segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Brasil uma potência paralímpica



O mundo é para quem se atreve.

Propaganda das Paralimpíadas  -  Rio 2016


Novamente brilhamos na abertura dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira, 7 de Setembro, e com isso, quem dera pudéssemos comemorar duas efemérides com dois bravos gritos de independência.
A abertura dos Jogos Paralímpicos 2016, no Rio de Janeiro foi, para mim, muito mais emocionante do que a da Olimpíada Rio 2016: houve um show de criatividade, tecnologia e de momentos imprevisíveis, mas que só adicionaram brilho, emoção e lição para todos nós, que nos consideramos “normais”.
Em um deles, a ex-paratleta Márcia Malsar, que sofre com paralisia cerebral, quando perdeu o equilíbrio enquanto carregava a tocha olímpica e caiu. Com a força de uma campeã dentro e fora das pistas, recusou qualquer ajuda, levantou-se e foi aplaudida de pé pelo Maracanã tão cheio de gente quanto na Olimpíada, abraçando em carinho e respeito os 4,3 mil atletas que desfilaram sob aplausos e chuva. Exemplo de resiliência, Márcia entregou a chama para a ex-velocista Ádria dos Santos, que tem seis participações em Jogos Paralímpicos, 537 medalhas conquistadas no Brasil e outras 70 internacionais. Ádria, então passou a tocha ao último condutor, Clodoaldo Silva, dono de 13 medalhas, sendo seis de ouro. Ao receber a chama, o nadador seguiu rumo à pira, mas se deparou com uma enorme e – para ele, cadeirante – intransponível escada. Nesse momento, a escada se abriu transformando-se em uma rampa de acesso e emocionando o público.
A intenção do Comitê Paralímpico foi justamente causar um momento de reflexão nos espectadores sobre a importância e a necessidade de um mundo desenhado para todos, de uma sociedade realmente igualitária. Esse milagre tecnológico, segundo o site hypeness, é ideia do designer Chan Wen Jie. Seu projeto, Convertible, consiste em um lance de escadas funcionais que se transforma em rampa para cadeirantes, bastando para isso apertar uma alavanca – um conceito user-friendly essencial para quem tem dificuldades de mobilidade.
Apesar do baixo orçamento, a abertura dos Jogos Paralímpicos primou por soluções criativas e sofisticadas. mudar o olhar, acolher a diversidade e conviver sem excluir. Com um espetáculo mutissensorial, a abertura da paralimpíada propiciou à plateia vivenciar a realidade dos atletas paralímpicos, pois instigou o público a usar os sentidos, transmitindo a mensagem para a população mudar a percepção em relação à pessoa com deficiência.
E a pessoa com deficiência esteve presente desde a concepção do espetáculo – a cerimônia foi idealizada pelo escritor, dramaturgo e cadeirante Marcelo Rubens Paiva, pelo design Fred Gelli, sócio da criativa e colaborativa Tátil design de ideias, e pelo artista plástico Vik Muniz, artista plástico brasileiro fotógrafo e pintor, conhecido por usar materiais inusitados em suas obras, como lixo, açúcar e chocolate – à execução do nosso Hino Nacional por João Carlos Martins, de 76 anos, pianista portador de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) nas mãos e que já fez 22 cirurgias para amenizar o problema, ao belo espetáculo protagonizado por Amy Purdy, atleta de snowboard, e Kuka, o braço automotivo, ao impecável pas de deux dos dois dançarinos cegos, à loira atleta americana que rebolou com categoria sobre duas próteses, ao impressionante salto de um cadeirante sobre uma rampa em alta velocidade, à projeção do nadador e maior medalhista brasileiro em Paralimpíadas, Daniel Dias, atravessando o gramado com suas braçadas, à chegada dos protagonistas do acontecimento: os para-atletas, enquanto os nomes das delegações eram exibidos em um quebra-cabeças, muito original, transformado em um coração pulsante – em referência ao conceito central da cerimônia, resumido nas frases "O coração não conhece limites", em português, e"Everybody has a heart".
O Maracanã se curvou aos atletas que vencem suas deficiências e aprendeu a entender melhor o que virá pela frente nas competições.
Pena que, enquanto essa maravilha de criatividade, superação, perseverança e lição de vida acontecia, os telespectadores brasileiros continuavam alheios a ela, assistindo à programação normal das emissoras, com seu mundo-cão e novelas... Atleta paralímpico, ainda, não vende tênis, camiseta, desodorante e shampoo.
Neste ano, o Brasil, que espera ficar em quinto lugar ao final das competições, terá a maior delegação da história em Jogos Paralímpicos: serão 279 atletas, sendo 181 homens e 98 mulheres. Ao todo, 44 atletas de 11 modalidades já subiram ao pódio em paralimpíadas anteriores. Na de Londres, ficamos em sétimo lugar com 43 medalhas no total (21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze). No ano passado, nos jogos Parapan-Americanos de Toronto, o Brasil ficou em primeiro lugar no quadro de medalhas, com 257 no total, sendo 109 de ouro, 74 de prata e 74 de bronze.
O que se percebe é que, desde 1960, quando 400 atletas disputaram em Roma os primeiros – e oficiosos – Jogos Paralímpicos, o campo paradesportivo caminhou do amadorismo abnegado para o profissionalismo. A percepção da mídia, no entanto, apesar de, cada vez mais, tentar eliminar o processo de estereotipagem, reforça a visão que considera a pessoa com deficiência como um problema clínico, tratável, e que, ao ser superado, rende-lhe, então, o mito de herói.
Representantes do Comitê Paralímpico Internacional (CPI) destacam a importância da adoção do esporte como forma de criar sociedades que valorizam a diversidade e a inclusão. Em sessão desse Comitê, a aprovação do certame das paralimpíadas mostra o poder do esporte de unir indivíduos, independentemente da sua condição física e mental, idade, raça, religião, habilidade, orientação sexual ou identidade de gênero.
O que vai ficar destes Jogos Paralímpicos Rio 2016 é uma grande dose de esperança, sem dúvida. Esperança de haver um tratamento inclusivo às pessoas com deficiência. Esperança de que, apesar de todas as adversidades, é bom que as pessoas com deficiência se dediquem ao desporto, e que queiram competir e obter resultados. Esperança de que nossa mídia, responsável pela construção da imagem desses atletas, melhore nosso conhecimento dessa parcela de pessoas e contribua para a mudança de paradigmas sociais em relação às pessoas com deficiência, porque é ela, a mídia, que vai promover a discussão do tema, visando a uma mudança de atitude da população, além de levar-lhe informação capaz de criar e transformar as normas comportamentais para que as pessoas com deficiência vivam uma vida plena, no sentido de participação na sociedade.
Entendo também os Jogos Paralímpicos como um recado provocativo aos jovens universitários brasileiros. Cadê a Mac-Med, a Pauli-Poli[1], dos anos 60 em São Paulo (só para citar as mais conhecidas)? Cadê a realização de torneios e disputas como antes se via, com grandes duelos entre as principais universidades do país? Com o olho na vontade e obstinação férrea desses jovens com deficiência, o que se deve esperar dos bem dotados?
As IES brasileiras poderiam espelhar-se nos números financeiros (só para abordar um dos ângulos da questão) das universidades norte-americanas e incentivar o esporte entre seus alunos: o esporte universitário nos Estados Unidos cresceu a tal ponto que a NCAA, entidade que dita regras e organiza competições, faturou US$ 913 milhões no ano fiscal de 2013 (R$ 2,1 bilhões), segundo reportagem do Globo Esporte.
Universidades americanas são a base do esporte nos Estados Unidos. É delas que saem atletas que disputam – e quase sempre vencem – Jogos Olímpicos e ligas profissionais como NFL (futebol americano), NBA (basquete), MLB (beisebol) e NHL (hóquei).
Segundo o antigo lema Mens sana in corpore sano, o esporte é essencial para a formação do indivíduo, numa prática que alia momentos de aprendizagem, lazer e saúde, numa abordagem integrativa e lúdica, de forma que o esporte não seja apenas um elemento de desempenho, mas também de desenvolvimento humano.
Que o legado destas paralimpíadas não sejam só de infraestrutura, mas sobretudo de mudança de mentalidade. Precisamos dar asas à nossa imaginação e à criatividade, assim como fizeram milhares de pessoas com deficiência. Elas venceram seus medos, não se renderam à autopiedade e são uma lição de vida para todos nós.
Para finalizar, fico com o grito de Vera Garcia[2]: “Qualquer tipo de deficiência física, seja ela por nascença, por acidente ou mesmo por doença, tem sua especificidade e singularidade. De uma maneira ou de outra a deficiência física acaba limitando o nosso corpo. No entanto, precisamos acreditar em nossa capacidade, habilidade e competência”.
[1] Mac-Med, nome dado aos jogos entre estudantes da hoje Universidade Mackenzie e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Pauli-Poli, disputas entre alunos da então Escola Paulista de Medicina e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
[2]Vera Garcia é paulista, pedagoga e blogueira e amputada do membro superior direito devido a um acidente na infância. http://www.deficienteciente.com.br/5-historias-de-superacao-incriveis.html

Abandonando o lugar-comum



“Não se pode resolver os problemas utilizando o mesmo
tipo de pensamento que usamos quando os criamos.”
                                                                 Albert Einstein

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com
Dia desses fiz rápida leitura sobre os textos deixados neste blog, em 2015, para confirmar os conteúdos aqui alocados ao longo do ano. e foi gratificante conferir o nível das colaborações que se apresentaram. Como de praxe, algumas suscitavam leitura demorada e aprofundada, outras exigiam ser arquivadas para posterior avaliação. Inequivocamente todas conduzindo a reflexões preocupantes, sobretudo as que abordavam o uso de novas tecnologias de informação e comunicação(TICs) no ensino superior, pois tratavam de práticas educacionais que têm modificado substancialmente os paradigmas da educação, presencial ou  a distância.
A utilização das mídias digitais e da Internet propiciou o desenvolvimento não só da educação a distância, mas também de um modelo pedagógico mais interativo e colaborativo, permitindo modos de interação. Contudo, observa-se que não há um consenso em torno da viabilidade, da aplicabilidade efetiva com o uso de novas práticas educacionais.. Há muita timidez ou receios dos operadores da educação em aceitar, homologar, definir e decidir por medidas e iniciativas que considerem sua adoção. Melhor dizendo, a teoria pode estar amedrontando diretores e coordenadores como bichos-de-sete-cabeças, que exigem na implementação e à prática profissionais que deem cabo da tarefa, muitos deles, ainda, escravos da resistência e da mesmice.
Há referências a processos inclusive colocando teóricos em confronto com as realidades de mercado, mais exacerbadas junto às PMIES (Pequenas e Médias Instituições de Ensino Superior), maioria absoluta no país, que provocam tanta preocupação quando o assunto é qualidade desejada ou possível.
O desenvolvimento de novas TICs modificou o modo de organização das sociedades. A digitalização, o armazenamento e a transmissão de informações tornaram-se possíveis com as inovações na microeletrônica e na computação. Assim, o século XXI vivencia mudanças consideráveis na infra-estrutura de diversos setores sociais, como na economia e na difusão da cultura. Na educação – e especificamente no âmbito do ensino superior –, não é diferente.
O que parece ainda não ter ficado absolutamente claro e evidente é que não há como voltar atrás, ao contrário, a escola do século XXI precisa inexoravelmente andar para frente. O caminho não tem volta. É a típica viagem com passagem só de ida e para muitos pode ocorrer que não consigam pegar o último voo, o último ônibus, preferindo a última carruagem.
Hoje, existem milhares de textos tratando do assunto novas tecnologias de modo que ninguém pode se furtar a tais conteúdos e práticas. Não pode haver desdém ou desinteresse por projetos, histórias e análises sobre as mudanças nos parâmetros de aprendizagem.
Gestores, pais interessados em conhecer o perfil e a dinâmica das IES inovadoras, estudantes que buscam informações sobre a identidade acadêmica das IES, professores engajados em conhecer as mudanças que estão acontecendo e que estão por vir, legisladores da área de educação, todos são atores responsáveis por avanços e melhorias nos modelos educacionais. Não se pode, hoje, por falta de coragem e audácia, pelo medo de errar, deixar de inovar. Mas a necessidade de as IES responderem a contento as exigências do CPCs, por exemplo, tem adiado a entrada no século XXI. Assim, vai se claudicando pelo caminho..
Para o prof. Fábio José Garcia dos Reis, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), professor e diretor da Unidade Lorena do Centro Unisal, “há uma falta de sintonia entre os parâmetros da inovação acadêmica e a legislação educacional. A legislação engessada, elaborada por pessoas que, em muitos casos, não conhecem as tendências do ensino superior, é um empecilho para o avanço da inovação. Em casos de sistemas educacionais burocráticos, os gestores encontram dificuldades para implementar processos de inovação que apresentam bons resultados de engajamento e de aprendizagem, nos sistemas educacionais dinâmicos”.
Fazendo coro a essa constatação, Priscila Simões, doutora em Educomunicação pela USP, diz, em entrevista ao blog EXAME Brasil no Mundo: “A meu ver o MEC, com seu aparato regulatório, não está conseguindo induzir um processo de aumento de qualidade nas instituições de ensino superior. Precisaríamos ter mais flexibilidade e diversidade para atender às demandas em termos de formação de um país grande e diverso como o Brasil, mas o MEC induz a todos fazerem o mesmo da mesma forma. E frequentemente as instituições de ensino ficam mais preocupadas em atender às demandas regulatórias impostas pelo Ministério da Educação do que em discutir efetivamente a qualidade de seus cursos, professores e dos profissionais que estão formando”.
A grande preocupação, hoje, é que as IES mais burocráticas percam o timing da mudança (inclusive do seu modelo de gestão), a capacidade de discutir inovação e de introduzir novas formas de organizar o processo de ensino-aprendizagem.
As sintonizadas com a inovação estão produzindo material didático com assuntos que podem servir para um componente curricular (uma disciplina) ou para a discussão de determinado tema (customização da demanda), estão na busca de programas online de educação que melhoram a qualidade da oferta acadêmica, estão preparando ofertas de ensino híbrido com foco na aprendizagem ativa, estão oferecendo programas que orientam a vida acadêmica e profissional dos estudantes (coaching para o sucesso do aluno), estão utilizando e criando plataformas adaptativas de aprendizagem e investindo em plataformas de cursos no modelo moocs. Transitar por esses modelos é abraçar o novo, e as IES rapidamente perceberam que precisam mover-se em direção aos processos de inovação.
A tecnologia é (e cada vez mais será) uma aliada do processo de aprendizagem. Através das plataformas de aprendizagem, é possível fazer a gestão do aprendizado dos estudantes. O conceito de currículo, de avaliação, de espaço de aprendizagem mudará de forma significativa. Portanto, é preciso ir além das ideologias e das normas do MEC. A experiência do aprendizado não é mais controlada pelo professor, que ainda em muitos casos, pode viver a nostalgia do passado, atrasando de certa forma o processo de inovação. Ou pior, interrompendo-o ou sepultando-o.
O papel das IES que atuam nos novos campos da educação é apresentar para os agentes reguladores e para os avaliadores de instituição e de cursos que a inovação quebra paradigmas, mas de forma alguma representa perda de qualidade. Pelo contrário, a inovação promove ganhos reais na dinâmica administrativa e acadêmica das IES.
O que está em discussão não é a formação de cidadãos, o papel relevante das IES para a sociedade na produção de conhecimento e na contribuição com o desenvolvimento nacional. Esses são temas internalizados na cultura das IES. O que se deve discutir são modelos ideológicos, corporativistas e burocráticos de IES, que estão pouco alinhados com as novas perspectivas econômicas, sociais, culturais e tecnológicas da sociedade.
O desafio da inovação requer tempo, investimento financeiro e na formação de pessoas, além de capacidade de fazer a gestão da mudança cultural. É preciso ter coragem, atitude empreendedora, conhecimento, recursos financeiros, pessoas e capacidade de gestão para enfrentar o desafio de iniciar um projeto com tal escopo.
Debaixo de muitos ônus, iniciativas e sobretudo muito boa vontade para deixar o velho teremos de aprender a repensar os nossos modelos de ensino e aprendizagem, teremos de intensificar o uso da tecnologia, que será a nossa grande aliada, teremos de repensar o papel do professor e dos estudantes, os espaços de aprendizagem e a organização dos sistemas de ensino superior.
É possível identificar inovações na educação no tocante à produção de materiais didáticos, como é o caso dos ambientes virtuais de aprendizagem, e com relação às propostas metodológicas de ensino-aprendizagem, as quais enfatizam a possibilidade de autonomia e independência dos estudantes, potencializada pelas novas tecnologias de informação e comunicação.
O tema inovação, quando abordado em instituições do ensino superior, gera diferentes reações do mundo universitário., Há os que se manifestam a partir das inovações tecnológicas implantadas, outros que consideram a inovação a partir de políticas que buscam ampliar a participação de jovens na universidade, discutindo a relação “massificação versus elitização”, e outros que ainda entendem por inovação os processos de globalização e internacionalização das universidades brasileiras.
Vivemos um momento de profundas transformações, e a bandeira da educação deve ser a de mais relevo. A falta de projetos efetivos e o descaso de investimentos e práticas na educação trazem graves reflexos para a nação.
O Brasil perde todos os anos posições importantes quando se fala em competitividade e inovação. Boa parte dos problemas está na vontade política, mas também na distância que as universidades de uma forma geral têm em relação ao processo inovador, e na construção de modalidades de ensino inovadoras para práticas mais concretas de desenvolvimento econômico para o país.
Com a crescente demanda educacional brasileira, e principalmente na grande necessidade de mão de obra qualificada, as universidades brasileiras precisam de uma nova postura, principalmente em programas inovadores e conectados com o mercado.
Temos de abandonar definitivamente os lugares-comuns, girando em torno do mesmo eixo imantados por força centrípeta.

O que vem primeiro, Inovação ou Criatividade?



Se for pensar que hoje estou formando um aluno para ter emprego daqui a 20 anos, eu não posso formar para profissões que já existem, porque elas estão desaparecendo. O que vai sobrar? Só o que depende de criatividade e pensamento crítico. Cesar Augusto Amaral Nunes (especialista em avaliação de criatividade)
O título deste artigo foi calcado no aforismo picante: o que veio primeiro o ovo ou a galinha ?
A segunda revolução, de 1870, nos trouxe a divisão do trabalho, a eletricidade e a produção em massa. A terceira, de 1969, carregou forte nas tintas levando o homem para os eletrônicos com a tecnologia da informação e produção automatizada com destaque para os voos espaciais. A quarta revolução, que vivemos atualmente, na opinião de Klaus Schwab, chairman do Fórum Mundial de Davos, une mudanças socioeconômicas e demográficas e terá impactos mundiais nos modelos e formas de fazer negócios e no mercado de trabalho. “As mudanças são tão profundas que, da perspectiva da história humana, nunca houve um tempo de maior promessa ou potencial perigo”, afirmou.
O mercado de trabalho será afetado dramaticamente, mas a grande ameaça aos empregos não está mais na indústria, como nas revoluções passadas, os softwares inteligentes estão chegando ao setor de serviços. Hoje eles são capazes de dirigir veículos, atender clientes em serviços de telemarketing, preencher formulários de Imposto de renda, etc.
Em 1993, a IBM marchava rapidamente para a falência, com um prejuízo previsto de 16 bilhões de dólares e a ameaça de ser retalhada num conjunto de empresas menores. Usando de empatia, isto é, ouvindo seu cliente, colocando-se no seu lugar (uma das etapas do design thinking), logo percebeu que era hora de mudar.
Nossa prática de estratégia e mudança combina estratégia de negócios e questões tecnológicas para auxiliar as organizações no desenvolvimento, alinhamento e implementação de suas visões de negócio com objetivos de inovação e crescimento”, diz a empresa no relatório Fazendo a mudança acontecer (file:///C:/Users/USER/Downloads/fazendo_a_mudanca_acontecer.pdf). A IBM desenvolveu o Watson [1], seu supercomputador cognitivo, que veio para ajudar em vários setores, pois é projetado para entender, raciocinar e aprender. Tendo chegado ao Brasil no ano passado, o Watson está quase fluente no português e está ficando tão habituado à nossa língua, que seus serviços foram utilizados pelo banco Bradesco neste primeiro semestre de 2016, na função de atendimento aos clientes.
É inevitável que a cada habilidade aprendida pelos computadores, milhões de empregos tenderão a desaparecer. A tecnologia, ao longo do tempo, vai reduzir os postos de trabalho que demandam menos habilidades, como exatamente são os operadores de telemarketing. Foi assim nas linhas de produção robotizadas, nas funções de datilografia e de ascensorista, por exemplo.
À medida que os avanços nas tecnologias de machine learning e robótica avançarem, será inevitável a substituição de funções ocupadas por humanos hoje. Ocupações que envolvam tarefas e procedimento bem definidos poderão ser substituídas por algoritmos sofisticados. Como o custo da computação cai consistentemente ano a ano, torna-se atrativo economicamente a substituição de pessoas por máquinas.
A quarta revolução industrial afetará de forma dramática o mercado de trabalho. Claro que novos empregos serão criados, mas exigirão conhecimentos muito especializados e altos níveis de educação. Novas carreiras e funções, que ainda não conhecemos, serão criadas.
A mudança de paradigmas no século XXI exige, com base no conhecimento intangível, gerar novos conhecimentos que, convertidos em processos, produtos e serviços, garantam crescimento econômico e desenvolvimento social responsável. Assim, o conhecimento ganha um lugar de destaque na economia e nas sociedades. A economia do conhecimento caracteriza-se por um papel crescente da produção, da difusão e da utilização dos saberes (o capital intangível, imaterial) na competitividade das empresas e das nações. Essa economia requer ensinar aos futuros cidadãos um conjunto renovado de competências: competências genéricas de aprendizado, competências de criação e inovação e competências de colaboração.
A criatividade é parte de um processo subjetivo e que implica incluir e fazer dialogar as dimensões social, cultural e histórica dos indivíduos. O que, felizmente, até agora, nenhum robô consegue fazer. Para formar cidadãos do século XXI, a escola deve formar alunos capazes de aprender a triar, a selecionar grandes quantidades de informação, de analisá-las criticamente, a fim de utilizá-las para resolver criativamente problemas complexos em cooperação com seus pares e, por fim, mas não menos importante, ser capazes de comunicar os resultados de maneira articulada e pertinente. E tudo isso ao longo da vida.
Nesse contexto, emerge a demanda de um novo currículo educacional, que abandone a memorização de fatos e fórmulas para focar mais em criatividade e comunicação. A capacidade de ver as coisas de um ponto de vista novo é fundamental para o processo criativo, e essa capacidade repousa na vontade de questionar toda e qualquer premissa. Por isso, há a necessidade de passar de uma docência baseada no ensino para outra baseada no aluno, na aprendizagem, em que os docentes tenham dupla competência: a científica e a pedagógica. Nesse contexto, a formação continuada, numa dimensão para além da construção da racionalidade humana, inclui a dimensão da subjetividade e da criatividade.
A educação tem como fim integrar o homem, torná-lo sensível para enfrentar os desafios da vida e seus complexos ditames. Torná-lo inteligente não em um nível circunscrito, mas, sim, em todos os níveis criativamente e num processo cumulativo e cooperativo, pois a criatividade humana não é uma missão solitária.
Ser criativo é uma possibilidade real e acessível a todos ou é um dom pessoal? Ao longo dos últimos 30 anos, pesquisas revolucionárias nos campos da física e da biologia vêm revelando que a criatividade é mais do que um fenômeno humano; é um padrão extraordinário. Portanto, é perfeitamente possível a toda e qualquer pessoa exercitá-la.

À luz de uma  nova ciência, o físico indiano Amit Goswami demonstra claramente de onde vêm as ideias criativas, como elas se manifestam, qual a origem de nossas motivações e como podemos ampliar nossa propensão para a criatividade. Ele dá ao público leigo, um verdadeiro manual que integra ciência e criatividade, explicando o papel fundamental da intuição, do livre-arbítrio e das inúmeras possibilidades de escolhas criativas no desenvolvimento humano, apontando caminhos para que tenhamos uma vida mais íntegra e plena.
A questão que se coloca é a materialização, a solução de provocações interiores porque a Inovação é multifacetada. A inovação é especifica para algum setor, produto ou serviço. Por exemplo, pode-se ter Inovação em ensino, em sala de aula, em corpo docente, em tecnologia educacional e até inovação em arquitetura escolar. O que ninguém fala é que a base de qualquer inovação é a criatividade, porque ninguém inova se não tiver mente criativa. E mente criativa se adquire com metodologia e treinamento.
Lamentavelmente a inovação não ocorre com tanta frequência em nosso meio universitário. Se o segmento particular quiser ocupar algum lugar de destaque terá sim que promover inovação, através de parcerias, união de esforços e procurar empresas para dialogar, ver o que precisam e de que forma cada Instituição pode pesquisar para resolver os problemas. Ai mora o feeling da pesquisa, do criar, do imaginar do idealizar. É muito suor que produz resultados.
Mas, afinal, de onde vem a motivação, como podemos aprender e ampliar a nossa propensão para a criatividade e adotá-la como centro alegre da vida?
A criatividade requer consciência como entidade causal, livre-arbítrio e liberdade de escolha. Ela requer a capacidade de processar significado, envolve emoções e tudo começa com a intuição. Ou seja, a criatividade humana requer uma visão de mundo na qual a consciência seja dotada de potência causal e na qual não só nossas experiências físicas, mas também as do pensamento, de sentimento e intuição são validadas. Melhor explicando, um debate permanente entre os seguidores de uma consciência causalmente potente (os idealistas) e os do materialismo científico (materialistas ou realistas).
Em tese somos todos seres potencialmente criativos mas a imaginação antecede ao pensador virtual, a quem a visão não engana, que tem a tendência  de avaliar o seu redor com base no que vê, às vezes se assumindo uma pessoa intuitiva. Tal atributo forma compreensão sobre 'o que é isso' e 'o que isso poderia ser' usando a imaginação. O portador dessa qualidade é dono de uma combinação perfeita, porque continua sendo imaginativo, mas não se afasta da realidade, formas preferidas de interpretar o mundo. Daqui à inovação é preciso praticar os modos de ser criativo, aplicando a criatividade para resolver problemas de um novo paradigma, que seja o interesse e satisfaça o potencial criativo, contribuindo para a evolução da consciência.
A criatividade é o centro da vida, razão porque aparece associada à ansiedade e ao êxtase.
Mas, em que consiste o processo criativo ? A resposta foi dada pelo pesquisador da criatividade Graham Wallas que sugeriu que os atos criativos envolvem quatro estágios: preparação, incubação, iluminação e manifestação.
Conforme ele, a preparação começa com uma intuição, um sentimento vago sobre um possível problema e/ou uma possível solução. É o manifesto desejo de inovar, valendo-se da intuição.

Checklist [*]



À medida que vamos dando mais importância e desenvolvendo mais interesse no universo da criatividade humana, por lógico, vem crescendo bastante a bibliografia sobre o assunto, e já encontramos boas leituras não só para os iniciantes, mas também para os que dominam o assunto e correm atrás de aperfeiçoar o conceito associadamente à ideação e à inovação.

O que ainda falta falar ou escrever é sobre quanto, como e desde quando, no Brasil, a ausência dessa preocupação sistematizada vem prejudicando as diversas gerações, salvo para os que criaram interesse e, portanto, procuraram pelo autodidatismo.
Fosse possível fazer uma pesquisa adotando-se um checklist para saber no que e como as autoridades governamentais erraram, negligenciaram na educação por décadas, as respostas já evidenciariam aquilo nas mesmas décadas, em outros países: a evolução com o agregado do estudo e aplicação exponencial da criatividade. Tivéssemos feito isso, poderíamos ter colocado o país em outros patamares sociais, culturais, econômicos, etc.

Será que a carência desse conhecimento não tem intimidade com a insuficiência de aprenduizados na escola, inclusive até mesmo a justificar os baixos IDHs nacionais, a baixa performance em certames internacionais como o PISA?

O ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, quando no MEC, escolheu a socióloga Helena Singer para ser a ponte entre o MEC e o universo das experiências inovadoras em educação. “A ideia é buscar que tipo de inovação deve se tornar referência, mapear o que é preciso multiplicar e fortalecer mutuamente os projetos pelo contato entre eles”, explica Helena, que avisa: pretende dar visibilidade a projetos radicais.
“A inovação parcial, incremental, vem ganhando força, mas quero falar de experiências que radicalizem a forma de organizar o tempo, que trabalhem o espaço de modo totalmente diferente – como a de escolas que não estruturam mais o currículo em cima de aulas convencionais de 50 minutos nem usam carteiras enfileiradas de frente para a lousa”, diz a socióloga. “A estrutura fechada de tempo-espaço ainda é o padrão usado pela maioria das escolas, públicas e privadas. As pessoas sabem que isso não funciona, mas não conhecem outras formas de fazer.”

Infelizmente Janine Ribeiro teve uma passagem meteórica pelo MEC, mas soube-se por primeiros levantamentos que existiam perto de 178 escolas do ensino básico que já adotavam algum tipo de inovação e criatividade.

Não sem razão, a dificuldade de adotar soluções inovadoras em massa num país com 49,8 milhões de matriculados da creche ao ensino médio, dos quais 40 milhões estudam na rede pública, é tarefa das mais hercúleas, que sem financiamento não saem do papel e vão com o vento numa primeira lufada.

Um grande otimismo, tipo “agora a coisa vai” tomou conta dos operadores da educação quando Janine Ribeiro baixou a Portaria 751, de 21 de julho de 2015,
Instituindo o Grupo de Trabalho responsável pela orientação e pelo acompanhamento da iniciativa para Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC, tendo à frente Helena Singer.
Alguns meses mais tarde, Aloizio Mercadante reassume o MEC e dessa vez baixando a Portaria 1.154, de 25 de dezembro de 2015, que instituiu a Comissão de Orientação e Acompanhamento da Iniciativa para Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC.
Tudo igual, mas não semelhante. Hoje, nenhuma dúvida que puxaram o breque de mão. Hoje, a bola da vez é a Base Curricular Nacional quando já se passaram quase dois anos do PNE. Alguns otimistas acham que dá pra finalizar a questão do currículo até dezembro. Sectário, não creio.

De prático e de práticas, que é o combustível da criatividade, até agora nada de firme, bom e valioso para nossa meninada.
Exceção para exatas 178 instituições educacionais entre organizações não governamentais, escolas públicas e particulares, foram reconhecidas pelo Ministério da Educação como exemplos de inovação e criatividade na educação básica. Interessado em identificar e conhecer iniciativas inovadoras para saber em que medida elas podem contribuir para a melhoria da qualidade da educação brasileira, o Ministério da Educação lançou chamada pública em setembro passado, à qual se apresentaram 682 entidades.

Depois de criteriosa avaliação, a seleção foi realizada. Constam da lista 138 instituições que já trilham um longo caminho na prática da inovação e 40 organizações que estão caminhando na direção da inovação com vistas a garantir qualidade à educação oferecida. O Ministério vai acompanhar o desenvolvimento de todas.

As organizações selecionadas traçam o perfil da inovação na educação do país. Elas estão presentes nas cinco regiões brasileiras e sua distribuição corresponde à da população: mais da metade (50,8%) estão na Região Sudeste, seguida da Região Nordeste (21,9%), Sul (13,7%), Centro-Oeste (8,7%) e Norte (7,6%).

A maioria dos inscritos foram escolas, tendência que se repetiu entre as selecionadas: 74,3% são escolas e as demais 25,7% são organizações educativas que atuam na formação de crianças, adolescentes e jovens, algumas com foco específico em cultura, comunicação, tecnologias digitais ou educação ambiental. Entre elas, 52,5% são públicas e 47,5% são particulares.

[*] Uma lista de verificação, um tipo de ajuda de trabalho, informativo usado para reduzir a falha , compensando possíveis limites do humano de memória e atenção. Ele ajuda a garantir a consistência e a integridade na realização de uma tarefa. Um exemplo básico é a "lista por fazer".