segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Obama, um mercador realista da internet



O jornal Valor Econômico, com o Santander/AAdvantage, realizou na quinta-feira, 5 de outubro, o Fórum Cidadão Global, contando com o ex-presidente Barack Obama como principal palestrante.
"O presidente Obama é um dos principais defensores do papel do cidadão global do século XXI para superar nossos maiores desafios sociais", diz Frederic Kachar, diretor executivo da Divisão de Publicação do Grupo Globo, da qual o Valor Econômico faz parte.

Em um momento de mudanças extraordinárias e incertezas em todo o mundo, líderes políticosempresariais e de organizações não governamentais formam um crescente coro chamando os cidadãos para que se levantem e se juntem para construir o futuro que desejamos para a sociedade.

Em resposta a esta crescente necessidade de fortalecimento da cidadania, o Fórum Cidadão Global tem como objetivo iniciar um diálogo sobre a responsabilidade das pessoas na construção de um futuro melhor.

O presidente Obama tem sido um líder global no avanço do envolvimento cívico e vem incentivando e inspirando os cidadãos a se envolverem em sua comunidade. Em recente palestra o presidente Obama disse: “Precisamos que vocês se mantenham conectados, trabalhem juntos, aprendam uns com os outros, para que possamos construir uma próxima geração de líderes que sejam capazes de enfrentar problemas como o aquecimento global e a pobreza, ajudar no crescimento econômico, garantir que as mulheres tenham oportunidade. Garantir que toda criança, onde quer que ela viva, tenha a chance de ter uma vida melhor.”

Em 2011 Obama também esteve no Brasil, em 20 de março, no Rio de Janeiro.  Na tarde de um domingo, o presidente norte-americano discursou para cerca de 2 mil convidados no Theatro Municipal, na Cinelândia, Rio de Janeiro: “Alô, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa. Boa tarde, todo o povo brasileiro.
Desde o momento em que chegamos o povo desta nação tem gentilmente mostrado à minha família o calor e a generosidade do espírito brasileiro, obrigado. Quero agradecer a todos por estarem aqui.”

Na oportunidade ele lembrou que os EUA foram a 1ª nação a reconhecer a independência do Brasil e a 1ª a estabelecer um posto diplomático neste país. O primeiro líder de um país a visitar os EUA foi Dom Pedro II. Na Segunda Guerra Mundial nossos corajosos homens e mulheres lutaram lado a lado pela liberdade. E depois da guerra, nossas duas nações lutaram para conseguir as bênçãos plenas da liberdade.”

Desta feita ele deixou de lado um centena de mesuras e delicadezas filantrópicas para ir mais fundo “no que interessa” e um desses temas foi exatamente a educação.
Um dos líderes mais admirados do planeta fez um alerta: é preciso envolver os
jovens na política e garantir a inclusão social para evitar a xenofobia e radicalismos. A uma plateia de líderes empresariais e representantes da sociedade civil, Obama defendeu a educação como arma contra a intolerância,
além de um forte engajamento dos cidadãos, sobretudo dos jovens, para reconstruir e renovar arranjos políticos e sociais, para que as mudanças funcionem para todos. Apesar dos desafios, Obama mostrou uma visão otimista para o futuro. Não obstante todos os desafios que enfrentamos, o mundo é mais seguro, mais bem instruído, mais tolerante do que qualquer momento na história da humanidade.

Dono de uma convicção incomum, Obama, referindo-se à educação,  diz que se chamado a aconselhar qualquer nação, então, o primeiro trabalho é garantir que seja estabelecido um sistema educacional que seja universal, que busque alcançar toda criança e que seja adaptado às realidades de uma economia em rápida evolução tecnológica.

Quase no início da sua fala Obama deixou a plateia um tanto desconcertada ao afirmar que, de certa maneira, vivemos o melhor dos momentos e o pior dos momentos. Perplexidade geral.
O mundo está mais próspero do que nunca, afirmou, mas isso veio com uma ruptura industrial e estagnação de salários em muitas economias avançadas, o que deixou muitos trabalhadores e muitas comunidades com medo das perspectivas para eles e para seus filos, pensando que elas serão piores, e não melhores no futuro.

Enfatizando que o mundo está mais conectado do que nunca e que da mesma maneira que a internet tem a oportunidade de espalhar conhecimento e oportunidades, dá poder àqueles que espalham ódio e em todos os lugares vemos a internet contribuindo para dividir a nossa política.

Não sem razão pois nesta era de informação instantânea, onde tudo nos dá uma cadeia sem interrupção de más notícias, é natural que as pessoas procurem algum sentido de certeza e de controle nas suas vidas.
Vemos grandes choques entre culturas, as pessoas preocupadas com os valores tradicionais, suas ideias e raízes sendo esfaceladas. Portanto, é inevitável que nossas políticas e arranjos sociais também tenham essa ruptura, da mesma maneira que ocorrem essas rupturas tecnológicas.

Daí trazer uma grande pergunta para a nossa atualidade quando atravessamos fase muito delicada e preocupante com a corrupção endêmica, congresso à beira da devassidão, governos estaduais e municipais em alvoroço pelo endividamento:  pelo bem de nossas famílias e coletivo, será que temos a capacidade de reconstruir e renovar os arranjos políticos e sociais para que as mudanças funcionem para todos e não só para alguns ?

Cá para nós, não temos a certeza de que a internet, os serviços sob demanda, o carro sem motorista, as entregas por drones, podem nos confirmar de que isso vá ajudar a economia para todos e não só para os poucos que estão no topo. E também é verdade que a globalização, a automação, todas essas coisas que nos dão tantos benefícios incríveis, enfraqueceram a posição dos trabalhadores, no sentido de terem salários justos.

Conforme Obama, “Estamos mais conectados do que nunca, mas isso faz com que,  em alguns casos, seja mais fácil recuarmos a nossas próprias tribos, nossas  próprias bolhas, onde só escutamos pessoas que pensam da mesma maneira como nós. E nunca desafiamos as nossas próprias presunções, porque tudo o que lemos, tudo o que vemos é simplesmente o que um algoritmo nos disse que deveríamos ver.”




Universidade Tardia Surge no Século XX



Gênese da Pesquisa Científica

Marcos Formiga é um desses provocadores que não pode ver ninguém relaxando, em paz com tudo. Diante disso ele vem com alfinetadas e agulhas para trazer um assunto novo, nem tanto assim, para nos levar a reflexões. Desta vez ele relata sobre a Pesquisa no Brasil, a falta que faz a tecnologia.

Não sem razão, aliás, coberto de razão se analisarmos o que a educação do fundamental à universidade cobra dos estudantes, mesmo que embrionariamente, trabalhos escolares que de simples consultas podem se transformar em pesquisas. É verdade que algum esforço nesse sentido criou as velhas Feiras de Ciências que por essas mais aquelas incentivavam e estimulavam a garotada a produzir algo.
Um pouco mais recentemente, o SEMESP criou o CONIC – Congresso Nacional de Iniciação Científica que não deixa de ser, também, um grande estimulador de pesquisas na universidade. Para o desse ano, 17ª. Edição, já se esperam mais de 2 mil participações.
Não se pode omitir ainda que os Trabalhos de Conclusão de Curso sejam estimuladores
para uma vivência embrionária do que pode vir a ser um dissertação de mestrado ou tese de doutoramento.

Entretanto, é Marcos que ao abordar o tema deseja estabelecer um início quando da formação da universidade brasileira: A pesquisa cientifica no Brasil surge fora da universidade, pois esta ainda não existia.
Os cursos de nível superior surgem tardiamente em relação aos países da América Latina (Peru Republica Dominicana, México).
O curso de engenharia naval (o primeiro) no Rio de Janeiro, seguido por quatro outros criados por D João VI, ao chegar no Brasil em 1808 (Direito em Olinda e São Paulo Medicina em Salvador e Rio de Janeiro), surgiram sem vinculação com a pesquisa. Até porque, a Universidade como instituição só internalizou a pesquisa em 1810, por iniciativa de Humbolt na Alemanha (ainda em constituição como unidade política em país).

A pesquisa brasileira em suas origens está relacionada às expedições cientificas e visitas de artistas, cientistas ligados à natureza. Em 1637, Maurício de Nassau trouxe uma plêiade de naturalistas, botânicos, biólogos, pintores, mineralogistas e entomologistas. Em 1816 uma missão francesa traz escritores intelectuais, arquitetos e artistas plásticos, seguida, em 1817 de uma missão austríaca.

Um laboratório “a céu aberto” estava disponível em toda parte do território brasileiro A riqueza dos recursos naturais e a beleza virgem da vegetação, ao lado da diversidade ofereciam a exuberância da fauna e flora além de minérios e muita água em caudalosos rios, plenos de variedades pesqueiras Deste modo os estudiosos investigadores (como eram chamados antigamente os pesquisadores) intelectuais e clérigos de diferentes denominações católicas, são responsáveis pelo diversificado acervo de atlas e mapas geográficos, anatomia e fisiologia de animais e plantas, que ao lado da descoberta do inédito e exótico, eram classificados em famílias e espécies também ligadas à natureza, sob a forma de descrições artísticas.
Somente no século XIX surgiram alguns institutos de pesquisas como entidades de cunho cientifico, e deles surgiriam, mais tarde algumas universidades. A título de exemplo o Museu Paraense Emílio Goeldi (1866) é a primeira unidade de pesquisa social do Brasil, Observatório Nacional (1827), Jardim Botânico (1808) e Instituto Agronómico de Campinas (1887), Museu de Mineralogia de Ouro Preto e, no limiar do século XX, Manguinhos (1900), atual FIOCRUZ no Rio de Janeiro e Instituto Butantan (1900) em São Paulo.

Após tentativas e constantes descontinuidades, o Brasil despertou para a importância da Universidade, ainda como instituição de formação de recursos humanos que não agregava pesquisa. Paraná, Minas Gerais, Amazonas e Rio de Janeiro, tentaram criar por iniciativa estadual suas Universidades. Todas interrompidas. Somente com a derrota (1932) do Estado de São Paulo e a vinda de outra Missão Francesa por iniciativa do Governador Armando Salles de Oliveira com apoio do empresariado liderado pelo Jornalista Júlio de Mesquita Filho, a USP, cria-se, de fato, em 1934. Desde seu nascedouro assentada em forte preocupação com a pesquisa cientifica. Este casamento entre Formação e Pesquisa, fez vingar a nossa mais antiga e tardia instituição de Educação Superior, sob a forma de Universidade. O caso brasileiro difere dos países que fizeram a Revolução Industrial entre os Séculos XVIII e XIX, e logo despertaram para a importância da tecnologia e a necessidade de as indústrias incumbentes associarem-se à pesquisa tecnológica, mesmo que timidamente, aproximando-se das universidades acadêmicas existentes.

O conceito “Tecnologia” passou despercebido pela Universidade brasileira ate o final do terceiro quarto do Século XX.

A ABC-Academia Brasileira de Cièncas (1917), e a SBPC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciència (1948) bem como o CNPq e a CAPES, ambos criados em 1951, louvavam a Ciência, mas esqueceram da Tecnologia. Este exemplo identifica a fragilidade do Sistema Brasileiro de Pesquisa focada na tecnologia. Como afirmado somente no último quartel do Século XX, irão surgir os primeiros sinais da importância do setor tecnológico. Paradoxalmente, o Brasil foi capaz de se industrializar sem dispor de instituições fortes em tecnologia; dai a adoção do modelo “mais fácil” de substituição de importações.

Tecnologia é a aplicação prática do Conhecimento. Só em pleno regime militar, o CNPq muda seu perfil; passa de um Conselho Nacional de Pesquisa, para Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico. A mudança terminológica constitui um avanço, mas o foco brasileiro pela tecnologia ainda está na infância. O Governo com a ausência da Sociedade optou por um modelo cêntrico em Ciências Básicas, daí sua explícita preferência pelo cientificismo, vide os Institutos, antes do CNPq, agora no MCTIC, voltados para a Física (CBPF), Matemática (IMPA), Biologia (INPA-AM), Pesquisas Espaciais (INPE), etc.

Desse modo o Brasil é um caso raro, talvez único, de país que se industrializou sem a participação de sua Universidade. O grande esteio como entidade de formação de recursos humanos para a indústria foi a CNI (1938) com a criação do paradigmático SENAI.

Em 1985 o CNPq cedeu sua competência cientifica reconhecida e seu capital humano para instalar o novo Ministério, criado pelo Presidente Tancredo Neves; Ministério da Ciência Tecnologia – MCT. A Tecnologia passa a contar com um Ministério, mas a pesquisa tecnológica continua incipiente, mesmo com um conjunto de instituição setoriais ou especializadas que apoiavam o desenvolvimento da indústria FINEP (1967), INPI (1970), IMMETRO (1961), INMET (1909), ITA (1950), IEAPM (1984), CEPEM (1955), EMBRAPA (1972). Com a evolução da indústria brasileira e a forte presença de indústrias internacionais, estas preferiram instalar suas plantas e montadoras (setor automobilístico) sem dispor de unidades de pesquisa e desenvolvimento (P&D, ou R&D em inglês). Somente as maiores empresas brasileiras e estatais contratam pesquisadores e engenheiros para seus laboratórios

Mesmo assim o Brasil foi capaz de desenvolver pesquisa tecnológica de classe mundial em setores reconhecidos, responsáveis pelos principais itens da nossa pauta exportações com conteúdo tecnológico: em Terra – EMBRAPA, no Mar - PETROBRAS e no Ar-EMBRAER.

O desafio: desenvolvimento tecnológico para inovação.
Paises de industrialização marcante Pós-Segunda Grande Guerra como, Alemanha e Japão (casos de reindustrialização), e durante a Guerra Fria, os chamados Tigres Asiáticos (Hong Kong, Correia do Sul, Taiwan e Singapura) deliberadamente, optaram e desenvolveram forte pesquisa tecnológica. Inicialmente, copiaram casos de sucesso industrial: o Japão foi referência, mas, em seguida, ganharam autonomia. A China é o exemplo brilhante cujo protagonismo, a qualifica, na virada o Século XX como a “grande fábrica do mundo”. A preferência pelo desenvolvimento tecnológico do Sudeste Asiático, é hoje acrescida por Indonésia, Vietnã, Malásia e Macau. O dinamismo e o ritmo acelerado desses países correlacionam-se à opçào preferencial pelo tecnologismo, sem dispensar a pesquisa cientifica básica, porém, declaradamente, colocando-a em um digno segundo lugar.
Este modelo de viés tecnológico já havia se provado bem-sucedido nos Estados Unidos e Europa Ocidental, países que formam seus doutores, preferencialmente, para o setor produtivo. Daí, a relaçào inversa no Brasil onde a indústria emprega apenas 20% e a Academia monopoliza 80% dos doutores nacionais.

O Brasil, na segunda metade do Século XX, graças ao trabalho do CNPq, CAPES, FINEP e FAPESP, foi capaz de construir a segunda maior rede de Pós-graduação stricto sensu dentre os países em desenvolvimento com cursos de Mestrado e Doutorado de classe mundial, majoritariamente em Universidades. Institutos Públicos de Pesquisa. Isso fez surgir uma espécie de “Joia da Coroa' da Educação Nacional (pós- graduação). Entretanto, tal avanço criou uma pirâmide invertida. O sistema nacional de educação descuidou, sacrificou, injustificavelmente, a Educação Básica - pilar do desenvolvimento cientifico e tecnológico de todos os paises que alcançaram o status de desenvolvido, rico, de economia avançada. O Brasil continua preso à “armadilha da renda média”, com uma economia predominantemente endógena baseada em pequena ou moderada intensidade tecnológica (salvo os honrosos casos citados) e exportação massiva de matérias primas (commoddities) com baixo valor agregado.

O Brasil com sua rede de Pós-graduação e incentivo, fomento à produção científica, destaca-se pelo número de “papers" publicados em veículos indexados internacionalmente (13° lugar). Entretanto, ao analisarmos o impacto e a capacidade do País transformar conhecimento cientifico em riqueza e negócios, a classificação adquire pouco destaque qualitativo, a ponto de um Ministro da área ter afirmado o “Brasil não sabe
transformar conhecimento em riqueza”.

Tal realidade produz atraso tecnológico (desindustrialização, perda seguida de posições em rankings de competitividade entre países industrializados); ociosidade da indústria (atualmente em torno de 30%); incapacidade de participar e competir em cadeias industriais globais, e ainda, um parque industrial de baixa complexidade (51° posição). Portanto, nosso desenvolvimento tecnológico não condiz com uma economia ainda entre as 10 maiores do mundo medida pelo PIB nominal.

Falta-nos uma série de requisitos para superar estas “desvantagens competitivas”. Em consequência, a dificuldade em inovar. Talvez, o mais grave: aqui ainda não funciona a indispensável Tríplice Hélice: união e ação entre a Academia, o Governo e as Empresas.

Salvem as Baleias e os Professores



Li pela primeira vez a frase num adesivo de carro, num fusquinha que levava as letras bem grandes no vidro de trás. Quase certo que era docente do ensino público.
A máxima do título já reserva um tom jocoso, uma troça, uma blague, quase zombaria, num estilo aproximado de vitimez, como se os docentes também estivessem em extinção. Cabe a pergunta, se isso não é uma grande verdade por tudo que acomete a profissão no Brasil, desde os salários, as violências a que se submetem, principalmente no Fundamental e no Médio, a exasperante jornada de trabalho, que às vezes exige do profissional uma dedicação dos períodos da manhã, tarde e noite. Por oportuno, o leitor arrisca um palpite ? 
Quem desaparece primeiro, o professor ou a sala de aula ?

A impossibilidade de se manter estudando com a educação continuada, a alienação quase total às tecnologias atuais, o desconhecimento das linguagens, softwares, equipamento cujos preços, que no mais das vezes proibitivos, impedem aquisições. O ter que levar alunos despreparados, sabidamente, para o Enem e com isso computar fracassos porque o sistema é implacável e machuca mais a quem já está machucado. No superior, a questão da proposta do Enade que contempla ausentes e omissos, que não carregam suas participações para o diploma ou histórico escolar: uma injustiça.
Mas, enquanto as baleias ainda são pouco ou medianamente assistidas por sociedades protetoras dos animais, nacionais e internacionais, ao professor só cabe apelar para os sindicatos pouco ou nada interessados nas perpetrações ao docente. Estão de fato entregues ao Deus dará.
O curso espinhoso que transcorreu nas licenciaturas quase sempre não foi, digamos, completo e realizador. As práticas de ensino foram pouco ou nada aproveitáveis, o estágio em escolas que em princípio se negam a receber esses licenciandos, pois não têm condições técnicas e administrativas para acolhê-los em condições desejáveis.
Os concursos públicos rareiam, pois os governos preferem contratações temporárias afastando os candidatos de uma carreira, de um vínculo laboral que dê estímulo e afeição pelo trabalho.
Então, o 15 de outubro, de novo está aí, e, com franqueza, não creio que a efeméride seja para soltar rojões e muita festança. A partir dos fornos onde são forjados os professores, é de se perguntar se os egressos dos cursos ficaram satisfeitos ao seu término. Se concluíram “achando-se preparados” para o magistério que em outros tempos já foi até mais difícil. Normalistas andando em burros por estradas poeirentas e ganhando salários às vezes expressos em galinhas, sacos de manga ou goiaba, queijos ou manteiga, debaixo de chuva e sol. Aliás, como ainda acontece em muitos rincões nacionais. Vergonha de governos.
Embora aflorem algumas realidades porque desesperantes, não é o caso de negar a data, ao contrário, e exatamente pelos senões apontados enaltecer a fibra, a determinação, a firmeza de propósito de todos os docentes, do fundamental ao superior, passando pelo médio, a trajetória super-humana de
quem põe a cabeça no travesseiro e sente a recompensa de ter ajudado o Brasil a ir pra frente, a crescer num mundo de adversidades como as que afetam o labor diário de extirpar ignorâncias das cabeças de nossa juventude, mesmo que vicissitudes instabilizem e conduzam a imprevisibilidade e eventualidade da carência de políticas públicas, conduzindo processos ao acaso, exatamente porque casuísticas.
Hoje eu rendo minhas homenagens a esse pelotão imenso de guerreiros cujas armas são a vontade, a inteligência, a cultura, a predestinação, colocando no cadinho de suas consciências o ouro mais puro para ser fundido e derramado na forma da civilidade e da cidadania.
E mais, se não propusermos capacitação docente para EAD aos nossos docentes, veremos uma derrocada sem igual nesse mundo globalizado, que se alimenta de fluxos de conhecimentos por redes.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Mix Noticioso Educacional



Na última semana a mídia repercutiu um noticiário entre realista e surrealista,  considerando os conteúdos atravessados, instigadores, de causar perplexidade e até de inconformismo para não dizer de má-fé.

Sem os distinguir por uma escala de valores ou  prioridades quero levar o leitor a um passeio pelo noticiário que chamou muito a atenção, daí compartilhar na linha dos fatos educacionais relevantes,  que provocam e podem levar a reflexões, tão necessárias diante do atual quadro político e econômico que atravessamos.

Chamou a atenção o que o jornalismo nacional dedicou, quase insistentemente nos último anos, a atribuir os excelsos caminhos dourados da proposta educacional da Finlândia[1]. O mesmo assunto é controverso no noticiário.
A BBC, pela jornalista Penny Spiller, diz que há muito tempo a Finlândia é reconhecida pela qualidade de sua educação. E apesar de sempre figurar no topo dos rankings internacionais, o país passou a repensar seu modelo diante da era digital. Como parte disso, tem focado seus esforços tanto no ensino de habilidades quanto no de matérias. Mas nem todo mundo está feliz - há temores de que as mudanças enfraqueçam o ensino.

O professor Aleksis Stenholm, que trabalha na Escola Hauho, de Ensino Médio, propõe uma aula de história diferente. Nela, os alunos também aprenderão  habilidades tecnológicas, de investigação, comunicação e compreensão cultural
.  A tarefa dada a eles é comparar a Roma Antiga com a Finlândia moderna. Um grupo analisa os banheiros romanos e os spas de luxo de hoje; outro compara o Coliseu aos estádios esportivos atuais. Todos usam impressoras 3D para criar uma versão em miniatura dos edifícios da época, que logo serão parte de um jogo que envolverá toda a classe.
Cada grupo está virando especialista no seu tema, que logo será apresentado ao resto da sala.  O jogo marca o fim do projeto, que é realizado em conjunto com aulas regulares.
Convém esclarecer que as crianças do país só começam a frequentar a educação formal aos sete anos e têm jornadas mais curtas, férias de verão com dez semanas, poucos deveres de casa e não se submetem a provas.
A Finlândia estabelece como objetivo na forma de ensinar a modalidade aprendizagem baseada em projetos/fenômenos, ou seja, oferecer às crianças as habilidades que elas precisam para se desenvolver no século 21 que podem se resumir a aprender a pensar e a aprender a entender.
Na Revista Veja de 7 de junho Mônica Weinberg exagera a partir do título ”A Escola do Futuro já Existe” com o lide de que a educadora finlandesa, Marjo KyllOnen está virando do avesso a velha sala de aula e que não faz mais sentido manter o ensino enciclopédico e aprisionado em disciplinas. Pode até ser que vá existir mas seus compatriotas ainda têm muitas dúvidas. Marjo, com 58 anos e três décadas na área, ocupa o cargo de Secretária de Educação em Helsinque. Para ela a velha escola está com os dias contados.
Na Finlândia, hoje, cerca de 50% do total de estudantes que terminam a educação obrigatória escolhe o ensino técnico para continuar os estudos. Na avaliação da ministra da Educação do país, Sanni Grahn-Laasonen, isso ocorre porque a educação profissional oferece, ao mesmo tempo, oportunidades para aprendizagem e desenvolvimento de competências para o trabalho e um caminho para o ensino superior.

Pelo visto não é possível nem de longe fazer qualquer paralelo com a educação brasileira, especialmente a pública quando nas palavras do economista chefe do Instituto Ayrton Senna(IAS), Ricardo Paes de Barros, para quem a escola brasileira reproduz loucamente a desigualdade.
Conforme  Érica Fraga  do jornal  Folha de São Paulo   07/06/2017 , em entrevista, Paes de Barros adiantou que as escolas no Brasil não oferecem aos alunos de baixa renda oportunidades de ascensão social. Ao contrário, elas reforçam as diferenças educacionais herdadas do ambiente familiar.
Paes de Barros se tornou referência no estudo de temas como pobreza, desigualdade de renda, mercado de trabalho e educação.
Depois de quatro anos como subsecretário de Ações Estratégicas no governo de Dilma Rousseff, assumiu o posto no IAS.  E também leciona no Insper.
Desde então, tem se dedicado a buscar e testar evidências de que a introdução de habilidades socioemocionais nos currículos tem impacto educacional positivo. Na assertiva não está claro a que perfil, classe sócio-econômica e cultural ele se refere
Para ele, se a escola brasileira sair na frente com um ensino que estimule características como curiosidade, criatividade e persistência, talvez elimine uma década de atraso na educação: Talvez mal informado desconheça a tragédia das escolas em frangalhos, laboratórios inexistentes, bibliotecas só nos planos e as edificadas sem um acervo mínimo para atendimento.
"É importante que a escola estimule a curiosidade, a flexibilidade para buscar diferentes caminhos. Se a escola faz o contrário e destrói a autoconfiança do aluno, ela matou o aluno pobre." Ledo engano pois esse aluno já esta morto, de fome, desnutrido, sem as mínimas condições de deslocamento, com toda uma carga negativa de saúde.
Para ele, o Brasil tem que dar um salto lembrando que a Coreia e a Finlândia estão desesperadas tentando descobrir para onde vão suas escolas. Nesses países, a preocupação é que, se você estimular a criatividade, o pensamento crítico, a curiosidade, pode dar um salto, porque a pessoa com essas características quase aprende sozinho.
Mas, para isso acontecer, ele tem que saber aprender, tem que ter meta, ser criativo, curioso. Se você criar uma geração de crianças que já tenham isso, pode ser então que você dê um salto.
Como se vê, as afirmações estão todas suportadas pela condicionante “se”, “pode ser”, “quase”, “tem que”. Com todo o respeito às opiniões do economista, isso de trazer amostras da base australiana ou das províncias do Canadá também em nada colabora para a construção do nosso modelo que é próprio pois não mantemos nenhuma identidade com ninguém nesse planeta. É simples cotejar os perfis. Menos tergiversação e mais solução.

Enquanto isso, em Roma, o Papa Francisco condena a tendência da educação elitista com uma frase lapidar: Educar é incluir.
Ele denunciou na sexta-feira, 9, que alguns países investem pouco na formação dos jovens, "elitizando a educação" e excluindo os mais pobres, durante a inauguração da sede romana da fundação "Scholas Occurrentes", organização criada por Francisco há 20 anos, quando era arcebispo de Buenos Aires.
"Há um perigo muito grande na vida da educação dos jovens. O da elitização. Cada vez os orçamentos para a educação em alguns lugares vão se cortando e se cria uma elite de quem pode pagar pela educação", disse o pontífice durante uma videoconferência com jovens de diferentes países.

No Rio de Janeiro, para o professor Evandro Brum Pereira, 61, da UERJ, ora ganhando líquido R$ 12.285,00 a saída foi uma performance pelas redes sociais.
Sem salário há quase três meses (e com atraso também no 13º salário e nas férias de 2016), o engenheiro químico resolveu postar no domingo (11) uma foto pedindo trabalho –e a imagem acabou viralizando.
Na imagem feita pela filha do docente, Thais, 19, Pereira descreve um currículo impecável e deixa o celular para ofertas de trabalho. A proposta do docente ao divulgar a imagem, diz, foi fazer uma manifestação. Ao que tudo indica, não acusou nem inocentou aos políticos que destruíram as finanças do estado e também não mostrou revolta àqueles que os elegeram.

Em São Paulo o TCE – Tribunal de Contas do Estado mudará o cálculo sobre investimentos na Educação batendo de frente com o governador do estado que desejava considerar os gastos com aposentadoria da rede de ensino como investimentos na Educação. Um dos membros do Tribunal, irado, adiantou que
“Havia prefeitura que fazia pavimentação em frente da escola que queria incluir na cota da Educação. Houve município que instituiu uma banda e também queria incluir nos 25% da Educação. Esse valor não pode ser incluso na Educação.” Parece que uma máxima jurídica pela qual o acessório pertence ao principal não está mais em vigor. Professor na ativa vai para a conta mas aposentado desaparece dela.

De tudo lido e visto surgiu o estapafúrdio publicado pela Gazeta do Povo, do Paraná, pela caneta de Gabriel de Arruda Castro, no dia 9, citando seis cenas “peculiares” que aconteceram em universidades públicas brasileiras e a da Universidade Estadual de Maringá foi a última da lista.
1) Pegação na UEM
Duas alunas apresentaram atos de teor erótico em frente à plateia do V Simpósio Internacional em Educação Sexual, na Universidade Estadual de Maringá, em abril. As fotos do evento foram divulgadas na página da instituição e motivaram muitas críticas nas redes sociais. Em nota, a universidade afirmou que a cena foi tirada de contexto.
2) Brutalidade obscena
Um evento de nome impublicável (e que se refere à genitália feminina, acompanhado do adjetivo “Satânik”)  chocou pela brutalidade na Universidade Federal Fluminense (UFF): durante uma das performances, apresentada ao ar livre, uma jovem teve a vagina costurada. O ato, realizado em maio de 2014, fez parte do II Seminário de Investigação e Criação do Grupo de Pesquisas UFF/CNPq.
3) Besuntado em dendê
Aconteceu em junho de 2015: durante o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, na Universidade Federal da Bahia, um(a) aluno(a) apresentou a peformance 'Gordura Trans', que consistia em um banho de azeite de dendê, nu, em um pátio da universidade.
4) Focinheira humana
Seminua, com palavra escritas sobre o corpo e usando uma focinheira, uma estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprensentou sua performance em meio ao campus universitário em novembro de 2014. Quisessem ou não, os alunos e funcionários tinham de ouvir os “latidos” da jovem.
5) Oficina não-ortodoxa
A  Universidade Federal do Amapá (Unifap) ofereceu uma oficina de masturbação feminina e higienização anal antes do sexo, ambas definidas com termos chulos. O “treinamento” aconteceu em novembro de 2015, com parte de um simpósio sobre gênero e diversidade.
6) Nudez no campus
Outra performance artística, desta vez na Universidade de Brasília (UnB): um grupo de alunos de artes visuais, sem roupa, se divertia em uma pequena piscina de plástico instalada em um local de circulação em um dos campi. O caso aconteceu em novembro de 2014.

Na semana que passou o filho de um porteiro de prédio deu resposta para alunos da festa”Se nada der certo”. Um depoimento pungente e de uma propriedade bem tocante.
Conforme Rafael Campos, do site Metropoles.com.br, dois colégios do país causaram polêmica nas redes sociais. Tanto o Colégio Marista Champagnat quanto a Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH), ambos do Rio Grande do Sul, fizeram, em épocas diferentes, festas com o tema “Se nada der certo”. Nelas, os estudantes se vestiram como empregados de trabalhos que consideram “alternativos”, como garis e atendentes de lanchonete, debochadamente, caso não obtenham o sucesso esperado em sua vida profissional.
A repercussão negativa nas redes sociais foi imediata e gerou uma resposta forte e bela do escritor e conselheiro acadêmico Marcio Ruzon, que é filho de um porteiro. Ele usou seu Facebook para contar a história do pai e mostrar sua indignação com os eventos.
“Eu desabei a chorar quando soube da história. Me lembrei muito também da minha mãe, que sempre me ensinou pelo exemplo e de como tratar todos iguais. Pensei na minha filha de 10 anos, que pode vir a trabalhar para algum desses adolescentes”. Para Marcio, contudo, a grande indignação não pode ser direcionada aos jovens. Ou seja, bateu co9m mão de gato nos docentes das instituições.
Ruzon tem 38 anos e mora em Brasília, lembra que esse tipo de atividade é programada pela escola e, nesse caso, faltou aos adultos um mínimo de discernimento para garantir que aqueles alunos não crescessem entendendo essas profissões como “menores”.
“Até porque são escolas religiosas, que têm a obrigação moral de servir o filho do carpinteiro [Jesus], uma profissão de quem ‘não deu certo’. Faltou reflexão. Excluo os adolescentes disso porque não é certo cobrar atitudes adultas de quem não é adulto”, completa.

Na última parte do evento, os relatores convidados debateram os pontos altos do que foi tratado pelos palestrantes e como isso pode ser aplicado à realidade brasileira mesmo com contextos diferentes.
Priscila Simões, da Unítalo, vê o processo que envolve o ensino superior como oportunidades e não dificuldades. “É um momento propício para mudanças, há demandas sociais e um perfil novo de aluno, mercado de trabalho diferente, fatores de oferta que favorecem essas mudanças, principalmente a tecnologia e a cultura de colaboração”, disse.
Alexandre Gracioso, da ESPM, destacou a importância de engajar os professores em favor da instituição, em favor da mudança e quebra de paradigmas.
Ana Sousa, da Unicesumar, explanou sobre a importância e necessidade de trabalhar o pensamento crítico no processo de ensino-aprendizagem. “Vimos hoje que é necessário desenvolver no estudante o senso de responsabilidade social, forte habilidade intelectual e prática, habilidades analíticas para resolução de problemas e para lidar com o mundo real”.
Sueli Marquesi, da Cruzeiro do Sul, disse que as apresentações permitem uma maior interação entre suas realidades e desafios. “A inovação é promover uma gestão de mudança no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão”, afirma.
A Dra. Stephanie H. Kenen fechou o debate dizendo que “muito das discussões sobre tecnologia trata de como ensinamos, mas não o porquê ensinamos. Devemos ter um planejamento cuidadoso focado no currículo, o que ensinar e por que”.

Enquanto isso,  brasileiros que concluíram o curso de ensino superior recentemente nos Estados Unidos até têm planos de retornar ao país, mas não agora.
Brasil está entre os dez países que mais enviam alunos para o ensino superior nos Estados Unidos, segundo o relatório Open Doors, do Instituto de Educação Internacional (IIE). Mas nem todos que vão, voltam.
Segundo o IIE, no ano letivo de 2014-2015 os Estados Unidos registraram 23.675 brasileiros matriculados no ensino superior americano. No ano letivo anterior, o número era de 13.286. Os brasileiros atualmente representam 2,4% do total de estudantes estrangeiros nos EUA.  Conheça os seis estudantes que só voltam quando estiverem com a mala bem cheia de conhecimentos:
Gabriel Guimarães, 23 anos, Harvard, no curso de ciência da computação.
Taci Pereira, 22 anos, Harvard, no curso de bioengenharia.
Larissa Maranhão, 23 anos, Harvard, no curso de economia
Henrique Labella, 22 anos, Univ. de Michigan, no curso de engenharia química.
João Henrique Vogel, 23 anos, Harvard, no curso de sociologia.
Bárbara Cruvinel Santiago, 22 anos, Yale, no curso de física

A notícia estarrecedora, ainda que não trate de focos educacionais, fica por conta da publicação da Gazeta do Povo, de Curitiba, no dia 9 com o título “Previdência: as fabulosas pensões das filhas solteiras do Congresso”.
Enquanto os trabalhadores digerem uma reforma da Previdência bastante dura – com aumento de tempo de contribuição e redução no valor da aposentadoria –, o poder público mantém para os seus servidores um benefício criado na década de 1950: a pensão para as filhas solteiras maiores. Elas consomem anualmente cerca de R$ 3 bilhões dos cofres públicos. Os maiores benefícios, que superam os R$ 30 mil brutos, são pagos pelo Congresso Nacional.
Após investigar as 51.826 pensões de filhas solteiras no Executivo, Legislativo e Judiciário, fazendo cruzamentos das informações com a RAIS, o cadastro do INSS e o CNPJ, o TCU mandou revisar os benefícios de 19.520 pensionistas que estariam em desacordo com a lei.

 [1] Oficialmente a República da Finlândia, é um país nórdico situado na região da Fino-Escandinávia, no norte da Europa. Faz fronteira com a Suécia, com a Rússia,  Noruega  e a Estônia. Cerca de 5,3 milhões de pessoas vivem na Finlândia. A segunda língua oficial da Finlândia - o Sueco - é a língua nativa de 5,5 por cento da população.
O país foi classificado como o segundo mais "estável" do mundo, depois da Dinamarca, em uma pesquisa baseada em indicadores sociais, econômicos, políticos e militares. Seu desenvolvimento econômico foi rápido e o país atingiu um dos melhores níveis de renda e qualidade de vida do mundo já na década de 1970. Entre 1970 e 1990, a Finlândia construiu um Estado de bem-estar social.