segunda-feira, 2 de março de 2015

E Vai Ficar Por Isso Mesmo ! Pode?



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br


O assunto pipocou em vários sites, jornais, emissoras de TV e de rádio, tão absurda a notícia que a princípio cheirava a “pegadinha” de quem estampa uma manchete infernal para atrair o público. Levam o nome de “chamada de capa ou de primeira página”.

Para tristeza, decepção e revolta, em São Luís, capital do Maranhão e casa-grande dos Sarneys, a Unidade de Educação Básica (UEB)
Professor Luís Rego, localizada no bairro Vila Embratel, em reforma desde o ano passado, teve seus alunos com o ano letivo inconcluído levando a escola a começar as aulas de 2014 agora em 2015. Pode?

São ao todo 770 alunos com atraso de um ano letivo, criminosamente suprimido, mas o absurdo não para aí porque outras também passaram por problemas e, ao que tudo indica, a campeã de desatinos é a
UEB Hortência Pinho (1.014 alunos), no bairro Coqueiro, com as aulas suspensas devido a uma infestação de pombos e que também não completou o ano letivo de 2014. Pode?

De acordo com o Sindeducação (Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Municipal de São Luís), essa não é a única escola da rede municipal em que os alunos enfrentam problemas no calendário escolar. Outras não concluíram o ano letivo de 2014 também por causa de reformas nos prédios. A UEB Ribamar Borgéa, no bairro Cidade Olímpica, com 2.278 alunos matriculados, e a UEB Roseno de Jesus Mendes (1.208 alunos), no bairro Vila Janaina, estão sem aulas desde o ano passado. Pode?

O Sindeducação alega que falta transparência na execução das obras das escolas e detalhamento da planilha de custos das reformas. "O prazo das manutenções já se esgotou e os alunos continuam sem aulas. Além disso, os reparos que identificamos nas escolas são superficiais e ineficientes, a Semed [Secretaria Municipal de Educação] está apenas ganhando tempo e a educação continua no mesmo caos”, afirmou a presidente do Sindeducação, Elisabeth Castelo Branco. Pode?

Dentre 54 escolas da Capital, 29 unidades merecem atenção especial porque estavam em estado crítico, porém até agora nada foi feito. Pode?
A Promotoria de Educação do Estado reuniu-se com o Sindeducação e representantes da Semed cobrando rapidez nas obras, mas, como papel aceita tudo, de verdades a mentiras, de responsabilidade a inconseqüências , a desfaçatez é tanta que professores, alunos e pais “suportaram” sem reação, sem manifestação, mês a mês o teatro de autoridades. Pode?. A isso também se pode chamar de cooptação ou o emprego da lei “levando no bico”.

Para não dizer que a Semed não tem/teve/tinha argumentos, culpou a greve dos professores que ocorreu de maio a setembro de 2014 para justificar o atraso da conclusão do ano letivo nas quatro escolas apontadas.  Aliás, essa greve é assunto para outro artigo porque ficarem parados 5 meses( fora o das férias que é julho) evidencia paredismo dos graves. O que será para futuro do lindo Maranhão com essa incrível alienação ? Pode ?

Questionada do porquê de não ter transferido as escolas para outros prédios, a secretaria saiu-se com "quando há necessidade de supressão de aulas em função de reparos emergenciais nas escolas, providenciamos o remanejamento das turmas para outras unidades de ensino ou para imóveis alugados". Grande novidade, mas... e daí, por que não efetivou a ação ?  Pode ?

O especial operador da educação prof. Arnaldo Niskier, dentre tantas obras escritas tem uma que trata da “Educação Brasileira – 500 anos de história”, publicado pela Edições Consultor. Nesta ou em tantas outras, ele jamais poderia pensar em ver que um ano letivo se iniciaria no próximo. É piada para o Macaco Simão, da Folha de São Paulo. O leitor já ouviu ou leu tamanha basbaquice? Valha-me Deus. Mas, continuam aplicando o Enem, ofertando Prounis, FIES e Pronatec pra não dizer do terror que é o Pisa e outros exames semelhantes, nos quais o país não vai de mal a pior. Vai de pior a inominável.
Pode ?

Aliás, onde estiveram as autoridades do MEC, ausentes e omissas com total incúria aos fazeres educacionais do Maranhão por todo o período dessa tertúlia do ensino? Pode ?
Senão também, o que fazia a imprensa do estado que não denunciava a tempo e hora essa desídia governamental, da prefeitura ao governo do estado, à medida que seguiam os dias, semanas e meses? Com certeza os salários o corpo da educação recebia pontualmente (professores, diretores, funcionários em geral, bibliotecárias, bedéis, etc. etc.). Como é que fica isso? Pode?
Nada, nada, 5.270 crianças gazetearam em 2014, numa única cidade. Pode?

A rigor, o MEC mais preocupado em avaliações também desidiou sendo impossível pensar que nada soubesse, que notícia alguma lhe chegava às portas. Por acaso o Maranhão tem algum representante na Câmara dos Deputados e no Senado, para não perguntar sobre os trabalhos da Assembleia Legislativa? Pode ?

Mas, pergunto eu, enfaticamente, como é que pode se permitir um descaso, um desleixo, uma brutalidade dessas deixando mais de cinco mil crianças sem aulas? É um crime sem absolvição. Alguma dessas crianças tem benefícios diretos ou indiretos do Bolsa Família ? E como é que fica com as suas ausências escolares ?
Senão por outras vias, ninguém se inscreveu no Enem a configurar absoluto absenteísmo a ensejar explicações?
Então, vai ficar por isso mesmo ? Pode?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A Curva de Aprendizado - Considerações



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Habilidades necessárias ao jovem para ter sucesso futuro
O Relatório A Curva do Aprendizado é um trabalho encomendado pela Pearson ao The Economist Intelligence Unit (EIU), responsável na coleta de informações. Trata-se de uma bem explorada investigação sobre os fazeres educacionais mundiais nos esforços de reunir, organizar e interpretar dados. Uma vez disponibilizados, objetivam ajudar aos formuladores de políticas, educadores, acadêmicos e especialistas na identificação dos principais fatores, determinantes das melhorias e resultados na educação.

Fallon, é claro ao afirmar que “O cerne do nosso negócio na Pearson é fazer com que todos os tipos de aprendizagem sejam mais acessíveis e mais eficazes, para mais pessoas. E ele continua, “Nosso objetivo era contribuir com o debate global sobre resultados de aprendizagem e ajudar a desvendar o que se passa na caixa preta da educação.”  Sabemos o que entra e o que sai, mas, o que acontece dentro dos sistemas de ensino? O que realmente ajuda a melhorar os resultados dos alunos? Quais são os tamanhos das turmas e os gastos ligados à melhor alfabetização, ensino de matemática e habilidades em resolução de problemas?

O estudo  A Curva de Aprendizado reúne o maior conjunto de dados internacionalmente comparáveis ​​sobre resultados educacionais em 50 países. A  EIU, reuniu mais de 2.500 pontos de dados individuais em um novo banco de dados, o thelearningcurve.pearson.com. O relatório foi completado pedindo a sete pensadores, dentre eles a brasileira Maria Helena Guimarães de Castro, e organizações para definir os critérios para habilidades de sucesso,
nas quais o relatório tem seu eixo duro.
Como o relatório aponta, metade do crescimento econômico nos países desenvolvidos nos últimos dez anos pode ser atribuído a uma melhor qualificação e a justificar o tema deste ano como sendo a capacitação contínua ao longo da vida, reforçando sempre a exigência contemporânea em municiar os estudantes com várias habilidades.
E, um dos problemas mais gritantes e endêmicos na educação em praticamente qualquer país é a falta de atenção dada à provisão de habilidades. Prova disso está que mesmo nos países mais ricos, menos da metade dos alunos está preparada para carreiras e o resultado é que os empregadores frequentemente se deparam com a necessidade de recapacitar os recém-egressos das escolas, embora cheguem bem preparados mas carentes de habilidades..
O amplo estudo leva em conta habilidades cognitivas e de desempenho escolar a partir do cruzamento de indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), Tendências Internacionais nos Estudos de Matemática e Ciência (Timms) e avaliações do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização e Leitura (Pirls). Também integrou o estudo os resultados iniciais do Programa para a Avaliação Internacional de Competências Adultas (PIACC). Deste último foram tiradas quatro lições riquíssimas sobre aprendizagem adulta, cá entre nós, a educação continuada, a extensão, a especialização, a pós-graduação, etc.:  
a)Pouco é possível sem o básico.
Uma sólida educação primária é pré-requisito para uma aprendizagem adulta eficaz. Sistemas educacionais podem ensinar às crianças, logo cedo, a se portarem como estudantes para uma vida de aprendizagem mais eficaz mais adiante – em partes ao instalar o desejo em aprender. Tanto em países desenvolvidos, quanto nos em desenvolvimento, a melhor rota para uma boa educação adulta é investir em uma boa educação inicial.
b)Habilidades devem ser usadas para serem mantidas.
Mesmo quando a educação primária é de alta qualidade, as habilidades diminuem nos adultos se elas não forem usadas regularmente. O maior envolvimento na leitura ou em cálculos em casa ou no trabalho aparece como correlato ao maior índice de alfabetização e afinidade com números, e pode retardar o declínio de habilidades na idade adulta.
c)Países devem levar a educação adulta a sério.
Países com melhor desempenho nas pesquisas sobre a capacitação adulta estabeleceram algum tipo de infra estrutura de aprendizagem adulta fora do sistema educacional formal. E uma economia que faz o uso devido da capacitação da população também reduz o risco da perda das habilidades individuais dos trabalhadores com o tempo.
d)A tecnologia é útil para fomentar a aprendizagem adulta, mas não é uma panacéia.
Tecnologias móveis e a internet podem remover alguns dos obstáculos para a educação adulta de habilidades, particularmente no mundo em desenvolvimento. Essas e outras tecnologias podem facilitar o acesso das pessoas à aprendizagem adulta, mas há pouca evidência se seu uso de fato auxilia indivíduos a desenvolver as qualificações.
Outra lição robusta, agora voltada às crianças, fazer com que elas aprendam uma gama de habilidades é essencial para o desenvolvimento econômico de uma nação. Porém, pensar quais as habilidades são importantes é o início da evolução, assim como são as idéias sobre qual a melhor forma de ensiná-las.
E quais seriam elas, eleitas como as habilidades do século XXI ? O relatório responde: um polvo com oito braços.

Liderança:
É a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores e influenciando de forma positiva mentalidades e comportamentos. É um comportamento que pode ser exercitado e aperfeiçoado. As habilidades de um líder envolvem carisma, paciência, respeito, disciplina e, principalmente, a capacidade de influenciar os subordinados.
Alfabetização Digital: Busca-se, na alfabetização digital, a realização do inédito viável, isso que os educadores percebem inédito, porque ninguém o estreou, mas viável, porque estão dadas as condições para acontecer, possibilitando uma educação crítica.
Na esfera da Internet, a proposta de educação envolve a alfabetização digital, que tem como base a comunicação e o diálogo e como estratégias fundamentais de leitura de mundo real/virtual o reconhecimento da fala do cotidiano, da escrita e da leitura, na multidiversidade de textos digitais gerados.
Comunicação(Social):
Estuda as causas, funcionamento e conseqüências da relação entre a sociedade e os meios de comunicação de massa – rádio, revista, jornal, televisão, teatro, cinema, propaganda, internet. Engloba os processos de informar, persuadir e entreter as pessoas. Encontra-se presente em praticamente todos os aspectos do mundo contemporâneo, evoluindo aceleradamente, registra e divulga a história e influencia a rotina diária, as relações pessoais e de trabalho.
Inteligência Emocional: O mercado competitivo de hoje depende cada vez mais de redes interligadas e interdependentes, que privilegiam as relações pes­soais. Esta tendência co­loca em destaque questões como o quociente emo­cional e as competências sociais, cada vez mais de­terminantes para o sucesso profissional. David Goleman estabelece cinco competências para a IE

1. Auto-conhecimento emocional: conheci­mento que o ser humano tem de si próprio, incluindo dos seus sentimentos e intuição; auto-consciência.
2. Controlo emocional: capacidade de gerir as emoções, canalizando-as para uma manifestação adequada a cada situação.
3. Auto-motivação: direcionar emoções para a conquista de objetivos estabelecidos; ser capaz de colocar os sentimentos ao nosso serviço.
4. Empatia: reconhecer as emoções no outro e saber colocar-se no seu lugar; compreender o outro para uma melhor gestão das relações.
5. Relacionamentos pessoais: aptidão e facili­dade de relacionamento; está associado em parte com a capacidade empática, e é um fator crítico nas organizações.

Empreendedorismo:
É o estudo voltado para o desenvolvimento de competência e habilidades relacionadas à criação de um projeto ( técnico, científico, empresarial). Tem origem no termo empreender que significa realizar, fazer ou executar.
Cidadania Global: Expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.
Solução de Problemas: Para solucionar um problema é necessário, em primeiro lugar,entender porque ele existe.Uma noção óbvia, mas que nem sempre podemos ter como garantida.
Trabalho em Equipe: As relações interpessoais desenvolvem-se em decorrência do processo de interação. Em situação de trabalho, compartilhadas por duas ou mais pessoas, há atividades predeterminadas a serem executadas, bem como interações e sentimentos recomendados, tais como: comunicação, cooperação, respeito, amizade. Assim, sentimentos positivos de simpatia e atração provocarão aumento de interação e cooperação, repercutindo favoravelmente nas atividades e ensejando maior produtividade.

​​Notícia triste mas esperada foi que o Brasil subiu uma posição em relação ao primeiro ranking, divulgado em  2012, e está em 38º lugar no relatório 2014 entre 40 países avaliados. Mesmo com a escalada de uma posição no ranking, o País está entre os que registraram queda no índice de desempenho escolar e habilidades cognitivas, um desastre.
Novos entendimentos sobre a educação eficaz em propostas de habilidades precisa da participação de todos os envolvidos e é destaque no relatório 2014.
O relatório de 2012, na ocasião, pontuou atributos em exaustão, incluindo a importância de atrair bons professores e dar a eles o status social de profissionais; objetivos e expectativas claras dentro do sistema educacional acompanhados da prestação de contas pela escola e pelos docentes; e autonomia para os profissionais de educação para que alcancem esses objetivos.
As novas informações trazidas no relatório 2014 agregam e se incorporam ao sugerirem que sistemas que ensinam habilidades básicas, como alfabetização e habilidades com números, com sucesso, dependem não somente de profissionais eficientes e autônomos seguindo objetivos claros. Mas, precisam de estudantes totalmente engajados no processo e do ilimitado apoio de suas famílias, ansiosas em resultados. Ou seja, é uma comunidade inteira cultuando a educação.
A consideração seguinte pressupõe o uso e a manutenção de habilidades. Ou seja, a mensuração do valor econômico das habilidades para as sociedades está no uso da força de trabalho na vida adulta. Assim, o retorno econômico sobre a capacitação é maior para indivíduos de meia idade do que para os que iniciaram no mercado de trabalho. E que é importantíssimo saber qual a maneira de usar e manter as habilidades, além de expandi-las.
A grande virada, a grande questão que se apresenta exige um posicionamento
muito corajoso, sobretudo para os BRICs: para onde levar a educação, conduzi-la para ênfase ao TIMMS ou ao PIRIS e vai nisso um grande desafio para descortinar o futuro, associadamente às demandas sociais e industriais.
Elas ditarão a modalidade a ser perseguida. Adotar ambas é impossível e daí mais uma vez a predominância da especialização, sendo prudente parar com isso de realização pessoal e prazerosa em detrimento do que a humanidade
efetivamente quer e precisa.
O relatório tem uma utilidade inconteste: o entendimento de como os sistemas educacionais podem auxiliar no ensino e manutenção de habilidades, hoje muito mais claros.
A inexorabilidade, que não cede, inflexível, implacável , cujo rigor e severidade, não pode ser amenizado,  é única: a educação precisa ser repensada para as crianças, aos jovens-adolescentes e aos adultos. Porque não se pode  subtrair oportunidades, sob pena de ser fatal à sociedade, se inexistir a possibilidade das mudanças.

Nos Currículos(grade) a Conta Não Fecha



Prof. Roney Signorini
Assessor & Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) exige 200 dias letivos para o ano, portanto, 100 dias para cada semestre.
Teoricamente,
a) há aulas de 2a. a 6a. feira
b) na semana ocorrem 20 aulas, à razão de 4 diárias
c) em cada dia, podem acontecer
            I) 4 aulas(disciplinas) de 50’  =  200’
           II) 2 aulas de 50’(dobradinha) = 100’
          III) 2 dobradinhas de 100’        = 200’
d) há disciplinas com carga horária curricular semestral de:
            i) 20 h – com 1 aula semanal de 50’
           II) 40 h – com 2 aulas semanais de 50’   = 100’ (uma dobradinha)
          III) 80 h – com 4 aulas semanais de 50’   = 200’ (duas dobradinhas)
É sabido que poucas Instituições de Ensino Superior (IES) cumprem os 100 dias letivos/semestre.
Veja-se o caso de hoje, quando seria preciso contar com os meses de fevereiro/março/abril/maio/junho (5 meses X 20 dias [2a. a 6a. feira]. Neste semestre, quando se iniciaram as aulas?  Ou seja, a conta não fecha. E veja que a LDB fala em “excluídos os dias de provas e exames”.

Porque estou teorizando, deixo de citar os feriados do semestre – Carnaval, Páscoa, Dia do Professor, semana do “saco cheio”, greves de alunos, docentes, transportes, eleições, etc., etc.
Apenas para facilitar os cálculos, quantos encontros-aulas são necessários para se integralizar a carga de uma disciplina de 20 h semestrais – adotando-se a hora-relógio? E as de 40 h?
Resposta: sempre 5 meses com 4 semanas = 20 encontros.

Mas os cálculos precisam ser feitos multiplicando por oito semestres, para cursos com igual duração. Um curso projetado para integralização com 3 mil horas pode facilmente ser “concluído” com 1 mil horas a menos. Se obrigado a desenvolver os 800 dias, facilmente só decorrerão 600 dias.Tremendo prejuízo.
Para “completar os 100 dias”, há IES que agregam quaisquer outras “atividades de estudos”(?) para chegar à soma exigida.

No cenário há só um grande prejudicado: o aluno, porque não recebe a “carga contratada”, ou melhor, tem muitas horas a menos do que foi planejado para o desenvolvimento dos conteúdos, mas paga por elas.
Aqui está um gap flagrante em prejuízo da formação, do integral cumprimento dos currículos, na subtração de conhecimentos a ofertar.
Uma alternativa pode ser a de complementar a carga com EAD, mas ela não supre os dias letivos.
Afinal, dia letivo é coisa do passado, como fica a LDB? Bastaria a integralização da carga? Não há o risco de se tornar um “curso vago”?
Se o EAD complementa conhecimentos, é possível traduzir a permanência do aluno junto à tela na proporção temporal da carga da disciplina?

E no mesmo raciocínio, a cada comparecimento diante da tela é possível equivaler tal ”presença virtual” à presença em sala? Ou seja, abatem-se as faltas presenciais pela presença virtual?
Há toda uma imbricação exigindo estudo mais alongado de currículos, cargas, conteúdos, capacidade, habilidades e competências, etc., etc.
Aritmeticamente a conta não bate, não fecha porque 11 não é igual a 1+1, mas, enquanto isso, neste momento, há muitas escolas discutindo currículos e por certo haverão de implantá-los, lamentavelmente, dentro dos mesmos modus operandi e faciendi.

Sem radicalizar, exceção às férias laborais dos docentes, as IES precisam mais e mais otimizar os expedientes educacionais no tempo e espaço porque a competitividade global vai punir severamente a negligência e a desídia aos operadores do setor.
Alguma dúvida? O leitor está com a palavra.

Com a Mão de Gato



                                    A capacidade é saber cada vez mais sobre
cada vez menos, até saber tudo sobre nada.
Millôr Fernandes
Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br
Sou grande admirador das teses contrárias, aquelas que surgem para bater no autor e na obra. Opor contraditórios (réplicas) é uma realização. Ulysses Guimarães se opunha visceralmente à idéia de bater no autor.

Nos meus quarenta anos de magistério superior tenho o hábito da leitura de clippings educacionais, com real interesse nos redigidos de forma peculiar que muito criticam, com linguagem pouco comum ou admissível entre intelectuais.

Não vai aqui nenhuma ironia mas maquiar verdades é insano. Para eles, falar é fácil quando o difícil é fazer. E tudo indica nunca fizeram nem farão. Há campeões de publicações, alguns excelentes especialistas em generalidades. Sem parentesco com felinos, com todo o respeito, exacerbam nas análises e críticas sobre os mais variados temas. Parecem não querer generalizar, servindo a quem queira vestir o chapéu, por temor de individualizações. Mas, quando o assunto é educação é preciso apontar.
Incomoda-me, e muito, quando associam o magistério ao sacerdócio, não porque seja minha profissão uma das que mais exigem dedicação, mas, sobretudo, porque na comparação estão implícitas as ideias de abnegação e desinteresse pecuniário, como se o professor devesse sobreviver na ascese.
Acredito que do mesmo incômodo padeça o Ensino Superior Particular Brasileiro (ESPB). Bem-vinda seja a lógica protestante calvinista, segundo a qual a obtenção do lucro não é vista como algo condenável. O ensino particular, todo ele, comporta-se no mercado da mesma forma que qualquer outro setor econômico. E não poderia ser diferente, afinal são empresários, visam ao lucro. Mas não por isso podem ser classificados de “predadores”, sobretudo num momento do planeta em que se pensa em sustentabilidade e em colaboração e em que as IES particulares cada vez mais repensam seus projetos pedagógicos e investem em tecnologia no objetivo precípuo de formar cidadãos éticos, responsáveis e capazes.
O Ensino Superior Particular Brasileiro está presente onde a oferta pública, sabidamente, deixou vazios seja pelo número de vagas oferecidas, seja pelo sucateamento de instalações, seja pelas inúmeras greves docentes.

Se não fosse o ESPB, muitas famílias não teriam, desde meados dos anos 70, seu primeiro membro formado numa faculdade. Há milhões de alunos nessas condições, que continuaram seus estudos numa pós-graduação e hoje fazem parte de uma massa crítica louvável e invejável.
Se não fosse o ESPB, para onde iriam os egressos do nosso combalido Ensino Médio Público? Teriam eles chances de conhecer o novo, o diferente, de descobrir-se e de descobrir o mundo?
Dizer que os professores do ESPB não têm qualificação nem credenciamento é generalizar e ser injusto com uma massa enorme não só de “velhos”, mas também, e sobretudo, de jovens educadores, todos eles, preocupados com sua formação e, não se pode negar, tentando uma carreira na universidade pública. Enquanto o “bilhete premiado” não chega (e talvez nem chegue), é no ESPB que dão o melhor de si e facilitam o “caminho das pedras” a uma legião de alunos que, sem eles, talvez nunca pudessem sair de sua “vila”, no sentido de qualificar-se como pessoa e como profissional.
Falar da unidade setorial: é possível? Se ela não existe, e não é o
constatado, tal condição é presente em todos os setores/áreas de atividades
nos quais crassam desigualdades, diferenças e antagonismos no velho jargão de interesses contrariados, inimigos feitos. Não existem grupos sociais “unidos” embora todos professem a necessidade de coesão.
Haveria possibilidade de um projeto próprio e diferenciado? Próprio todos têm com a busca e finalidades precípuas, algumas de mais fáceis conquistas e outras nem tanto. Na educação particular a meta é exatamente no tocante ao que o poder público não atende. E não cabe aqui explicitar motivos e razões de
todas as ordens, que a história da educação brasileira evidencia robustamente.
Mas cabe perguntar se a referida unidade (corporativa) existe na universidade pública?

Por oportuno, cabe lembrar que particular/privado tem suas características jurídicas e bem diferentemente as de cunho confessionais ou fundacionais, bem como as filantrópicas. E cada uma é cada uma. Não consta que financeiramente as PUCs vão muito bem, obrigado. E por que ?
Concorrência é uma palavra que estranhamente não soa bem na educação, contrariamente a existente em outros ramos de atividades e nem sempre é possível conhecer os PDIs de todas as IES, de certa forma avalizados pelo CNE e/ou MEC, com seus objetivos e missões institucionais. E ao que se sabe com vitalidade mas padecendo com egressos do médio, um grupo que aspira o ingresso na universidade e que todos conhecem sua formação.
Se o ESPB mais não faz, lembrando o dito por ministro da educação, a questão
do ensino brasileiro não é de verbo mas de verba. Com insuficiência de recursos qualquer atividade não prospera e a classe média, com parcos salários, faz o impossível para acessar estudos superiores, ainda que com baixas mensalidades. Se para o que não tem solução solucionado está, de parte do alunado restam alternativas de pegar o que está ao alcance das mãos.
Quanto aos corpos docentes, corporativamente, não há dúvidas de que se trata de uma luta de classe e como tal deve ser conduzida.
Às IES resta assumirem dignamente suas missões, sem aviltamento dos seus negócios, sem temeridades no trato do empreendimento, que também como tal, deve ter sua linha ética responsável quanto à essência de seu objeto.
De resto, as entidades de classe dos professores e de mantenedores cabe avocar e apropriar-se com retidão frente a realidade, às vezes confrontada com o ensino público, ressaltando que uma coisa não é outra coisa..