quinta-feira, 11 de julho de 2013

A Verdade da Mentira (educacional)

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Semanas atrás escrevi a um amigo, operador da educação, que o ensino está(va) vivendo momento perigoso de construir-se em cima de alicerces frágeis demais, sobre areia movediça.
Daí, o prédio estar inclinando como Pisa (não confundir com pizza, que é outra receita/realidade). E mais, na troca de mensagens, ele com muita razão, sugeria abordagem de pontos transversais, que de alguma maneira poderiam imbricar-se. Porém, tais temas cobrariam alongamentos bem examinados, significando extensa análise para um só artigo. Pela relevância, serão enfocados, um a um, oportunamente. São eles:
1- educação antigamente só era preocupação das Classes A e B e das famílias de imigrantes que tinham   esta percepção;
2- os diversos governos viam a educação mais como uma ação a cumprir e não como uma necessidade de desenvolvimento;
3- o país nunca teve um plano de formação de recursos humanos para o desenvolvimento.

Já me perguntei muitas vezes de onde vem o horror extremado que o povo norte-americano tem a mentiras. Está na literatura, nos filmes, nos colóquios, etc. etc.Ou melhor, no DNA, na cultura e, por que não?, na inteligência do povo ?

No setor da educação, com exceções, é claro, há uma dominância do “me engane que eu gosto”, “você mente que ensina e eu minto que aprendo”, “me dê nota e frequência aqui dentro, porque vou assaltar lá fora, sem esquecer que estou pagando pra você, professor, ter o seu salário”, prevalecendo a Lei de Gerson, o de “levar vantagem em tudo” (cujo protagonista na propaganda, coitado, foi estigmatizado infortunadamente, quando o publicitário, autor da criação da mensagem, foi inocentado/ignorado/absolvido), tudo sob o manto da impunidade ou da miopia.

Qual escola diz ter, mesmo, “X” livros na biblioteca – e não os tem –; sobre currículos e conteúdos, qual pode afirmar categoricamente que são cumpridos à risca; qual IES recebe pelos seletivos tão somente as vagas autorizadas sem exceder 10, 20 e até 50% delas, com o pretexto de que vão terminar o ciclo exatamente conforme a autorização de funcionamento? E o que é um desaforo dos grandes, um acinte/afronta, têm seletivo/vestibular continuado durante semanas ou meses. Por acaso, quem é do setor, alguém já viu alguma comissão de avaliação adentrar alguma biblioteca e sair contando os volumes, questionar a alteração curricular e a efetiva proposta dos seus respectivos conteúdos, além de pedir a relação dos ingressantes para conferência de vagas?

Na mesma oportunidade, fui questionado sobre afirmação que lhe dera sobre a falácia do ensino fundamental e médio no país quando afirmei que a qualidade dos ingressantes perpassa qualquer compromisso com os estudos e muito menos com a IES.
Razão por que o ENADE é uma mentira, distante das propostas programáticas contidas nas chamadas NDCs-Novas Diretrizes Curriculares (algumas já fazendo dez aniversários) senão também o ENEM, quando inexiste currículos e conteúdos uniformes, com padrões no território nacional. Como de resto, qualquer avaliação fundada em IGCs,CPCs, etc. etc., impondo isonomia aos diferentes é quase crime. E nisso os réus são, sem dúvida, o MEC – completamente desestruturado – , o INEP, sem qualquer possibilidade de realizar concretamente a avaliação desejável, para o expurgo dos oportunistas, diante de milhares de IES que naufragam (ainda que cobertas de boas intenções mas sem as mínimas condições operativas locais ou regionais). Vide a Instrução Normativa Nº 4, de 31 de maio 2013, testemunho vivo da inoperância do órgão, furtando-se de uma responsabilidade imperativa.

A verdade, verdadeira, axiomática, é que tais IES foram demais audaciosas, impetuosas e oportunistas num cenário que pecou(va) pela inexatidão das propostas no pedido de autorização de funcionamento, pois que sabidamente não encontrariam abrigo na formação de seus quadros docentes, capacidade gerencial e financeira, só imperando a ambição. Hoje muitas delas navegam na sopa da ociosidade de alunado.

Até aqui os leitores habituais estão dizendo que volto com meu caminhãozinho de limões ou tonéis de soda cáustica, o que não é bem assim, mas tomo a liberdade de lembrar um quadro humorístico do passado quando em cena um dos comediantes dizia uma patacoada dos infernos e o outro pegava do telefone limitando-se a pronunciar “Alô ilusão, quem tá falando, tem alguém aí?”

Ora, estamos como Sísifo (o que foi condenado a rolar uma pedra diariamente até o topo de um monte e toda manhã lá estava ela novamente ao rés do chão porque mentira, pretendendo enganar a Morte), senão também o astuto e presunçoso Prometeu (condenado a ter o fígado diariamente comido por abutres, por pretensão além do autorizado por Zeus) que tinha o órgão reconstituído todo dia. São dois clássicos da mitologia grega, quase parecidos com o folclore nacional. Diferentes, no entanto, porque os atores aqui são muitos, a começar pela falência da proposta de cursos de licenciatura nas IES, onde habita o professor dos professores que às vezes mal sabe onde está pisando; a inexistência concreta de Estágios suficientes para licenciandos se adestrarem; sem falar na pobreza dos currículos; da Prática profissionalizante; das Atividades Complementares. Dado o avanço do ensino na modalidade EAD, qual licenciatura no país já tem uma disciplina que verse sobre Capacitação Docente para EAD ? Tudo minguado, escasso, raro, insuficiente, pra não dizer insustentável e débil.

Gerações já se afundaram num mar de oportunidades por simples motivos de carências de habilidades, mas sobretudo de competências diante de um mercado de trabalho ansioso, de parte a parte, porém exigente. Se as escolas garantissem por compromisso algum grau de empregabilidade aos formandos, por certo estariam amargando muitas indenizações, tipo garantia ou pós-venda.

Somem-se a isso as inverdades publicadas pela mídia de que tudo vai bem, somos o primeiro país em tudo, do carnaval/alegria (ambiente putrefato de máfias do jogo, do tráfico, da prostituição, da corrupção e da impunidade); do futebol com tudo que se vê sobre a construção de estádios suntuosos, como se não tivéssemos 40% de analfabetos (incluindo os funcionais) e as escolas caindo aos pedaços, fora os salários degradantes dos docentes.

Continuaremos abordando a pujança da Petrobras no último ano, da Vale, da Bolsa, dos salários, das aposentadorias, da saúde, da segurança e da classe política como os mensaleiros ?

Que outras cores acrescentar a tal pintura, carregando senão no roxo e no preto para destacar a escuridão que paira no setor educacional, por analogias, contaminações e extensões?

A garotada das últimas passeatas, os bons de intenção e índole, conhece as verdades sem se expor aos encantadores de serpentes com flautas mágicas, subordinando cobras que não têm audição?

É a chamada geração Y que está nas ruas enxugando gelo?

Se esta abordagem enveredasse pela avaliação do tão esperado PNE (Plano Nacional de Educação), que ainda está no papel, no Congresso, passados quase três anos de gestação extemporânea porque deveria ter vigor em janeiro de 2013, só resta clamar por “Deus nos acuda”.

Em tempo, sobre as chamadas NDCs (Novas Diretrizes Curriculares), algumas já nem tanto assim, registram edição de quase 10 anos ou mais. Cá pra nós, não são nada novas, como se o mundo não tivesse dado nesse tempo milhares de rotações tecnológicas abandonando o passado.

Afinal, agenda de trabalho como a dos políticos – terça, quarta e quinta – não é pra todo mundo que rala de sol a sol, de segunda a segunda. Acesse o link abaixo pra desandar em choro, no mínimo: https://www.youtube.com/watch?v=EyejpPmZXn0

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Do Lado Direito, não do avesso


Prof. Roney Signorini
Consultor e Assessor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Há poucos dias, neste junho de 2013, chegou-nos às mãos outra edição da excelente revista (nº 177) do IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor -– trazendo ótima entrevista concedida pela profa. Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação da USP, na qual ela deita críticas contra a expansão de empresas privadas no ensino superior sob o título Democratização às Avessas na Educação.

Do lide da matéria, para efeito de economia, alguns trechos com aspas,  “... Lisete expressa preocupação com a baixa qualidade na formação em faculdades particulares, critica a falta de política de formação de pesquisadores, cobra rigor na fiscalização do MEC, alerta para o perigo da disseminação dos cursos na modalidade EAD e comenta o impacto da contratação de sistemas de ensino nas escolas públicas”.

Para uma análise isenta sobre dita entrevista, é forçoso perguntar se as afirmações foram feitas com base em apreciação dos IGCs e CPCs das IES, principalmente nas licenciaturas e bacharelados dos cursos de formação. Embora tendo alguma intimidade com as estatísticas do INEP, não consigo localizar todos esses cursos. Ou seja, quantos são, em quais habilitações, número de ingressantes e concluintes, grau de evasão/desistência, repetências e retenções, retomadas, transferências, etc. etc. E, sobretudo das origens do público que procura pelas carreiras de magistério, do fundamental ao médio. Sabe-se que a quase totalidade saiu do ensino público, o que quer dizer, mal e sofridamente concluído. Portanto, tal pecha decorre da incúria governamental – municipal, estadual ou federal – subtraindo-se do cenário a responsabilidade da iniciativa privada.

Tal premissa, por si só, inocenta a iniciativa privada, que não criou a aprovação automática(promoção continuada), o PROUNI, o SISU e o ENEM. Muito menos as cotas no plexo educacional, absurdo no qual não prevalece a meritocracia.

Nesta incursão apreciativa, ficam de lado os demais cursos e áreas pois exigiria alongamentos que só podem merecer atenção por especificidades, o que é tarefa hercúlea para o momento.

Vale aqui, por lembrança, episódio que pode bem retratar o quadro, a justificar alguma deficiência em propostas educativas no setor privado, quando ouvi de um diretor de TV sobre o baixo índice da programação do canal. Dizia ele que é impossível elevar os índices no IBOPE pela simples razão de que falta boa programação pela inexistência de anunciantes. E faltam anunciantes pela péssima programação. Como resolver senão tirar o programa do ar, fechar o núcleo de produção, despedir os contatos (gente que aproxima a estação da agência de publicidade)?

De fato podem faltar algumas condições à iniciativa privada para a mantença de alguns cursos de Formação, diferentemente daquelas que o poder público municia como os listados pela professora Lisete: “... jornada e condições de trabalho para os professores, equipamentos, atualização de conhecimento, sendo pagos para melhorar o conhecimento, podendo ir ao exterior, tendo bolsas de estudo permanente, enfim, condições de trabalho bastante razoáveis.”

Dentre as milhares de IES, muitas centenas se aplicam a fazer de suas escolas casas dignas desse nome, envidando esforços gigantescos para a continuidade da tradição, do nome, da qualidade e sobretudo pela consequência natural de seus propósitos, que é a possibilidade de empregabilidade. Ninguém menospreza clientela. Seria o fim da linha.

Quanto ao gigantismo que alguns grupos educacionais estão alcançando no cenário brasileiro/mundial eu ressaltaria duas opiniões: ainda bem, pois sem a eficácia administrativa deles o que seria das instituições que beiravam a pobreza podendo culminar em fechamento com consequências desastrosas para o setor, para as famílias e aos próprios estudantes; por segundo, se tudo que é grande começou pequeno, se tudo que está errado tem de ir ao acerto, pois só com ele existe compromisso , é de se esperar que o pão venha depois da farinha. Ninguém em sã consciência deseja transitar por loucuras, desplantes e demências educacionais. Tudo a seu tempo e a cada passo, melhor, sobretudo se o clima for cooperativo entre públicas e privadas, sem o que algumas etapas poderão ser mais difíceis, morosas e custosas. São fundamentais parcerias e reciprocidades no único escopo do educador que precisa ver o conjunto como bem nacional. E nada de trazer paralelismos com outros povos/nações porque nesse tocante cada um é cada um com seus projetos de todas as ordens, inclusive o político. Não é preciso buscar isonomia com a China, EUA ou Chile onde há histórias, culturas, genes e DNAs totalmente diferentes. Assim evitamos a esparrela de tratar diferentes como iguais.

Se a iniciativa foi governamental na criação do PROUNI, por certo razões e motivos existiam, quem sabe os de que, embora “custando” aos cofres públicos, isso represente, com algum acerto, que as mesmas vagas aplicadas no setor público fossem seis vezes mais caras ao erário. Embora, adiante-se, os alunos contemplados com o beneficio sejam atendidos com expressivíssimo volume de Mestres e Doutores, com regimes de dedicação, e minimamente por simples graduados, conforme o INEP, aprendendo em laboratórios com investimentos quase cinco vezes superiores ao que os governos fazem em suas escolas, majorando acervos bibliotecários sem igual na história. Particularmente, não sou adepto às quantidades, daí porque inclinar-me somente à qualidade bibliográfica, descartando dissertações e teses transformadas em obras de consulta regressivas/digressivas. E cá pra nós, como tem.

Tratar sobre EAD em pequeno espaço editorial é correr riscos, a iniciar porque engatinha no país, tem sérios problemas sobretudo de capacitação docente para os AVAs – ambiente virtual de aprendizagem -(quantas licenciaturas no país estão dedicando ao menos uma disciplina curricular para isso ?) , inadequação de aplicação da modalidade a todo e qualquer curso/área, momentos de presencialidade, bibliografias ao dispor (sérios problemas autorais), equipamento e instrumental informatizado necessário, imersão no conceito da auto responsabilidade e compromisso pessoal, boa formação anterior dos vários atores envolvidos, conhecimento prévio de currículos e conteúdos a desenvolver. E por aí vai. Mas que é uma realidade mundial não tenhamos dúvida.

Embora não tendo procuração de governo(s), sempre respeitosamente às colocações da professora Lisete, como até aqui dedicado , é preciso expor discordância a dois pontos de sua entrevista:
1-) os sistemas privados de ensino que estão adentrando nas redes públicas do país têm razões que podem ser justificadas pela própria desídia de governos, que nunca conseguiu formular em nível nacional os conteúdos programáticos, até mesmo caminhando à deriva na postulação deles. O jornalista Fábio Takashi, pela Folha, em 7/12/09 informava que por levantamento feito no Estado de São Paulo 37% das redes municipais de ensino não possuíam currículo para suas escolas. De onde adotar/comprar o projeto pronto, construído, acredito, em total sintonia para com o público a que se destina. Afinal, as centenas de docentes, pedagogos e operadores da educação que estão a formular tais sistemas são gente de nomeada, dotados de muitas habilidades e competências, que talvez tenham migrado do setor público ao privado levando suas inteligências, à procura de melhores salários, reconhecimento e respeito.

2-) quanto ao PNE 2001-2010 há pouco por dizer dada a sua falência de não implementação sequer em 50% do que foi estruturado. Ou seja, jogaram uma pá de cal. Quanto ao de 2011-2020, é uma caixa preta, ou de Pandora. Já decorreram seis meses e ainda desfila em passarelas de orgulhos e vaidades, com muitos holofotes, reiterando a síndrome do spotlight político..

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Isso é Uma Vergonha - II


Prof. Roney Signorini
Consultor e Assessor Educacional
roney.signorini@superig.com.br


O pessoal do andar de cima tá de brincadeira, num tá não?
Ou seja, não bastava a lista de dezembro de 2012 ainda nos chegam com a lista complementar de 2013?
Afinal, a primeira era um “rascunho”, um pro memoria, uma minuta do que poderia ser a agregada de 2013, quase num sentido de vendetta? A balbúrdia foi pouca? O peixe morto ficou na soleira da porta, embrulhado em papel de feira, como a dizer que vem mais aí, fique(m) esperto(s)!?

Diriam os “manos” da favela onde presto assistência social: tá de brincadeira? É sacaneio. O linguajar pode parecer irônico e até chulo, grosseiro, baixo e rude, mas tem outro jeito de tratar o assunto? Quanto ao assunto, não é possível lambuzar o rosto com pó de arroz.
Quantas vagas mais serão golpeadas impedindo vestibulares?
Ou seja, o MEC está pedindo, solicitando que saiamos novamente às ruas com a expressão muito ao gosto do PT: unissez-vous, universitaires, allons enfants, marchons.

A lista publicada na terça-feira (8 de janeiro) é au grand complet da insensatez, melhor terem ficado como cobra na muda: quietíssima, esperando o calor agir para a troca da pele.
Como disse em artigo anterior, as IES que estivessem no limbo, por décimos, “por justiça equânime” também sucumbiriam no tilintar dos aços das espadas. Muito ao gosto das hordas tiranas, que arremessam suas infantarias cruelmente sem medir consequências do desastre.
E não estou falando de resultados para as mantenças educacionais, não só, mas sobretudo para os ingressantes que são milhares nos cursos condenados, com as vagas sobrestadas e extintas no cenário universitário nacional.
Como justificar que um Centro Federal de Educação com quatro cursos, seis Centros Universitários privados com seis cursos, cinco Institutos Federais de Educação com 11 cursos, três unidades das PUCs com 11 cursos, uma universidade privada, três Fundações Universidades Federais com três cursos e uma Universidade Federal fossem atingidas? E não se está sequer questionando os resultados/consequências da avaliação. A pergunta que não cala é como se deixou que elas todas entrassem nesse espaço abissal? Desídia, incúria, negligência de quem? Não se impeçam os vestibulares/vagas, mas urgentemente destituam-se os Reitores e companhias belas. Capisci? Alguma outra sugestão, caro leitor?

Quanto aos cursos, o desterro nacional: engenharias de controle e automação, elétrica, de produção, eletrônica, mecânica, redes de computadores, arquitetura e urbanismo, saneamento ambiental, automação industrial, química, geografias, física, análise e desenvolvimento de sistemas, manutenção industrial, ciências biologias, sociais, etc. etc.
Não é de dar dó na rapaziada? É só lembrar o episódio da Escola Base em São Paulo, que fechou por absoluta impossibilidade de se reerguer, acrescentando-se que o problema não é só dos ingressantes, mas dos que estão em curso e levarão a mácula no diploma de serem egressos de um curso condenado. E não? Quem viver verá o final.
Meus pêsames, coveiros do infortúnio, mas a coisa não para por aí.
É o caso de brasileiros irem às ruas e praças, elas sem soutien e eles sem cuecas para demonstrar a absoluta falta de responsabilidade, incoerência,injustiça e quetais. O ProUni ofereceu para mais de 1 milhão de candidatos vagas em cursos reprovados pelo MEC em dezembro. Ou seja, os cursos foram impedidos de ofertarem vestibulares em 2013 mas constam da possibilidade operativa em 2013? Meus Deus, dai-me paciência.

E mais, 40% das 2.566 graduações com notas insatisfatórias nas avaliações integram a relação de cursos disponíveis aos alunos.
No total, são 1.044 graduações com menções baixas e algumas chegam a oferecer mais de 100 vagas. Opa, tem gato na tuba da banda marcial. O leitor está com a palavra.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Avaliação da Avaliação da Educação

Prof. Roney Signorini
Consultor e Assessor Educacional
roney.signorini@superig.com.br


Gabriel M. Rodrigues é bem conhecido e considerado por muitos méritos no setor educacional. Dentre tantos, foi o pioneiro na fundação de uma Faculdade de Turismo.
É um autêntico gentleman, um aristocrata, um príncipe, talvez austríaco, que tenha estudado na Inglaterra com a obrigação/responsabilidade de responder ao desafeto com uma luva de pelica. Como o homem é o estilo, frase atribuída a Georges-Louis Leclerc, Comte de Buffon, no seu Discours sur le style ("Le style c'est l'homme même"), é dar-lhe asas.

Não é o caso de muitos do setor que gostam bastante de limão, acidez e soda cáustica, também estes com razão..

O tema da avaliação vem sendo discutido, tratado, abordado de há muito, talvez iniciado na gestão de Paulo Renato, que contava com a eficiência de Maria Helena Guimarães.
Depois se seguiram outras pessoas no Ministério, que não eram/são do ramo.
Por incrível, aqui aparece o feitiço virou contra o feiticeiro, pois o professor tem duas ocupações sob uma maneira simplista de ver: lecionar e avaliar. Para o ser humano, existe avaliação desde o nascimento até a morte. Na formação educacional, do fundamental ao fim da universidade, é certo que tenha havido prováveis 100 avaliações, inclusa prova, 2ª. chamada, substitutiva, exame, etc. etc.

Agora, Gabriel Rodrigues desce a rampa do tobogã aquático analisando o cenário avaliativo universitário sem dar nenhum tiro, uma estilingada sequer contra ninguém.
A questão, como disse o prof. Gabriel, não é a avaliação em si, mas as regras, a regulação do setor, a necessária exclusão de técnicos e burocratas (que não são poucos atualmente no MEC), que cresceram além da conta, sentadinhos nos cantos, disfarçados de estatísticos, atuariais e matemáticos entendidos das teorias do grande Johann Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855), matemático alemão e cientista físico que contribuiu com a teoria dos números, estatística, análise, geometria diferencial, geodésica, geofísica, astronomia e óptica. Outro príncipe, este da matemática.

Antes, essa gente precisa ser do ramo, gente do chão das salas de aula, de direção e de coordenação de cursos, para saber onde estão as melhores escolas: aquelas cujos egressos alcançam o mercado de trabalho. Ou seja, escolas dignas desse nome. As IES impossibilitadas que se autofechem porque a avaliação não é para qualquer uma. É a mesmíssima coisa que acontece na realidade dos campi: entrar é fácil, mas sair às vezes é impossível. Vale também para as IES autorizadas a funcionar.

A suavidade da mão de prof. Gabriel chega a ser inaceitável, pois desde Tarso Genro, Haddad até Mercadante as IES só têm levado tapa na cara, de mão aberta. Assim, é intolerável que, com tanta contribuição das IES à educação nacional, sejam expostas suas feridas internas, tratáveis com qualquer AAS, provocando podridão de peles e tecidos internos, porque o poder público veio para referendar Átila, cujos cavalos onde passassem nunca mais crescia grama.
Esse parece o propósito, quando 80% da oferta de cursos universitários está nas mãos das particulares. Simplesmente porque o poder público abandonou o barco de há muito?
Aliás, se contar lá fora ninguém acredita: o próprio governo reprovou várias instituições federais nos resultados do último ENADE, negando-lhes a realização de vestibulares. Ou seja, a incompetência é tanta que não arrumam nem a própria casa.

domingo, 20 de janeiro de 2013

OAB está Amarelando ( Bomba na OAB – II )


Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br


Em outro momento, aqui mesmo nesta mídia, redigi/dirigi artigo sobre o Exame de Ordem com o título “Bomba na OAB”, obedecendo aos bons manuais de Jornalismo que recomendam um bom título, “explosivo”, para começar a ser lido. Segui a regra sempre apoiado no meu excelente mestre Edgard de Oliveira Barros, muitos anos à frente do falecido Diário Popular.
Um de seus títulos é dinamite pura quando durante uma Copa do Mundo criou o inesquecível “Pelé, jogai por nós”.
Quanto ao meu, sobre a Bomba, claro, referia-me à reprovação massiva dos egressos de cursos de Direito no referido Exame.

Agora, no último dia 15, leio pelo Portal Terra que o Dr. Ophir Cavalcante, presidente da entidade, saiu-se com outra pérola e não me constava que ele seja daltônico ao comentar que o resultado da primeira fase do dito Exame acende “sinal de alerta, luz amarela” sobre a qualidade do ensino de Direito no País. Isso é pouco, a luz já está vermelha, puro sangue.

Segundo os dados divulgados pela OAB, dos 118.217 inscritos, 114.763 candidatos fizeram a prova da primeira fase. Míseros 19.134 conseguiram a aprovação, correspondendo ao percentual de apenas 16,67%.

O daltônico presidente afirma que é um dos resultados mais baixos na primeira fase, entre as nove edições da prova em nível nacional. O mais grave e preocupante é sua afirmação de que é normal ocorrer variação de dificuldades entre uma prova e outra, referindo-se às anteriores. A prova é composta por 80 perguntas com quatro alternativas cada, das quais o candidato, para ir para a segunda fase, deve acertar meros 50%. Em 85% delas, são tratadas questões de disciplinas profissionalizantes obrigatórias, que integram o currículo do curso de Direito. Outros 15% são sobre o Estatuto da Advocacia e da OAB e seu regulamento geral, Código de Ética e Disciplina e Direitos Humanos.

Imagine o leitor contar com um porcentual na condução de uma demanda, de parte do causídico, na ordem de metade de acerto nos procedimentos forenses. É o mesmo que ouvir do advogado constituído: “Cliente, você está com a razão, mas vai preso”.

A OAB não põe o dedo em riste contra o MEC, responsável pela fiscalização dos cursos, mas aguarda há dezenas de anos que a situação melhore. Aliás, antes do Exame de Ordem, há também o ENADE, este sim proposto pelo MEC. Para ilustrar o nível de qualidade dos cursos, nesta prova de dezembro, nada menos do que 81 faculdades não aprovaram um único candidato, embora a maioria tivesse mais de 40 inscritos. E a Câmara dos Deputados ainda quer acabar com o Exame...

Como já disse e repito, quem compõe o corpo docente das escolas senão advogados, juízes, desembargadores, procuradores de justiça, promotores e até ministros? Afinal onde está o gap? Na infraestrutura do curso, em bibliotecas insuficientes, na qualidade do aluno, no currículo defasado?
Vem aí o 24 de fevereiro para a segunda fase. Quem viver verá.

No assombro numérico resta saber, porque é demais importante, quantos deles se formaram em 2012 e prestam o exame pela primeira vez. Neste particular, a conta é fácil de fazer adotando-se para ilustrar o armagedom jurídico: se forem 14 mil, os demais 100 mil estão amargando reprovações sucessivas.

Não dá pra continuar nessa toada.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Isso É Uma Vergonha


Prof. Roney Signorini
Consultor e Assessor Educacional
roney.signorini@superig.com.br


Nem bem o MEC publicou a lista que trata da avaliação das IES, com o conceito de insatisfatório nos anos 2008 e 2011, a mídia deitou comentários como sentinela de quartel empunhando corneta no alvorecer, como se grande novidade tratasse.
Restaria ainda saber quais aquelas que tiveram “aproximações” nos conceitos e escaparam do “rebaixamento” por alguns décimos. E não são poucas. A lista completa, então, seria vergonhosa, impublicável.

Fato é que ninguém se entende quanto à tal avaliação, em total desencontro de pontuações: de um lado, as IES reclamando – como se não tivessem motivos –; de outro, os órgãos e seus agentes tentando justificar os intrincados meandros de como chegaram aos resultados. É um imbroglio tal, um cipoal de cálculos capaz de fazer Arquimedes se mexer no caixão. Regulação demais, exegeses e hermenêuticas em exagero. O que abunda sempre excede.

A imprensa, na gana de divulgar os dados, com descurada atenção, estampou em títulos, subtítulos e leads que a lista continha 200 cursos, mais de 38 mil vagas suspensas para proposta de vestibular para 2013, 27% das IES com conceito insuficiente dentre 8.665 cursos, dos quais, 6.083 das áreas de ciências exatas, licenciaturas e afins, bem como os cursos dos eixos tecnológicos de controle e processos industriais, informação e comunicação, infraestrutura e produção industrial.

A desinformação quantitativa apurada é de tal monta que leva o leigo, o leitor comum – primeiro interessado, pois quer fazer um curso ou tem filhos prestes a se candidatar aos seletivos dessas IES – à desistência da leitura.

Numa primeira varredura das informações, ficam perguntas sem respostas. De parte dos órgãos responsáveis pelas medições, caracteriza verdadeiro absurdo impedir IES da realização de vestibulares/seletivos, como se já não os viessem realizando desde agosto de 2012, via processos seletivos continuados, tendo arregimentado milhares de jovens com matrículas antecipadas a 2013. Independentemente da publicação ou não de editais próprios para a ação de captação. O MEC não tem referidos dados, mas publica em dezembro a relação das escolas impedidas da realização de seletivos como medida pretoriana de vetos aos concursos. Um absurdo beirando o atrevimento.

Continuando, a referência a 200 cursos é passar a informação pela metade, se isso, porque a lista tinha duas pernas: as que apresentaram tendência negativa (desempenho ruim – conceito 1 ou 2 ) e as de tendência positiva, apesar de ainda terem desempenho insuficiente (?).

Vejamos como a informação duvidosa leva a enganos aritméticos.  Ao dizer que 8.665 cursos foram avaliados, restou dizer a quantas IES eles se referem, porque é informação importantíssima, uma vez que o setor está dominado por grandes complexos educacionais, o que equivale dizer que quem vai mal é a instituição, por decorrência o curso. Isso porque, se a avaliação do CPC (Conceitos Preliminares de Cursos) recai sobre o rendimento dos alunos ( ENADE ), sobre a infraestrutura e sobre o corpo docente, alguma coisa não vai bem, tem pouco mingau para muita criança. Interprete o leitor e esteja com a palavra: na nota do CPC, o desempenho dos estudantes representa 55% e a infraestrutura 15%, enquanto o corpo docente tem representatividade de 30%. Cabe observar que, quanto aos docentes, a quantidade de Mestres pesa em 15%; a dedicação integral, 7,5%; o número de Doutores, outros 7,5%.

E, voltando aos números dos cursos, do total  (8.665), 4.458 ( 51% ) tiveram CPC satisfatório (conceitos 3, 4 e 5 ), ou seja, 49% lograram conceitos 1 ou 2. Convenhamos, uma vergonha, sobretudo por constarem da lista nove IES federais, sendo seis universidades e três institutos, com 14 cursos ruins. Absurdo dos absurdos é a incúria nas federais, pois, impedidas de proporem vestibulares, resta saber qual o destino dos profissionais que nelas exercem a docência, pois não são da categoria celetistas. Para melhorar a performance, estariam esperando os zilhões de reais que virão com o pré-sal? O contribuinte está com a palavra. Um lembrete quase (in)oportuno: um terço dos universitários mora em uma cidade e estuda em outra; 11% dos alunos de cursos superiores já têm outro diploma, e os números não são pequenos. Cabe perguntar se o primeiro diploma é de escola pública ou se o segundo curso está sendo feito também em escola pública. O aterrador, tudo conforme o IBGE, é outro desplante da desídia educacional, pois, a cada 100 jovens, 36 abandonam a escola antes de concluir o ensino médio. Desnecessária a pergunta:  mas aonde vamos chegar?

O comentário seguinte é estarrecedor pois interessa à nação já que a maioria dos cursos com vestibulares suspensos é de licenciaturas. Ou seja, o egresso deles vai assumir a curto ou médio prazo as salas de aulas do fundamental e médio. Então, seus filhos vão bem na escola? Lembrando sempre que o atual Ministro, Mercadante, assumiu a herança de Haddad, hoje prefeito de São Paulo.
Aos docentes e aos futuros “mestres” recomendo a leitura de Mônica Martinez, “Professor de Ilusões”.
( monicamartinezbr@gmail.com )

Por derradeiro, com severas críticas à aplicação do SINAES, o MEC submete as IES a avaliações, além do CPC, o IGC (Índice Geral de Cursos) como principal indicador relativo à aferição de qualidade do trabalho das instituições superiores, que sob “espanto” mantiveram a tendência dos últimos anos, com pior desempenho no setor privado, o qual responde por cerca de 80% no setor.

No arremate, o MEC designa as imposições às IES atingidas como medidas punitivas antecipadas chamadas erroneamente de “cautelares”, um ótimo emprego semântico, mais para escalafobético.
Sobre o assunto recomendo a leitura de importante artigo do advogado Edgar Gastón Jacobs Flores Filho, publicado na Revista Gestão Universitária. (muriel@editau.com.br)

Tá certo o jornalista Boris Casoy: Isso é uma vergonha.

domingo, 11 de novembro de 2012

Médicos Reprovados ... A Sociedade Precisa Saber

Médicos formados em outros países, cuidado.
Veja a qualificação desses profissionais.
Você deixaria um deles cuidar de seu filho?

A sociedade precisa saber do desmonte que se está fazendo.

Confirmaram-se os temores das associações médicas brasileiras.
Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2 conseguiram autorização para clinicar.A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas. As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais do País.
As faculdades cubanas - a mais conhecida é a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana - são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica.
Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo,tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações não governamentais e partidos políticos. Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).
Desde que o PT, o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados não teriam condições de exercer a medicina no País.

As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298 brasileiros que se formaram na Elam, entre 2005 e 2009, só 25 conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação profissional.
Por isso,o PT, o PC do B e o MST optaram por defender o reconhecimento automático do diploma, sem precisar passar por exames de habilitação profissional - o que foi vetado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira.
Para as duas entidades, as faculdades de medicina de Cuba, da Bolívia e do interior da Argentina teriam currículos ultrapassados, estariam tecnologicamente defasadas e não contariam com professores qualificados.
Em resposta, o PT, o PC do B e o MST recorreram a argumentos ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva, voltada mais para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa.
No marketing político cubano, os médicos "curativos" teriam interesse apenas em atender a população dos grandes centros urbanos, não se preocupando com a saúde das chamadas "classes populares". Entre 2006 e 2007, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara chegou a aprovar um projeto preparado pelas chancelarias do Brasil e de Cuba, permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina expedidos nos dois países, mas os líderes governistas não o levaram a plenário, temendo uma derrota.

No ano seguinte, depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula pediu uma "solução" para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde.

E, em 2009, governo e entidades médicas negociaram o projeto-piloto que foi testado em 2010.
Ele prevê uma prova de validação uniforme, preparada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC, e aplicada por todas as universidades.
Por causa do desempenho desastroso dos médicos formados no exterior, o governo - mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias - pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de"promover ajustes".

As entidades médicas já perceberam a manobra e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação.
Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas.

A SOCIEDADE PRECISA SABER!

“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, isso depende de cada um”. (Mário Quintana)