segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Educação, Tecnologia e Inovação



Desde a invenção do quadro negro, passando pela chegada do projetor de transparências, da fotocopiadora e do videocassete, o foco da tecnologia em sala de aula vinha sendo a apresentação da informação. No século 21, em razão da disseminação de computadores e de programas interativos, o desafio agora é outro: como acessar a informação.(Porvir}

Independentemente do recurso tecnológico utilizado ou a adotar, o professor é o sujeito capaz de mediar o aprendizado tornando-o mais atrativo, divertido e interessante para os alunos. Os recursos tecnológicos, mais do que incentivar a curiosidade do aluno em relação ao que está sendo proposto como ensinamento, ajudam a prepará-lo para o mundo. E, espera-se que ele conheça, além dos conteúdos escolares, todos os demais meios para vencer dificuldades ou embaraços exatamente pelo quais foram trabalhados, sempre com a ajuda da tecnologia.

O aluno tem direito ao acesso às tecnologias na escola:com dotações e recursos capazes de sustentar atividades e projetos articulados e convergentes. Tudo apoiado em fundamentação pedagógica sólida e atualizada, assegurando a unidade política, técnica e científica imprescindível ao êxito dos esforços e investimentos envolvidos.  Assim, a escola cumpre duplamente seu papel de ensinar e educar, educando para um mundo no qual a tecnologia é não só necessária, mas também essencial.

São muitos os benefícios trazidos pelos recursos tecnológicos à educação. Contudo, é preciso que o professor conheça as ferramentas que tem à sua disposição se quiser que o aprendizado aconteça de fato. O uso das tecnologias na escola está além de disponibilizar tais recursos; ele implica aliar método e metodologia na busca de um ensino mais interativo.

É importante que haja não apenas um incremento tecnológico nas escolas. É necessária a revolução na capacitação docente, pois a tecnologia é algo ainda a ser desmistificado para a maioria dos professores, quando nada sabe, sabe pouco, usa a máquina para atividades com fazeres dissociados da educação.  E um recado bem direto enquanto preocupação formativa docente vai para as instituições que têm os cursos de pedagogia e licenciaturas. Estes, muito atrasados.

Para a professora Renata Beduschi de Souza[1] “É evidente a insatisfação dos alunos em relação a aulas ditas "tradicionais", ou seja, aulas expositivas nas quais são utilizados apenas o quadro-negro e o giz. O aprender por aprender já não existe: hoje, os alunos precisam saber para que e por que precisam saber determinado assunto. Essa é a típica aprendizagem utilitária, isto é, só aprendo se for útil, necessário para entrar no mercado de trabalho, visando ao retorno financeiro. A internet invade nossos lares com todas as suas cores, seus movimentos e sua velocidade, fazendo o impossível tornar-se palpável, como navegar pelo corpo humano e visualizar a Terra do espaço sem sair do lugar. É difícil, portanto, prender a atenção do aluno em aulas feitas do conjunto lousa + professor.”

Daí caber a pergunta  por que fazer o mesmo quando se pode fazer diferente? Uma vez que os alunos tenham preferência pelas aulas que utilizam a tecnologia, por que não aproveitar essa oportunidade e usá-la a seu favor? A escola precisa modernizar-se a fim de acompanhar o ritmo da sociedade e não se tornar uma instituição fora de moda, ultrapassada e desinteressante. Embora lentamente, ela está fazendo isso. Saber que o aluno aprende com o que lhe chama  a atenção todos sabem. A questão é: estão os professores, as escolas e os sistemas de ensino preparados para tal mudança?

O trabalho acaba tendo um retorno eficientíssimo. É importante, no entanto, que haja não apenas uma revolução tecnológica nas escolas. É necessária a revolução na capacitação docente, pois a tecnologia é algo ainda a ser desmistificado para a maioria dos professores.

Os recursos tecnológicos devem servir como extensões do professor e o aprendizado propiciado deve ser interligado. O papel do professor é o de mediador, auxiliando o estudante  a alcançar seu potencial máximo, aproveitando todos os benefícios educativos que os recursos tecnológicos podem oferecer.

No livro “Cem Aulas Sem Tédio”, as professoras Vivian Magalhães e Vanessa Amorim defendem a ideia de que precisamos encarar nossos medos e utilizar os recursos tecnológicos como apoio para as aulas. Enfatizam que os professores jamais serão substituídos pela tecnologia, mas aqueles que não souberem tirar proveito dela correm o risco de ser substituídos por outros que sabem.


A tecnologia está mudando a forma como produzimos, consumimos, nos relacionamos e, até mesmo, como exercemos a nossa cidadania. Agora é a vez de transformar também a maneira como aprender e como ensinar.
Quando os computadores chegaram às escolas, nossa intenção era educar para o uso das tecnologias. Hoje usamos as tecnologias para educar.

O distanciamento ou mesmo a ausência da tecnologia nas escolas hoje chega às raias da insanidade de onde a pergunta: por que a tecnologia é cada vez mais importante na educação?
Numa resposta rápida e simples, n
ovas ferramentas tecnológicas têm potencial para promover a equidade e qualidade na educação, além de aproximar a escola do universo do aluno e ele com o mundo. Tais grandezas já bastariam para justificar que avancemos na superação daqueles três grandes desafios da educação..

O primeiro deles é a equidade:
• Ampliação do acesso ao conhecimento e a recursos educacionais diversificados;
• Personalização (inteligência artificial para acompanhar o que cada um aprendeu e como aprende melhor, tudo isso em tempo real, além da oferta do que cada um precisa, a partir dos seus interesses e ritmos)

O segundo desafio é o da qualidade:
• Um conjunto de recursos mais ricos, interativos, dinâmicos, que ajudam o aluno a compreender e utilizar o que aprende;
• Apoio ao professor na construção de estratégias pedagógicas mais eficazes;
• Disponível a toda hora, em qualquer lugar, inclusive dando mais autonomia para o aluno (coconstrutor).

O terceiro é o da contemporaneidade:
• Aprendizagem que dialoga com o universo dos alunos do século 21, intensamente mediado pelas tecnologias;
• Preparação para a vida presente e futura, que também demanda competências relacionadas ao uso de recursos tecnológicos.


É preciso ter cuidado para que a tecnologia não crie apenas uma versão digital de práticas pedagógicas tradicionais. Não é mera substituição, mas oportunidade de fazermos coisas antes impossíveis. Novas abordagens, mais disruptivas, que possam trazer a educação para o século 21.


Tecnologia não substitui o professor. Ao contrário, ela empodera os educadores, permitindo que abandonem atividades mecânicas ou repetitivas, como corrigir exercícios e dar aulas expositivas, e tenham mais tempo para atuar como mediadores, mentores e designers da aprendizagem.

Assim como tem alto poder de contribuir, pode prejudicar, seja gerando muita dispersão, seja ampliando a desigualdade entre os que têm e os que não têm acesso.

[1]graduada em Letras, professora de língua portuguesa da rede municipal de Campo Bom (RS) e de língua inglesa do Centro de Idiomas da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo (RS).


Obama, um mercador realista da internet



O jornal Valor Econômico, com o Santander/AAdvantage, realizou na quinta-feira, 5 de outubro, o Fórum Cidadão Global, contando com o ex-presidente Barack Obama como principal palestrante.
"O presidente Obama é um dos principais defensores do papel do cidadão global do século XXI para superar nossos maiores desafios sociais", diz Frederic Kachar, diretor executivo da Divisão de Publicação do Grupo Globo, da qual o Valor Econômico faz parte.

Em um momento de mudanças extraordinárias e incertezas em todo o mundo, líderes políticos, empresariais e de organizações não governamentais formam um crescente coro chamando os cidadãos para que se levantem e se juntem para construir o futuro que desejamos para a sociedade.

Em resposta a esta crescente necessidade de fortalecimento da cidadania, o Fórum Cidadão Global tem como objetivo iniciar um diálogo sobre a responsabilidade das pessoas na construção de um futuro melhor.

O presidente Obama tem sido um líder global no avanço do envolvimento cívico e vem incentivando e inspirando os cidadãos a se envolverem em sua comunidade. Em recente palestra o presidente Obama disse: “Precisamos que vocês se mantenham conectados, trabalhem juntos, aprendam uns com os outros, para que possamos construir uma próxima geração de líderes que sejam capazes de enfrentar problemas como o aquecimento global e a pobreza, ajudar no crescimento econômico, garantir que as mulheres tenham oportunidade. Garantir que toda criança, onde quer que ela viva, tenha a chance de ter uma vida melhor.”

Em 2011 Obama também esteve no Brasil, em 20 de março, no Rio de Janeiro.  Na tarde de um domingo, o presidente norte-americano discursou para cerca de 2 mil convidados no Theatro Municipal, na Cinelândia, Rio de Janeiro: “Alô, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa. Boa tarde, todo o povo brasileiro.
Desde o momento em que chegamos o povo desta nação tem gentilmente mostrado à minha família o calor e a generosidade do espírito brasileiro, obrigado. Quero agradecer a todos por estarem aqui.”

Na oportunidade ele lembrou que os EUA foram a 1ª nação a reconhecer a independência do Brasil e a 1ª a estabelecer um posto diplomático neste país. O primeiro líder de um país a visitar os EUA foi Dom Pedro II. Na Segunda Guerra Mundial nossos corajosos homens e mulheres lutaram lado a lado pela liberdade. E depois da guerra, nossas duas nações lutaram para conseguir as bênçãos plenas da liberdade.”

Desta feita ele deixou de lado um centena de mesuras e delicadezas filantrópicas para ir mais fundo “no que interessa” e um desses temas foi exatamente a educação.
Um dos líderes mais admirados do planeta fez um alerta: é preciso envolver os
jovens na política e garantir a inclusão social para evitar a xenofobia e radicalismos. A uma plateia de líderes empresariais e representantes da sociedade civil, Obama defendeu a educação como arma contra a intolerância,
além de um forte engajamento dos cidadãos, sobretudo dos jovens, para reconstruir e renovar arranjos políticos e sociais, para que as mudanças funcionem para todos. Apesar dos desafios, Obama mostrou uma visão otimista para o futuro. Não obstante todos os desafios que enfrentamos, o mundo é mais seguro, mais bem instruído, mais tolerante do que qualquer momento na história da humanidade.

Dono de uma convicção incomum, Obama, referindo-se à educação,  diz que se chamado a aconselhar qualquer nação, então, o primeiro trabalho é garantir que seja estabelecido um sistema educacional que seja universal, que busque alcançar toda criança e que seja adaptado às realidades de uma economia em rápida evolução tecnológica.

Quase no início da sua fala Obama deixou a plateia um tanto desconcertada ao afirmar que, de certa maneira, vivemos o melhor dos momentos e o pior dos momentos. Perplexidade geral.
O mundo está mais próspero do que nunca, afirmou, mas isso veio com uma ruptura industrial e estagnação de salários em muitas economias avançadas, o que deixou muitos trabalhadores e muitas comunidades com medo das perspectivas para eles e para seus filos, pensando que elas serão piores, e não melhores no futuro.

Enfatizando que o mundo está mais conectado do que nunca e que da mesma maneira que a internet tem a oportunidade de espalhar conhecimento e oportunidades, dá poder àqueles que espalham ódio e em todos os lugares vemos a internet contribuindo para dividir a nossa política.

Não sem razão pois nesta era de informação instantânea, onde tudo nos dá uma cadeia sem interrupção de más notícias, é natural que as pessoas procurem algum sentido de certeza e de controle nas suas vidas.
Vemos grandes choques entre culturas, as pessoas preocupadas com os valores tradicionais, suas ideias e raízes sendo esfaceladas. Portanto, é inevitável que nossas políticas e arranjos sociais também tenham essa ruptura, da mesma maneira que ocorrem essas rupturas tecnológicas.

Daí trazer uma grande pergunta para a nossa atualidade quando atravessamos fase muito delicada e preocupante com a corrupção endêmica, congresso à beira da devassidão, governos estaduais e municipais em alvoroço pelo endividamento:  pelo bem de nossas famílias e coletivo, será que temos a capacidade de reconstruir e renovar os arranjos políticos e sociais para que as mudanças funcionem para todos e não só para alguns ?

Cá para nós, não temos a certeza de que a internet, os serviços sob demanda, o carro sem motorista, as entregas por drones, podem nos confirmar de que isso vá ajudar a economia para todos e não só para os poucos que estão no topo. E também é verdade que a globalização, a automação, todas essas coisas que nos dão tantos benefícios incríveis, enfraqueceram a posição dos trabalhadores, no sentido de terem salários justos.

Conforme Obama, “Estamos mais conectados do que nunca, mas isso faz com que,  em alguns casos, seja mais fácil recuarmos a nossas próprias tribos, nossas  próprias bolhas, onde só escutamos pessoas que pensam da mesma maneira como nós. E nunca desafiamos as nossas próprias presunções, porque tudo o que lemos, tudo o que vemos é simplesmente o que um algoritmo nos disse que deveríamos ver.”




Universidade Tardia Surge no Século XX



Gênese da Pesquisa Científica

Marcos Formiga é um desses provocadores que não pode ver ninguém relaxando, em paz com tudo. Diante disso ele vem com alfinetadas e agulhas para trazer um assunto novo, nem tanto assim, para nos levar a reflexões. Desta vez ele relata sobre a Pesquisa no Brasil, a falta que faz a tecnologia.

Não sem razão, aliás, coberto de razão se analisarmos o que a educação do fundamental à universidade cobra dos estudantes, mesmo que embrionariamente, trabalhos escolares que de simples consultas podem se transformar em pesquisas. É verdade que algum esforço nesse sentido criou as velhas Feiras de Ciências que por essas mais aquelas incentivavam e estimulavam a garotada a produzir algo.
Um pouco mais recentemente, o SEMESP criou o CONIC – Congresso Nacional de Iniciação Científica que não deixa de ser, também, um grande estimulador de pesquisas na universidade. Para o desse ano, 17ª. Edição, já se esperam mais de 2 mil participações.
Não se pode omitir ainda que os Trabalhos de Conclusão de Curso sejam estimuladores
para uma vivência embrionária do que pode vir a ser um dissertação de mestrado ou tese de doutoramento.

Entretanto, é Marcos que ao abordar o tema deseja estabelecer um início quando da formação da universidade brasileira: A pesquisa cientifica no Brasil surge fora da universidade, pois esta ainda não existia.
Os cursos de nível superior surgem tardiamente em relação aos países da América Latina (Peru Republica Dominicana, México).
O curso de engenharia naval (o primeiro) no Rio de Janeiro, seguido por quatro outros criados por D João VI, ao chegar no Brasil em 1808 (Direito em Olinda e São Paulo Medicina em Salvador e Rio de Janeiro), surgiram sem vinculação com a pesquisa. Até porque, a Universidade como instituição só internalizou a pesquisa em 1810, por iniciativa de Humbolt na Alemanha (ainda em constituição como unidade política em país).

A pesquisa brasileira em suas origens está relacionada às expedições cientificas e visitas de artistas, cientistas ligados à natureza. Em 1637, Maurício de Nassau trouxe uma plêiade de naturalistas, botânicos, biólogos, pintores, mineralogistas e entomologistas. Em 1816 uma missão francesa traz escritores intelectuais, arquitetos e artistas plásticos, seguida, em 1817 de uma missão austríaca.

Um laboratório “a céu aberto” estava disponível em toda parte do território brasileiro A riqueza dos recursos naturais e a beleza virgem da vegetação, ao lado da diversidade ofereciam a exuberância da fauna e flora além de minérios e muita água em caudalosos rios, plenos de variedades pesqueiras Deste modo os estudiosos investigadores (como eram chamados antigamente os pesquisadores) intelectuais e clérigos de diferentes denominações católicas, são responsáveis pelo diversificado acervo de atlas e mapas geográficos, anatomia e fisiologia de animais e plantas, que ao lado da descoberta do inédito e exótico, eram classificados em famílias e espécies também ligadas à natureza, sob a forma de descrições artísticas.
Somente no século XIX surgiram alguns institutos de pesquisas como entidades de cunho cientifico, e deles surgiriam, mais tarde algumas universidades. A título de exemplo o Museu Paraense Emílio Goeldi (1866) é a primeira unidade de pesquisa social do Brasil, Observatório Nacional (1827), Jardim Botânico (1808) e Instituto Agronómico de Campinas (1887), Museu de Mineralogia de Ouro Preto e, no limiar do século XX, Manguinhos (1900), atual FIOCRUZ no Rio de Janeiro e Instituto Butantan (1900) em São Paulo.

Após tentativas e constantes descontinuidades, o Brasil despertou para a importância da Universidade, ainda como instituição de formação de recursos humanos que não agregava pesquisa. Paraná, Minas Gerais, Amazonas e Rio de Janeiro, tentaram criar por iniciativa estadual suas Universidades. Todas interrompidas. Somente com a derrota (1932) do Estado de São Paulo e a vinda de outra Missão Francesa por iniciativa do Governador Armando Salles de Oliveira com apoio do empresariado liderado pelo Jornalista Júlio de Mesquita Filho, a USP, cria-se, de fato, em 1934. Desde seu nascedouro assentada em forte preocupação com a pesquisa cientifica. Este casamento entre Formação e Pesquisa, fez vingar a nossa mais antiga e tardia instituição de Educação Superior, sob a forma de Universidade. O caso brasileiro difere dos países que fizeram a Revolução Industrial entre os Séculos XVIII e XIX, e logo despertaram para a importância da tecnologia e a necessidade de as indústrias incumbentes associarem-se à pesquisa tecnológica, mesmo que timidamente, aproximando-se das universidades acadêmicas existentes.

O conceito “Tecnologia” passou despercebido pela Universidade brasileira ate o final do terceiro quarto do Século XX.

A ABC-Academia Brasileira de Cièncas (1917), e a SBPC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciència (1948) bem como o CNPq e a CAPES, ambos criados em 1951, louvavam a Ciência, mas esqueceram da Tecnologia. Este exemplo identifica a fragilidade do Sistema Brasileiro de Pesquisa focada na tecnologia. Como afirmado somente no último quartel do Século XX, irão surgir os primeiros sinais da importância do setor tecnológico. Paradoxalmente, o Brasil foi capaz de se industrializar sem dispor de instituições fortes em tecnologia; dai a adoção do modelo “mais fácil” de substituição de importações.

Tecnologia é a aplicação prática do Conhecimento. Só em pleno regime militar, o CNPq muda seu perfil; passa de um Conselho Nacional de Pesquisa, para Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico. A mudança terminológica constitui um avanço, mas o foco brasileiro pela tecnologia ainda está na infância. O Governo com a ausência da Sociedade optou por um modelo cêntrico em Ciências Básicas, daí sua explícita preferência pelo cientificismo, vide os Institutos, antes do CNPq, agora no MCTIC, voltados para a Física (CBPF), Matemática (IMPA), Biologia (INPA-AM), Pesquisas Espaciais (INPE), etc.

Desse modo o Brasil é um caso raro, talvez único, de país que se industrializou sem a participação de sua Universidade. O grande esteio como entidade de formação de recursos humanos para a indústria foi a CNI (1938) com a criação do paradigmático SENAI.

Em 1985 o CNPq cedeu sua competência cientifica reconhecida e seu capital humano para instalar o novo Ministério, criado pelo Presidente Tancredo Neves; Ministério da Ciência Tecnologia – MCT. A Tecnologia passa a contar com um Ministério, mas a pesquisa tecnológica continua incipiente, mesmo com um conjunto de instituição setoriais ou especializadas que apoiavam o desenvolvimento da indústria FINEP (1967), INPI (1970), IMMETRO (1961), INMET (1909), ITA (1950), IEAPM (1984), CEPEM (1955), EMBRAPA (1972). Com a evolução da indústria brasileira e a forte presença de indústrias internacionais, estas preferiram instalar suas plantas e montadoras (setor automobilístico) sem dispor de unidades de pesquisa e desenvolvimento (P&D, ou R&D em inglês). Somente as maiores empresas brasileiras e estatais contratam pesquisadores e engenheiros para seus laboratórios

Mesmo assim o Brasil foi capaz de desenvolver pesquisa tecnológica de classe mundial em setores reconhecidos, responsáveis pelos principais itens da nossa pauta exportações com conteúdo tecnológico: em Terra – EMBRAPA, no Mar - PETROBRAS e no Ar-EMBRAER.

O desafio: desenvolvimento tecnológico para inovação.
Paises de industrialização marcante Pós-Segunda Grande Guerra como, Alemanha e Japão (casos de reindustrialização), e durante a Guerra Fria, os chamados Tigres Asiáticos (Hong Kong, Correia do Sul, Taiwan e Singapura) deliberadamente, optaram e desenvolveram forte pesquisa tecnológica. Inicialmente, copiaram casos de sucesso industrial: o Japão foi referência, mas, em seguida, ganharam autonomia. A China é o exemplo brilhante cujo protagonismo, a qualifica, na virada o Século XX como a “grande fábrica do mundo”. A preferência pelo desenvolvimento tecnológico do Sudeste Asiático, é hoje acrescida por Indonésia, Vietnã, Malásia e Macau. O dinamismo e o ritmo acelerado desses países correlacionam-se à opçào preferencial pelo tecnologismo, sem dispensar a pesquisa cientifica básica, porém, declaradamente, colocando-a em um digno segundo lugar.
Este modelo de viés tecnológico já havia se provado bem-sucedido nos Estados Unidos e Europa Ocidental, países que formam seus doutores, preferencialmente, para o setor produtivo. Daí, a relaçào inversa no Brasil onde a indústria emprega apenas 20% e a Academia monopoliza 80% dos doutores nacionais.

O Brasil, na segunda metade do Século XX, graças ao trabalho do CNPq, CAPES, FINEP e FAPESP, foi capaz de construir a segunda maior rede de Pós-graduação stricto sensu dentre os países em desenvolvimento com cursos de Mestrado e Doutorado de classe mundial, majoritariamente em Universidades. Institutos Públicos de Pesquisa. Isso fez surgir uma espécie de “Joia da Coroa' da Educação Nacional (pós- graduação). Entretanto, tal avanço criou uma pirâmide invertida. O sistema nacional de educação descuidou, sacrificou, injustificavelmente, a Educação Básica - pilar do desenvolvimento cientifico e tecnológico de todos os paises que alcançaram o status de desenvolvido, rico, de economia avançada. O Brasil continua preso à “armadilha da renda média”, com uma economia predominantemente endógena baseada em pequena ou moderada intensidade tecnológica (salvo os honrosos casos citados) e exportação massiva de matérias primas (commoddities) com baixo valor agregado.

O Brasil com sua rede de Pós-graduação e incentivo, fomento à produção científica, destaca-se pelo número de “papers" publicados em veículos indexados internacionalmente (13° lugar). Entretanto, ao analisarmos o impacto e a capacidade do País transformar conhecimento cientifico em riqueza e negócios, a classificação adquire pouco destaque qualitativo, a ponto de um Ministro da área ter afirmado o “Brasil não sabe
transformar conhecimento em riqueza”.

Tal realidade produz atraso tecnológico (desindustrialização, perda seguida de posições em rankings de competitividade entre países industrializados); ociosidade da indústria (atualmente em torno de 30%); incapacidade de participar e competir em cadeias industriais globais, e ainda, um parque industrial de baixa complexidade (51° posição). Portanto, nosso desenvolvimento tecnológico não condiz com uma economia ainda entre as 10 maiores do mundo medida pelo PIB nominal.

Falta-nos uma série de requisitos para superar estas “desvantagens competitivas”. Em consequência, a dificuldade em inovar. Talvez, o mais grave: aqui ainda não funciona a indispensável Tríplice Hélice: união e ação entre a Academia, o Governo e as Empresas.

Salvem as Baleias e os Professores



Li pela primeira vez a frase num adesivo de carro, num fusquinha que levava as letras bem grandes no vidro de trás. Quase certo que era docente do ensino público.
A máxima do título já reserva um tom jocoso, uma troça, uma blague, quase zombaria, num estilo aproximado de vitimez, como se os docentes também estivessem em extinção. Cabe a pergunta, se isso não é uma grande verdade por tudo que acomete a profissão no Brasil, desde os salários, as violências a que se submetem, principalmente no Fundamental e no Médio, a exasperante jornada de trabalho, que às vezes exige do profissional uma dedicação dos períodos da manhã, tarde e noite. Por oportuno, o leitor arrisca um palpite ? 
Quem desaparece primeiro, o professor ou a sala de aula ?

A impossibilidade de se manter estudando com a educação continuada, a alienação quase total às tecnologias atuais, o desconhecimento das linguagens, softwares, equipamento cujos preços, que no mais das vezes proibitivos, impedem aquisições. O ter que levar alunos despreparados, sabidamente, para o Enem e com isso computar fracassos porque o sistema é implacável e machuca mais a quem já está machucado. No superior, a questão da proposta do Enade que contempla ausentes e omissos, que não carregam suas participações para o diploma ou histórico escolar: uma injustiça.
Mas, enquanto as baleias ainda são pouco ou medianamente assistidas por sociedades protetoras dos animais, nacionais e internacionais, ao professor só cabe apelar para os sindicatos pouco ou nada interessados nas perpetrações ao docente. Estão de fato entregues ao Deus dará.
O curso espinhoso que transcorreu nas licenciaturas quase sempre não foi, digamos, completo e realizador. As práticas de ensino foram pouco ou nada aproveitáveis, o estágio em escolas que em princípio se negam a receber esses licenciandos, pois não têm condições técnicas e administrativas para acolhê-los em condições desejáveis.
Os concursos públicos rareiam, pois os governos preferem contratações temporárias afastando os candidatos de uma carreira, de um vínculo laboral que dê estímulo e afeição pelo trabalho.
Então, o 15 de outubro, de novo está aí, e, com franqueza, não creio que a efeméride seja para soltar rojões e muita festança. A partir dos fornos onde são forjados os professores, é de se perguntar se os egressos dos cursos ficaram satisfeitos ao seu término. Se concluíram “achando-se preparados” para o magistério que em outros tempos já foi até mais difícil. Normalistas andando em burros por estradas poeirentas e ganhando salários às vezes expressos em galinhas, sacos de manga ou goiaba, queijos ou manteiga, debaixo de chuva e sol. Aliás, como ainda acontece em muitos rincões nacionais. Vergonha de governos.
Embora aflorem algumas realidades porque desesperantes, não é o caso de negar a data, ao contrário, e exatamente pelos senões apontados enaltecer a fibra, a determinação, a firmeza de propósito de todos os docentes, do fundamental ao superior, passando pelo médio, a trajetória super-humana de
quem põe a cabeça no travesseiro e sente a recompensa de ter ajudado o Brasil a ir pra frente, a crescer num mundo de adversidades como as que afetam o labor diário de extirpar ignorâncias das cabeças de nossa juventude, mesmo que vicissitudes instabilizem e conduzam a imprevisibilidade e eventualidade da carência de políticas públicas, conduzindo processos ao acaso, exatamente porque casuísticas.
Hoje eu rendo minhas homenagens a esse pelotão imenso de guerreiros cujas armas são a vontade, a inteligência, a cultura, a predestinação, colocando no cadinho de suas consciências o ouro mais puro para ser fundido e derramado na forma da civilidade e da cidadania.
E mais, se não propusermos capacitação docente para EAD aos nossos docentes, veremos uma derrocada sem igual nesse mundo globalizado, que se alimenta de fluxos de conhecimentos por redes.