segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Investimento Público em Educação



Experiências em cidades brasileiras mostram que professores e diretores escolares estão, aos poucos, aprendendo uns com os outros a melhorar a qualidade da educação. Falta o Ministério da Educação aprender a lição.
Leo Branco (jornalista da revista
Exame, na reportagem Quem copia melhora (17/08/2016)

Peças teatrais ou filmes com natureza tragicômica deixam o espectador sempre dividido, ao final da sessão, quase sempre preferindo o lado trágico do espetáculo porque machuca e dói. Só Freud explica. Faz verter lágrimas e as cenas serão, sem dúvida, as mais lembradas. O cômico, por incrível, não faz a memória registrar.
Guardada a relação, os assuntos e temas educacionais se assemelham ao engraçado porque raramente nos lembramos de ações e iniciativas que assumem um volume colossal, ao longo dos anos e das gestões administrativas dos governantes, mas, parece, surgiram para desaparecer. Não têm vida perene, ao contrário, são voláteis e desaparecem na espiral do silêncio.
É o caso da discussão de que a escola pública deve ser paga por aqueles que tenham condições, renda e poder econômico suficiente para ter o filho, por exemplo, cursando medicina, engenharia e tantas outras cujo custo é alto. A discussão do tema ainda não ganhou foros políticos com total propriedade porque todos sabemos o que está nas coxias desse palco. Em 2014 já se exteriorizavam manifestações como a de que não é possível dizer que as cotas são o melhor caminho para se reduzir disparidades sociais na educação superior do Brasil, nem está claro que a medida acabe com o problema. A afirmação consta no relatório Investing in Youth: Brazil (Investir na Juventude: Brasil), publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Conforme a entidade, no lugar de políticas afirmativas, o governo deveria considerar a cobrança de mensalidades, em universidades federais, daqueles que puderem pagar, mantendo a gratuidade para estudantes menos possibilitados.
Esta é a declaração mais contundente sobre cotas já feita pela organização, reconhecida mundialmente por gerar indicadores e pesquisas de mercado e educacionais de excelência, como o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês).
E é esse exatamente o foco atual, de se discutir o grau de investimento público na educação que perpassa, no meu entender, por dez condicionantes pétreas:
1-O corpo docente das escolas precisa ser mais bem preparado;
2-O corpo docente tem de ser mais bem remunerado;
3-Do corpo docente deve ser exigida uma educação continuada;
4-A Escola não pode deixar de ter biblioteca e atualizada;
5-Laboratórios são imprescindíveis;
6-O Estado tem de se preparar financeiramente para enfrentar o período integral;
7-A direção de todas as escolas só é possível mediante concurso, nunca por politicagem;
8-É irreversível no caminho para o futuro tecnologias, informatização, wi-fi, etc.;
9-Nenhuma escola sem quadra esportiva;
10-Imediata aplicação de novo currículo e metodologias e conteúdos anualmente atualizados.
Como ponto extra, de honra, o repensar das formações nas licenciaturas levando os discentes licenciandos para efetivas práticas educacionais, assistidas e avaliadas. Seja sob qual critério for – estágios, atividades complementares ou mesmo as práticas. Com a palavra a doutora Eunice Durhan.
O ensino médio nacional apresenta os maiores índices de evasão e de reprovação escolar. Em 2014, mais de 620 mil alunos abandonaram os estudos nessa etapa de ensino, segundo o Censo Escolar. É o triplo do registrado no ensino fundamental. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o ensino médio alcançou apenas 3,7 pontos, em uma escala de 0 a 10. Os dados escancaram a realidade de um ensino médio falido, incapaz de cumprir metas e de atender às necessidades de seus estudantes.
Poucos dias depois de o Ministério da Educação divulgar, com atraso, um desempenho decepcionante do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013, o relatório Panorama da Educação de 2014, da OCDE – o clube dos países ricos –, apresentado nesta terça-feira,16, em Paris, mostra que o investimento do Brasil no setor continua muito aquém do desejado. E bem distante da média das nações mais desenvolvidas. Segundo os dados da OCDE, o país é o penúltimo entre 35 pesquisados quanto ao investimento por aluno nos ensinos fundamental, médio e superior.
Ainda conforme o estudo, os valores nacionais são inferiores aos de países de renda semelhante, como Turquia (US$ 3.240), México (US$ 3.286) e Hungria (US$ 5.410), mas muito distantes da média de US$ 9.487 do conjunto de países que compõem a OCDE (organização da qual o Brasil não faz parte, mas é “parceiro”). No topo da tabela figuram nações como Suíça (U$ 16.090) e Estados Unidos (US$ 15.345).
O relatório da OCDE demonstra ainda os investimentos per capita por segmento da educação. E o resultado é desanimador. Quanto ao ensino médio, das 36 nações analisadas, por exemplo, o Brasil só ganha da Indonésia e da Colômbia em investimentos. Nosso valor, de US$ 2.605 por aluno, fica atrás dos de Argentina (US$ 3.184), Turquia (US$ 3.239) e México (US$ 4.034).
Temos o que aprender, e com pressa, e com efetividade, e com realidades que outros países já deglutiram. Há distorções gritantes, conforme o quadro adiante, do investimento por aluno em 2013, em dez estados brasileiros com números que atordoam qualquer analista. São números que guardam relativizações intrigantes as quais só podem ser explicadas pelos respectivos secretários de educação.
Estado
R$
Alunos
Escolas
Profs.Ativos
Distrito Federal
Santa Catarina
Amapá
Espírito Santo
Roraima
Sergipe
R.Grande do Sul
Piauí
MT do Sul
São Paulo
10.942,86
  6.829,52
  6.477,85
  6.242,08
  6.217,98
  6.044,69
  6.003,89
  5.853,29
  5.821,29
  5.778,19
   456.919
   541.766
   142.670
   270.743
     80.412
   188.430
1.014.342
   256.266
   257.675
4.198.200
   632
1.266
   409
   537
   381
   374
2.574
   765
   359
5.609
  18.887
  24.256
    6.601
  13.831
    4.015
    7.373
  49.265
  13.916
  10.653
170.449

Uma análise dos orçamentos das pastas estaduais de educação previstos para 2013 mostra a desigualdade brasileira. A diferença já se mostra nos números absolutos: os investimentos previstos vão de R$ 500 milhões em Roraima a R$ 24 bilhões em São Paulo. No cálculo aproximado de quanto é investido por aluno em cada estado, fica mais claro o que significam tais cifras. Quanto ao investimento relativo, ele inverte o quadro: Roraima, o menor orçamento, aparece na quinta colocação e investe, em média, R$ 6.217,98 por aluno da rede pública, enquanto São Paulo figura na 10ª posição, com um investimento médio de R$ 5.778,19 por estudante. O Distrito Federal ocupa o primeiro lugar investindo R$ 10.942,86 por aluno. Os estados que menos investem por aluno matriculado são o Amazonas (R$ 3.075,89) e a Bahia (R$ 3.366,39).
Convém salientar que investimento e desempenho não são necessariamente proporcionais. É o que mostra o cruzamento desses valores com as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011.
E não bastasse a escassez de recursos para o ensino básico, vem por aí péssima notícia quando pesquisa revela que mais pobres são maioria em universidades federais. As universidades públicas brasileiras devem passar por um intenso processo de precarização durante a gestão do presidente interino, Michel Temer (PMDB-SP). Na última semana, o Ministério da Educação (MEC), por meio do secretário de Educação Superior, Paulo Barone, anunciou cortes da ordem de 20% no repasse para universidades federais em 2017. Os valores serão incorporados no Projeto de Lei do Orçamento Anual (Ploa), que o Executivo deve enviar ao Congresso até o fim deste mês.
No site do Inep, nós nos deparamos com uma matemática complicada: “Os indicadores brasileiros de Investimentos Públicos em Educação (*) fornecem informações de cunho orçamentário e financeiro sobre a aplicação de recursos públicos em todos os níveis de ensino. Os índices financeiros educacionais, como o percentual do investimento em educação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o percentual do investimento em educação em relação ao Gasto Público Social (GPS), o percentual do investimento em educação por aluno em relação ao PIB per capita e o investimento público por aluno, são desagregados por níveis de ensino. O investimento de recursos públicos na área educacional compreende os valores financeiros brutos aplicados pelo setor público no atendimento de demandas educacionais, como no custo de bens e serviços – inclusive bens de capital – e nas transferências, excetuando-se a depreciação e a amortização dos investimentos em estoque. O conceito utilizado para a agregação corresponde à finalidade dos recursos alocados por área de atuação”. Deu para entender?
Toda essa ginástica matemática visando à melhoria da qualidade da educação, mas Priscila Cruz, diretora executiva do movimento Todos pela Educação rebate e denuncia o que todos sabemos: "O Brasil investe pouco e ainda tem poucos resultados diante do que é investido. Ainda temos um desafio enorme, não cumprimos nem a agenda do século passado, ainda temos crianças fora da escola e qualidade ruim (...). Visitando algumas escolas, fica-se horrorizado com a situação. Temos um descaso histórico com a educação e isso faz com que haja dívidas que o sistema tem que cobrir". Um absurdo.
Mas o Brasil é resiliente e tem ilhas de excelência, mesmo em escolas públicas, cujos resultados são pouco divulgados como explica Ricardo Paes de Barros, do Instituto Ayrton Senna: “Há muita inovação no ensino que não é replicada porque o MEC não sabe reproduzir histórias de sucesso”. Ele faz referência ao caso da cidade paulista de Novo Horizonte que ganhou os holofotes dentre os 5.570 municípios brasileiros depois de elevar seu índice no Ideb de 5 para 7,4.
O próprio MEC só esperava essa melhoria para 2021. Apesar disso, a receita sobre a excelência educacional da cidade não mereceu nenhuma linha nos sites e conteúdos produzidos pelo Ministério e, a depender dele, a experiência ficaria restrita aos novo-horizontinos.
A fórmula, porém, não é miraculosa nem tampouco exige investimentos estratosféricos (canal certo para corrupção no Brasil): a) não deixar nenhum aluno de fora do processo: quem vai mal é imediatamente convocado para aulas de reforço; b) monitoramento constante do desempenho de professores com discussão a respeito dos maus resultados em provas periódicas formuladas pela Secretaria de Ensino local; c) docentes mais experientes atuam como tutores, estabelecendo planos de ação com metas para superar os resultados adversos; d)professores com resultados acima da média viram consultores da rede; e) troca constante e colaborativa de dicas e técnicas para alcançar a excelência.
Quando o governo não toma as rédeas do processo, fica a cargo dos próprios gestores escolares, e da sociedade civil, espalhar e fazer frutificar os bons exemplos.
           O desajuste avança sobre todos os quadrantes, fortunas despendidas, ano a ano, e não conseguimos lograr nenhuma melhora. Ou os recursos são poucos ou são/estão muitíssimo mal-administrados. Ou seja, falta administração/gerência eficiente e eficaz.
           O que nos reserva, espernear, chorar, gritar, dar de ombros, pegar em armas, ir às praças públicas, cobrar políticos (vereadores, deputados, senadores), fazer passeatas ou movimentos revolucionários pela educação nacional? Ou insistir no conformismo colonial subjacente à cultura brasileira?
           Quanto à porcentagem do investimento público direto em educação, em relação ao Produto Interno Bruto, ainda não há um indicador principal que permita acompanhar de forma plenamente adequada o cumprimento da Meta 20. Isto ocorre porque não há dados disponíveis de investimento público em educação apurados de acordo com o instituído pelo Plano Nacional de Educação(PNE).​
“(*) Os indicadores de Investimentos Públicos em Educação têm como fonte estudos e pesquisas elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com a Subsecretaria de Planejamento e Orçamento (SPO) do Ministério da Educação (MEC), com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Além disso, utilizam-se como fontes de dados primários as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).” E agora, está tudo explicado ?


Ensinamentos Financeiros de Warren Buffett



Warren Buffett (85) figura entre as cinco pessoas mais ricas do mundo. Sua fortuna é estimada em cerca de 50 bilhões de dólares, 99% dos quais ele pretende deixar para instituições de caridade após sua morte. Levando em consideração que ele próprio construiu sua imensa fortuna, frequentemente o velho magnata faz sugestões a líderes mundiais. Portanto, vale a pena empregar alguns minutos lendo alguns dos seus conselhos.

Sobre reputação
Leva-se 20 anos construindo uma reputação e 5 minutos para destruí-la. Se você pensar nisso agirá de maneira diferente.
Sobre a sua Regra Básica:
Regra No.1: Nunca perca dinheiro. Regra No.2: Nunca esqueça da regra No.1. 
Sobre fontes de renda
Nunca conte apenas com um rendimento. Faça investimentos para criar fontes adicionais de renda.
Sobre gastos
Se você compra coisas que não precisa, logo terá que vender coisas das quais precisa.
Sobre poupança
Não poupe o que restou depois do que você gastou. Gaste o que sobrou depois que você separou a importância a ser poupada.
Sobre correr riscos
Jamais meça a profundidade de um rio com as duas pernas.
Sobre honestidade
Honestidade custa caro, não espere encontrá-la em pessoas mesquinhas.
Sobre herança
Um homem rico deve deixar aos seus filhos o suficiente para que eles possam fazer o que quiserem, mas não o suficiente para que não tenham que fazer nada.
Sobre ideias
Você faz coisas quando as oportunidades aparecem. Tive períodos na vida em que estava cheio de ideias, todas ao mesmo tempo, e tive longos períodos em que nada aparecia. Se eu tiver uma ideia na semana que vem, farei alguma coisa; caso contrário, não faço nada.
Sobre riqueza e distribuição de renda
Os ricos sempre dirão que a riqueza dos mais ricos acabará beneficiando os pobres. Algo como "nos deem mais dinheiro e nós gastaremos mais e no final, todo o mundo é beneficiado". Só que essa ideia não funciona há mais de 10 anos, e eu espero que as pessoas comecem logo a dar-se conta disso.
Sobre investir no futuro
Alguém está sentado à sombra hoje porque alguém plantou uma árvore há muito tempo.
Sobre hábitos
Os grilhões dos hábitos são leves para ser sentidos, até que se tornam pesados demais para serem rompidos.
Sobre tornar-se rico
Sempre soube que seria rico. Creio que jamais duvidei disso por um minuto que fosse.
Sobre aprender com os melhores
É melhor andar com pessoas melhores do que você. Escolha parceiros com comportamento melhor do que o seu e você se inclinará na direção deles.
Sobre preço e valor
Preço é o que você paga. Valor é o que você obtém.
Sobre impostos para os ricos
Impostos para as classes baixa e média, e talvez até mesmo para a classe média alta deveriam ser bem menores. Mas eu penso que as pessoas na outra ponta - como eu mesmo - deveriam estar pagando muito mais impostos. Vivemos no melhor dos mundos.
Sobre desafios
Eu não procuro saltar sobre barras de 2 metros de altura. Eu procuro por barras de 50 centímetros que eu possa cruzar com um passo.
Sobre ser rico
Entre os bilionários que eu conheci, notei que o dinheiro apenas realça as suas características básicas. Se eles eram canalhas antes de terem dinheiro, tornaram-se apenas canalhas com um bilhão de dólares.
Sobre os riscos
Os riscos vêm de não saber o que você está fazendo.
Sobre Wall Street
Wall Street é o único lugar onde pessoas vão de Rolls Royce receber conselhos de pessoas que usam o metrô.
Sobre como ele investe
Nunca tento fazer dinheiro no mercado de ações. Eu compro, assumindo que eles poderão fechar o mercado no dia seguinte e reabri-lo cinco anos depois.
Sobre retrospectiva
No mundo dos negócios, o espelho retrovisor é sempre mais nítido do que o para-brisas.
Sobre os esquemas de pirâmide
Somente quando a maré baixa é que você descobre quem é que estava nadando sem roupas.
Sobre aprender com a História
Se os fatos passados fossem tudo o que há para aprender nesse jogo, os bibliotecários seriam as pessoas mais ricas do mundo.
Sobre recuperação econômica
O remédio econômico que, anteriormente, era administrado em xícaras, está sendo servido em barris. Essas dosagens absurdas quase certamente trarão sérios efeitos colaterais negativos. Ninguém sabe exatamente a sua natureza, embora a consequência provável seja o retorno da inflação.

Fazemos muito pouco pela inovação educacional no país



Inovar é fundamental para acompanhar o
tempo e não ser devorado rápido por ele.    Jaime Leitão
[1]

Recentemente o Diário do Povo, de Curitiba, publicou excelente material contando com vários depoimentos de experts em inovação como André Vidal Perez, professor da FGV, Elenice Novak, diretora da agência de inovação da UFPR, Gilberto Branco, diretor da agência de inovação da UTFPR e Pammella Kawase, orientadora pedagógica do Sesi Internacional, também do Paraná. A autora do artigo Por que o ensino no Brasil forma pessoas pouco inovadoras?, Denise Drechsel, conseguiu reunir unanimidade que a situação no país está, sim, a exigir muita atenção, muitíssima, se não quisermos ficar mais para trás do que já estamos.
À medida que o tempo passa, vamos repetindo Sísifo subindo com uma pedra morro acima, que rolava morro abaixo para repetir a sina todos os dias. O motivo: mentiu.
Perdemos oportunidades atrás de oportunidades com os PNEs (Plano Nacional de Educação) e agora possivelmente deixaremos escapar pelos dedos a análise do Currículo Nacional.
Que os egressos do ensino básico (fundamental e médio, sobretudo) chegam às portas das universidades muito mal preparados para o enfrentamento das “dificuldades” universitárias, é situação sobejamente conhecida, discutida à exaustão e até aqui irreversível. Que digam os professores que recebem os calouros, em quaisquer cursos, cuja falência formativa se estende ao longo das graduações, sejam quais forem, em exatas, humanas e ciências.
Depois de passarem quase dez anos, para finalmente bater na porta do vestibular, poucos são aqueles que carregam algum estofo cultural, intelectual somado às condições de proatividade, iniciativas, aderências de criatividade e tantos outros atributos que permitiriam ao discente ter plena capacidade para evolução mais rápida e mais acertada no mundo globalizado.
Para a expressiva maioria (dos alunos e dos cursos, diga-se de passagem), basta acertar um mínimo de respostas, e é só o que interessa, para aprovação pois a meta é o ingresso, a qualquer custo. Nas federais e estaduais um pouco mais complicado, porém inclusive ajudados pelas cotas. Ou seja, adotam um teto baixo de conhecimento e de atuação na sociedade. Afinal, quando somados no percurso da educação básica, passaram vários meses sem aulas, por “n” motivos, justificando a precariedade de conhecimentos.
No tempo, que na universidade já é exíguo, a instituição ainda tem de assumir um papel que não é dela, porque precisa estruturar um sistema de “reforço” na tentativa de trazer o aluno um pouco mais perto do que ele verá ao longo do curso escolhido. E quanto a isso outro grande problema se afigura: até onde a “escolha” foi acertada? Prevaleceram facilidades de oportunidades no ingresso ou foi por efetivo desempenho seletivo?
Já na universidade, afora os desajustes de conhecimentos, não trilham o caminho do ensino de sucesso com propostas de empreendedorismo e inovação e assim vão claudicando, ano a ano, série a série para cumprir um currículo no mais das vezes desatualizado, anacrônico, sem as habilidades e competências tão desejadas e necessárias para o mercado de trabalho atual.
Afora a pouca ou nenhuma educação propiciada a esses jovens, alguns ainda caem na esparrela de cursinhos preparatórios que só bitolam e robotizam “ensinando” como sair das armadilhas, das pegadinhas do caderno de questões.
Quando se dão conta de que para sobreviver no mercado é preciso desenvolver habilidades diferentes sem as quais nunca alcançarão os postos desejados, é tarde e é passado. Perdeu-se tempo precioso da vida e do contexto sócio-econômico-cultural em que os egressos vão inserir-se.
Aqui, talvez, porque bate o desânimo e o desestímulo, atraindo o fracasso, esteja um real motivo de desistência e evasão, afinal, profissionais despreparados não transformam o país, que precisa de homens e mulheres não para dançar ao som de liras, mas para marchar ao rufar de tambores.
Quando não se estimula o jovem a ter uma postura proativa, o resultado é encontrar profissionais que só resolvem problemas quando é preciso ter capacidade, percepção e aplicar iniciativas para fazer melhor. Lamentavelmente isso não é comum no brasileiro, questão de cultura (?). Nosso mundialmente afamado “jeitinho” só conserta o problema que poderia ter sido detectado no nascedouro, se houvesse proatividade, e resolvido antes de instalar-se e exigir a “gambiarra”.
O interesse por inovação na educação superior foi despertado pelo contato recente com palestras, artigos, livros e projetos sobre o assunto, com diferentes conotações, a saber: utilizar novas tecnologias de informação e comunicação na prática docente; prover os alunos de computadores para suas anotações e trabalhos escolares; dispor de laboratórios de informática; substituir aulas expositivas por trabalhos em grupo; trabalhar com ensino a distância.
É preciso refletir sobre o ensino na universidade, mas claro, abordar também a educação básica, levantando algumas questões e visando contribuir para o debate atual sobre o tema, a partir do conceito de inovação na educação superior, entendida como o conjunto de alterações que afetam pontos-chave e eixos constitutivos da organização do ensino universitário provocadas por mudanças na sociedade ou por reflexões sobre concepções intrínsecas à missão da Educação Superior.
Vários autores laborando em Administração têm colocado a questão da inovação na pauta de debate atual sobre a crise das organizações sociais. Peter Drucker é incisivo ao afirmar que nos próximos 50 anos as escolas e as universidades sofrerão mudanças e inovações mais drásticas que nos seus últimos 300 de informação e comunicação, a informática e a telemática, a perspectiva da aprendizagem contínua, ou seja, da life long learning, têm criado novas demandas sociais, exigindo das organizações respostas inovadoras, uma vez que as soluções antigas já não se mostram suficientes e adequadas.
Por via de consequência, a inventividade e a criatividade estão ao alcance das mãos para resultar em novos paradigmas educacionais e de tal sorte que deve surgir um movimento nacional, espontâneo, dirigido à autonomia docente e discente abraçando o novo, único bastião de sustentabilidade para o futuro.

[1] Jaime Leitão é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Nau dos Insensatos[1]



Persistência é a irmã gêmea da excelência. Uma é a mãe
da qualidade, a outra é a mãe do tempo. Marabel Morgan

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Apropriei o título da maravilhosa obra de Katherine Anne Porter[2] que recomendo a leitura, e desnecessário explicar o porquê.

No Brasil, a exemplo da maioria dos países da América Latina, a sociedade civil se encontra num sério estado de debilidade no que se refere à sua capacidade de influenciar as políticas públicas. Observa-se um crescente distanciamento dos cidadãos da esfera pública e, em alguns casos, uma franca relação de hostilidade entre sociedade e Estado. Nesse cenário, pesquisas de opinião têm mostrado, recorrentemente, que o grau de confiança dos cidadãos na política e nos seus gestores públicos é mínimo.

Movimentos populares como os já deflagrados, embora aglutinem muitas pessoas, têm sido mais catárticos do que propriamente revolucionários: não resolvem, pois não têm lideranças reconhecidas. Talvez elas até nem existam, tal o grau de desarticulação da sociedade. Falta espírito público ao cidadão. Parece que ninguém está preocupado com o país senão consigo próprio, aquela história de solipsismo, do “que seria de mim se não fosse eu e meu umbigo”.

Mas a grande verdade é que o indivíduo faz parte de uma teia complexa que tece com seus semelhantes. Nessa trama, a educação desempenha papel fundamental. Mas a educação que pode atender às demandas atuais é uma educação que implica respeito a si mesmo, ao outro e ao ambiente. Um tipo de educação que, além de contemplar o saber acumulado pela humanidade, incorpore tecnologias, permeadas por valores e ética, espírito crítico, colaboração, criatividade, inovação, empreendedorismo. Trata-se de uma educação para a cidadania, preocupada em preparar indivíduos comprometidos com o seu futuro e o da sociedade em que vivem.

Uma educação que empodere indivíduos para que possam entender-se a si próprios em relação ao contexto no qual vivem, entender esse contexto e entender como esse contexto funciona para que possam saber escolher com descortino quem vai representá-los com integridade, assegurando uma real e profícua transformação da sociedade.
Quando a escola ensinar cidadania vai ser tão bom... E não há outro lugar onde se aprender isso. Por quê? Que escola pode dar certo quando a sociedade claudica porque lhe falta certeza, vacila e hesita com erros e deslizes, das pequenas às grandes falhas estruturais, desaguando em imperfeições de toda ordem?


Assim, ao fazermos que não identificamos essas falhas mais do que assumimos os erros, pois eles atravessam décadas, espancando o infortúnio da mesmice sempre deixando/levando a culpa aos ombros de alguém. Melhor dizendo, de governantes nos três escalões que insistem em jogar a culpa no antecessor, na iniciativa privada, na falta de verba, etc. Da merenda ao uniforme, passando pelo material escolar, salários e propostas curriculares/conteudísticas.

É impensável sequer assemelhar a trajetória educacional de nossa juventude às melhores do planeta daí porque estarmos sujeitos à desclassificação em rankings ainda que esforços enormes sejam alocados sem sucesso. E assim continuará sendo.

Padecemos, senão de todos, de muitos males de toda a incúria despejada sobre a educação, e não é de hoje, ao contrário, vem de séculos de mentiras e enganos, de subterfúgios à  mais declarada infâmia com essa coisa de “pátria educadora”, ardilosa, dissimuladamente odiosa que quer acobertar desvios e iludir.

Vivemos hoje algumas encruzilhadas educacionais pois sabida e certamente não teremos condições de concluir a contento o Plano Nacional de Educação. Vamos ficar “devendo na caderneta do empório”.
A questão do currículo nacional, com mais certeza é um vôo que vai se estatelar no chão sem condições de cumprimentos pois não há gente preparada para assumir em sala de aula os conteúdos ora propostos, se é que já estão definidos, a toque de caixa e cornetas.
No aspecto/questão salarial dos docentes, nem é bom falar sobre pois prefeituras existem que não querem nem ouvir sobre o assunto porque não têm a mínima condição de aplicar em seus lócus.
A formação e preparação de docentes via licenciaturas e pedagogia vão muito mal, obrigado, em suas mesmices e ranços.
Sai Ministro, entra Ministro e a dança das cadeiras continua como num baile junino, entre espoletas, bombinhas, rojões e busca-pés, tudo sob o adocicado da canjica, revoga portaria e demais normas convulsionando ainda mais o setor que já estava em pé de guerra com a entrada em vigor dessas mesmas normas.
O Fies dá o grito ruidoso dos moribundos em agonia  para estudantes e instituições: salve-se quem puder.
      Lá se vai o barquinho, rio abaixo, repleto de insensatez, total falta de juízo para assunto tão delicado. Uma loucura resultante da falta de bom senso, de ponderação; imprudência.


[1] A nau dos Insensatos é um microcosmos no qual estão representados todos os grupos sociais e categorias humanas: artistas, fracassados incapazes de perdoar seu próprio fracasso, atormentados por não haver defendido o que queriam, pessoas sem moral, otimistas, vaidosos, valentes, etc.

[2] Katherine Anne Porter (15/5/1890 - 18/9/1980) jornalista, ensaísta, romancista e ativista política estadunidense, galardoada com o Prémio Pulitzer de Ficção. Conhecida por sua agudeza de espírito, suas obras lidam com temas sombrios tais como traição, morte e a origem do mal humano.