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Habilidades necessárias
ao jovem para ter sucesso futuro
O Relatório A Curva do Aprendizado é um trabalho
encomendado pela Pearson ao The Economist Intelligence Unit (EIU), responsável
na coleta de informações. Trata-se de uma bem explorada investigação sobre os
fazeres educacionais mundiais nos esforços de reunir, organizar e interpretar
dados. Uma vez disponibilizados, objetivam ajudar aos formuladores de
políticas, educadores, acadêmicos e especialistas na identificação dos
principais fatores, determinantes das melhorias e resultados na educação.
Fallon, é claro ao
afirmar que “O cerne do nosso negócio na Pearson é fazer com que todos os tipos
de aprendizagem sejam mais acessíveis e mais eficazes, para mais pessoas. E ele
continua, “Nosso objetivo era contribuir com o debate global sobre resultados
de aprendizagem e ajudar a desvendar o que se passa na caixa preta da educação.” Sabemos
o que entra e o que sai, mas, o que acontece dentro dos sistemas de ensino? O
que realmente ajuda a melhorar os resultados dos alunos? Quais são os tamanhos
das turmas e os gastos ligados à melhor alfabetização, ensino de matemática e
habilidades em resolução de problemas?
O estudo A Curva de Aprendizado reúne o
maior conjunto de dados internacionalmente comparáveis sobre resultados
educacionais em 50 países. A EIU, reuniu mais de 2.500 pontos de
dados individuais em um novo banco de dados, o thelearningcurve.pearson.com.
O relatório foi completado pedindo a sete pensadores, dentre eles a brasileira
Maria Helena Guimarães de Castro, e organizações para definir os critérios para
habilidades de sucesso,
nas quais o relatório
tem seu eixo duro.
Como o relatório aponta, metade do crescimento econômico nos países
desenvolvidos nos últimos dez anos pode ser atribuído a uma melhor qualificação
e a justificar o tema deste ano como sendo a capacitação contínua ao longo da
vida, reforçando sempre a exigência contemporânea em municiar os estudantes com
várias habilidades.
E, um dos problemas mais gritantes e endêmicos na educação em praticamente
qualquer país é a falta de atenção dada à provisão de habilidades. Prova disso
está que mesmo nos países mais ricos, menos da metade dos alunos está preparada
para carreiras e o resultado é que os empregadores frequentemente se deparam
com a necessidade de recapacitar os recém-egressos das escolas, embora cheguem
bem preparados mas carentes de habilidades..
O
amplo estudo leva em conta habilidades cognitivas e de desempenho
escolar a partir do cruzamento de indicadores da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE):
Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), Tendências Internacionais nos Estudos de Matemática e
Ciência (Timms) e avaliações do
Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização e Leitura (Pirls). Também integrou o estudo os
resultados iniciais do Programa para a Avaliação Internacional de Competências
Adultas (PIACC). Deste último foram
tiradas quatro lições riquíssimas sobre aprendizagem adulta, cá entre nós, a
educação continuada, a extensão, a especialização, a pós-graduação, etc.:
a)Pouco é possível sem o básico.
Uma sólida
educação primária é pré-requisito para uma aprendizagem adulta eficaz. Sistemas
educacionais podem ensinar às crianças, logo cedo, a se portarem como
estudantes para uma vida de aprendizagem mais eficaz mais adiante – em partes
ao instalar o desejo em aprender. Tanto em países desenvolvidos, quanto nos em
desenvolvimento, a melhor rota para uma boa educação adulta é investir em uma
boa educação inicial.
b)Habilidades devem ser usadas para serem mantidas.
Mesmo
quando a educação primária é de alta qualidade, as habilidades diminuem nos
adultos se elas não forem usadas regularmente. O maior envolvimento na leitura
ou em cálculos em casa ou no trabalho aparece como correlato ao maior índice de
alfabetização e afinidade com números, e pode retardar o declínio de
habilidades na idade adulta.
c)Países
devem levar a educação adulta a sério.
Países com
melhor desempenho nas pesquisas sobre a capacitação adulta estabeleceram algum
tipo de infra estrutura de aprendizagem adulta fora do sistema educacional
formal. E uma economia que faz o uso devido da capacitação da população também
reduz o risco da perda das habilidades individuais dos trabalhadores com o
tempo.
d)A
tecnologia é útil para fomentar a aprendizagem adulta, mas não é uma panacéia.
Tecnologias
móveis e a internet podem remover alguns dos obstáculos para a educação adulta
de habilidades, particularmente no mundo em desenvolvimento. Essas e outras
tecnologias podem facilitar o acesso das pessoas à aprendizagem adulta, mas há
pouca evidência se seu uso de fato auxilia indivíduos a desenvolver as
qualificações.
Outra lição robusta, agora
voltada às crianças, fazer com que elas aprendam uma gama de habilidades é
essencial para o desenvolvimento econômico de uma nação. Porém, pensar quais as
habilidades são importantes é o início da evolução, assim como são as idéias
sobre qual a melhor forma de ensiná-las.
E quais seriam elas, eleitas como as habilidades do século XXI ? O relatório
responde: um polvo com oito braços.
Liderança: É a arte de comandar pessoas, atraindo
seguidores e influenciando de forma positiva
mentalidades e comportamentos. É um comportamento que pode ser exercitado e
aperfeiçoado. As habilidades de um líder envolvem carisma, paciência, respeito,
disciplina e, principalmente, a capacidade de influenciar os subordinados.
Alfabetização Digital: Busca-se,
na alfabetização digital, a realização do inédito viável, isso que os
educadores percebem inédito, porque ninguém o estreou, mas viável, porque estão
dadas as condições para acontecer, possibilitando uma educação crítica.
Na esfera da
Internet, a proposta de educação envolve a alfabetização digital, que tem como
base a comunicação e o diálogo e como estratégias fundamentais de leitura de
mundo real/virtual o reconhecimento da fala do cotidiano, da escrita e da
leitura, na multidiversidade de textos digitais gerados.
Comunicação(Social): Estuda as causas, funcionamento e conseqüências da relação entre a
sociedade e os meios de comunicação de massa – rádio, revista, jornal,
televisão, teatro, cinema, propaganda, internet. Engloba os processos de
informar, persuadir e entreter as pessoas. Encontra-se presente em praticamente
todos os aspectos do mundo contemporâneo, evoluindo aceleradamente, registra e
divulga a história e influencia a rotina diária, as relações pessoais e de
trabalho.
Inteligência Emocional: O
mercado competitivo de hoje depende cada vez mais de redes interligadas e
interdependentes, que privilegiam as relações pessoais. Esta tendência coloca
em destaque questões como o quociente emocional e as competências sociais,
cada vez mais determinantes para o sucesso profissional. David
Goleman estabelece cinco competências para a IE
1. Auto-conhecimento emocional: conhecimento que o ser humano tem de si
próprio, incluindo dos seus sentimentos e intuição; auto-consciência.
2. Controlo
emocional: capacidade de gerir as emoções, canalizando-as para uma
manifestação adequada a cada situação.
3. Auto-motivação:
direcionar emoções para a conquista de objetivos estabelecidos; ser capaz de
colocar os sentimentos ao nosso serviço.
4. Empatia:
reconhecer as emoções no outro e saber colocar-se no seu lugar; compreender o
outro para uma melhor gestão das relações.
5. Relacionamentos
pessoais: aptidão e facilidade de relacionamento; está associado em parte
com a capacidade empática, e é um fator crítico nas organizações.
Empreendedorismo: É o estudo voltado para o desenvolvimento de competência e habilidades
relacionadas à criação de um projeto ( técnico, científico, empresarial). Tem
origem no termo empreender que significa realizar, fazer ou executar.
Cidadania Global: Expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa
a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem
não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de
decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.
Solução de Problemas: Para solucionar
um problema é necessário, em primeiro lugar,entender porque ele existe.Uma
noção óbvia, mas que nem sempre podemos ter como garantida.
Trabalho
em Equipe: As relações interpessoais desenvolvem-se em
decorrência do processo de interação. Em situação de trabalho, compartilhadas
por duas ou mais pessoas, há atividades predeterminadas a serem executadas, bem
como interações e sentimentos recomendados, tais como: comunicação, cooperação,
respeito, amizade. Assim, sentimentos positivos de simpatia e atração provocarão
aumento de interação e cooperação, repercutindo favoravelmente nas atividades e
ensejando maior produtividade.
Notícia triste mas esperada foi que o Brasil subiu uma posição em
relação ao primeiro ranking, divulgado em
2012, e está em 38º lugar no relatório 2014 entre 40 países avaliados.
Mesmo com a escalada de uma posição no ranking, o País está entre os que
registraram queda no índice de desempenho escolar e habilidades cognitivas, um
desastre.
Novos entendimentos sobre a educação eficaz em propostas de
habilidades precisa da participação de todos os envolvidos e é destaque no
relatório 2014.
O relatório de 2012, na ocasião, pontuou atributos em exaustão, incluindo a
importância de atrair bons professores e dar a eles o status social de profissionais;
objetivos e expectativas claras dentro do sistema educacional acompanhados da
prestação de contas pela escola e pelos docentes; e autonomia para os
profissionais de educação para que alcancem esses objetivos.
As novas informações trazidas no relatório 2014 agregam e se incorporam ao sugerirem
que sistemas que ensinam habilidades básicas, como alfabetização e habilidades
com números, com sucesso, dependem não somente de profissionais eficientes e
autônomos seguindo objetivos claros. Mas, precisam de estudantes totalmente
engajados no processo e do ilimitado apoio de suas famílias, ansiosas em
resultados. Ou seja, é uma comunidade inteira cultuando a educação.
A consideração seguinte pressupõe o uso e a manutenção de
habilidades. Ou seja, a mensuração do valor econômico das habilidades para as
sociedades está no uso da força de trabalho na vida adulta. Assim, o retorno
econômico sobre a capacitação é maior para indivíduos de meia idade do que para
os que iniciaram no mercado de trabalho. E que é importantíssimo saber qual a
maneira de usar e manter as habilidades, além de expandi-las.
A grande virada, a grande questão que se apresenta exige um
posicionamento
muito corajoso, sobretudo para os BRICs: para onde levar a educação, conduzi-la
para ênfase ao TIMMS ou ao PIRIS e vai nisso um grande desafio para
descortinar o futuro, associadamente às demandas sociais e industriais.
Elas ditarão a modalidade a ser perseguida. Adotar ambas é
impossível e daí mais uma vez a predominância da especialização, sendo prudente
parar com isso de realização pessoal e prazerosa em detrimento do que a
humanidade
efetivamente quer e precisa.
O relatório tem uma utilidade inconteste: o entendimento de
como os sistemas educacionais podem auxiliar no ensino e manutenção de
habilidades, hoje muito mais claros.
A inexorabilidade, que não
cede, inflexível, implacável , cujo rigor e severidade, não pode ser amenizado,
é única: a educação precisa ser
repensada para as crianças, aos jovens-adolescentes e aos adultos. Porque não
se pode subtrair oportunidades, sob pena
de ser fatal à sociedade, se inexistir a possibilidade das mudanças.