais simples das pesquisas para conhecer e entender os processos da tríade maldosa, que tem muito a ver com a qualidade da matéria prima, transformação e produto final.
Está na hora das IES nacionais se preocuparem mais sobre a retenção e menos na captação,
predatória. A segunda não é garantia para a primeira. Quem (sobre)viver verá.

Na ausência de quem culpar, há os que atribuam as perdas ao FIES, ao ENEM, ao Prouni, ao
confronto das gerações "X" e "Z" nas salas e por aí vamos. Pode ???

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pesadelo é melhor do que o despertar

Prof. Roney Signorini - Consultor Educacional

roneysignorini@ig.com.br


A frase, por inteiro, é do impagável Millor Fernandes: "No Brasil de hoje, o pesadelo é melhor do que o despertar."

E não é para menos quando o noticiário da mídia assombra os operadores da educação com matérias e reportagens que são autênticos tapas na cara com os títulos "País só cumpre 33% de metas de educação", "Federais ainda têm 45% das vagas", "Ajuda do BNDES a faculdade não sai do papel", "Caixa cobra 37 mil fiadores de universitários do FIES", e por aí vai.

Quanto ao descumprimento das metas do PNE, na ordem de 67%, é de se perguntar no que constituirá o novo plano, já em gestação, com período abrangente até 2020 ? Ora, se 2/3 do plano não conseguiram consecução melhor seria adiar um novo, salvo se ele virá para impor correções de rotas aos 2/3 que não foram realizados, exclusivamente. Pois, corremos o risco de acumular aos 2/3 outros tantos porcentis que a dívida social-educacional nunca poderá ser resgatada. E eram 294 as ditas metas, criadas em 2001. E a avaliação sobre o quadro não foi encomendada politico-partidariamente. Foi realizada pelas universidades federais com apoio do Inep, ligado ao MEC. É importante considerar que o levantamento foi feito de 2001 a 2008, ou seja, dois anos de FHC e seis anos de Lula. Por certo, em 2009 e 2010 as coisas pioraram.

Só para ilustrar, na educação superior o plano estabelecia uma meta de 30% dos jovens na universidade, porém, em 2008 o índice acusava só 13,7%.

Traduzido em números absolutos são milhões.

É de pasmar e de querer voltar para a cama e ao pesadelo quando se sabe que o país ainda tem 16 milhões de analfabetos, de 15 anos ou mais, que não sabem escrever. Fora os analfabetos funcionais ( ? ). Ou seja, no Brasil existem 16,295 milhões de pessoas incapazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples. Levando-se em conta o conceito de "analfabeto funcional", que inclui as pessoas com menos de quatro séries de estudo concluídas, o número salta para 33 milhões.

E a culpa é atribuída à falta de recursos das burras governamentais quando abundam Reais em meias e cuecas.

Comentar que as universidades federais não conseguiram preencher 45% de suas vagas é comédia, não fosse tragédia. Vagas dispostas, corpo docente alocado para as turmas, primeiro dia de aula e não tem ninguém na sala.

Tem nada não. O professor volta para a sala dos docentes e fica lendo jornal. Afinal quem paga, o contribuinte, não vê nada porque é o país onde ninguém sabe de nada, escuta e vê nada.

Enquanto isso, o BNDES ( leia-se contribuinte ) está "amargando prejuízo"

grande pois não conseguiu colocar uma linha de crédito/empréstimop às IPES—Instituições Privadas de Ensino Superior — porque nenhuma instituição conseguiu, desde o lançamento do programa, há 5 meses, colocar o dedo mindinho na piramidal verba de R$ 1 bi. O motivo: as IPES alegam que para obter o empréstimo os requisitos não são rígidos demais, são intransponíveis.

Só um avatar para transpor esse buraco, e convocando o Diretor Cameron.

Isso porque as particulares oferecem 75% das vagas no ensino superior e com milhares ociosas. Aqui o conceito de ocupação é diferente: não tem aluno não abre a turma/curso. Não há despesas, não há repasse.

É bem na linha do "ganhou mas não levou", perdeu-se o volante da Mega.

E, na contra partida, por paradoxal ou antítese, até julho de 2009 a Caixa Federal acumulava um total de 250 mil contratos em fase de quitação da dívida, decorrente do Fies. Mas, 37 mil fiadores foram acionados dentre os mais de 50 mil inadimplentes. E o jurídico da Caixa já sabe: só acionando e penhorando bens do fiador. É de chorar sabendo que há docentes lendo jornal na sala dos professores porque não existe aluno na sala "programada".

Em tempo: por recente portaria do MEC, a de nº 234, de 4/3/2010, são convocadas trinta e duas instituições, entre Academias, Associações, Sociedades, Uniões e Confederações, além da UNE, ao oferecimento de lista tríplice para indicação à composição das câmaras do CNE. Não constam a ABMES, o SEMESP, os SINPROs e tantas outras entidades que efetivamente representam o setor educacional nacional. Dejà vu !

O leitor ( contribuinte ) está com a palavra.

segunda-feira, 1 de março de 2010

No Lugar Errado

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

O que se tem visto nos últimos anos – com maior incidência de 95 para cá, depois do surgimento da Avaliação das Condições de Oferta, substituída pela Avaliação das Condições de Ensino e finalmente o SINAES (Lei 10.861, de 14/04/04), proposta pelo MEC-INEP para as instituições de educação superior – é a conferência de uma grande força antes ao corporativismo acadêmico, diferente do trabalho acadêmico puro, do que às funções executivas como condição bem marcante de uma hegemonia no meio acadêmico. Esse corporativismo dá pouca ou nenhuma atenção aos méritos e resultados alcançados pelo staff inferior. Muito menos ao anterior.

As IES privadas continuam a buscar no elemento causal a iniciativa funesta da troca e da substituição de equipes. Se possível, toda ela. Ninguém “presta” para o novo que se inicia. O velho não cabe no novo processo e a desqualificação do trabalho anterior – desconsiderando os pontos bons, inclusive – leva ao equívoco de refundar e desconstruir apenas em conceitos o que a práxis contrapõe, sobretudo se afoitamente. E dá-lhe um turnover geral, não só nas novas mas também nas IES mais antigas. E o rodinho passa da telefonista ao Coordenador, dos bedéis ao corpo docente.

O que fica, portanto, é a descontinuidade das ações e o desprezo pelos resultados que antes se alcançavam. Trata-se, aliás, da própria cultura político-partidária brasileira que entende, não poucas vezes, desmerecer o trabalho de governantes anteriores e assim não dar continuidade a obras e políticas acertadas, impedindo o progresso da sociedade. Fica estabelecido um conflito, seja por acaso ou por causa, entre a academia e a prática. Esta última sempre cobrada e carregada de experiência, só cabendo aos intelectuais a definição de modelos, jamais sua arquitetura e operacionalidade. Infelizmente, não é o que se tem visto nas instituições de ensino que passaram a privilegiar doutores e mestres frente às Coordenações de cursos, que lograram tais títulos com uma dissertação ou tese de focos exclusivos, num único minuto das horas do conhecimento. Logo-logo se reduzirão a poucos segundos pela obsolescência de tal conhecimento com destino ao descarte. Há quem diga que em 72 horas o conhecimento se renova.

Uma pós-graduação é fase demais delicada no percurso de um intelectual e abraçar essa viagem cultural não tem volta. É a essência justificadora da educação continuada, de que tanto carecemos.

Alocar um mestre ou doutor – senão no grupo de notáveis da instituição – frente à coordenação de cursos é negar o empenho e esforço da dedicação a uma pesquisa. Que não se exaure nesses dois graus, mas devem ir além. Fora o alto custo para o Estado ou para o indivíduo se às próprias expensas. Esse esforço de mestres e doutores garante, em sala de aula, avanços nos conhecimentos e na pesquisa, porquanto esses intelectuais são donos, em geral, de um saber muito específico de determinado campo do conhecimento que no mais das vezes é inútil diante do todo coordenador-administrativo, função que carece quase cem por cento de experiência.

Poucos são os titulados, para não dizer nenhum, que trazem um mestrado profissional. Os MBAs e os MBCs** apenas credenciam especialistas, não mestres, porém a bola da vez é o mestrado e doutorado para o magistério. Melhor, portanto, seria mesmo colocar os titulados em sala de aula, nunca frente a uma coordenação, cuja função vai muito além de gerir, gerenciar como gestor cuja exigência máxima é a prática, a fazeção, conhecendo o chão da fábrica.

A iniciativa particular não pode replicar o engano dos cursos públicos superiores, cuja exigência legal ou estatutária centra no eixo administrativo um livre-docente, um doutor ou mestre gravitando entre dezenas de titulados.

O empreendimento da educação privada tem outros compromissos, não dissociados mas também não similares aos da educação pública, que não pode ser massiva, que deve formar professores com excelência, em progressão geométrica porque temos pressa. Essa deve ser a responsabilidade maior do Estado, além da pesquisa e da extensão sérias, comprometidas com a Nação.

Doutorado em amebas ou semiótica não credencia para uma Coordenação, não autoriza a gestão de qualquer curso que vise ao mercado de trabalho, última instância de um investimento particular na graduação. E a grande maioria dos cursos vai pela estrada do emprego. E tem mesmo de ir.

Muito breve o mundo profissional brasileiro vai se ressentir de ações não impetradas nas graduações se não trocarmos o blá-blá-blá do “achismo” acadêmico pela realidade contundente da necessária ocupação dos espaços de trabalho pela juventude, já de si tão desencantada.

Não foram poucas as vozes que até aqui já deram o diapasão mas o INEP e mantenças continuam com ouvidos de mercadores.

O prof. Edson Franco (UNAMA) redigiu um excelente tratado sobre o assunto, sobre o perfil necessário para um Coordenador de curso, alguém que transite com segurança, proficiência e domínio nos fazeres universitários. Predicados que são insubstituíveis para a elaboração do melhor currículo, com disciplinas e respectivos conteúdos consoantes aos mercados, à prática para a empregabilidade levada às últimas consequências, instalação e manutenção de laboratórios, acervo bibliográfico, etc. etc. Alguém com capacidade e habilidade bastantes para a construção de um ótimo calendário letivo, um líder que some e multiplique opiniões favoráveis, abalizadas no tête à tête ou em reuniões grupais, além de profundos conhecimentos das rotinas de secretarias e até mesmo um eficiente calendário de provas. Se a (nova) política financeira adotada pela IES é de mensalidade X ou Y, isso não altera o cenário. Até porque, se tal política é medida adequada ou não reverterá pelo resultado mas a qualidade do produto, a formação, é preocupação necessária pela própria manutenção do empreendimento.

Massificação e fazeção não combinam com elitização, não dá liga.

Uma boa equipe compondo o corpo docente deveria ter no mínimo 30% de profissionais do mercado e pra fechar o saldo, 30% especialistas, 20% mestres e 20% doutores, nessa ordem.

** MBAs: Master Business Administration e MBCs: Master Business Communication