sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Economia Criativa Tem a Ver com a Disciplina Artes?



Na China, um novo plano de desenvolvimento acaba de considerar o design como prioridade para suas empresas, que hoje se deparam com os limites da competitividade baseada apenas na redução dos custos de produção. (...) Essa ênfase é encontrada em outros países e a União Europeia, por exemplo, não para de promover uma incitação à criatividade que associe o progresso técnico-científico e a expressão artística.
Xavier Greffe [1]
Neste artigo desejo reforçar o conceito de economia criativa, que julgo de muita atualidade e imbricação com o que está cenarizado a partir da Medida Provisória (MP) 746 que “mexe” com o segmento da educação básica nacional, quando institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. Trata-se do Novo Ensino Médio anunciado pelo governo.
No ensino médio ainda em vigor compõem o currículo matemática, ciências da natureza (ciências, física, química e biologia), linguagens (línguas portuguesa e estrangeira, arte e educação física) e ciências humanas (história, geografia, sociologia e filosofia). Para o que vem pela frente, por certo, muita mudança ocorrerá quando a fase conclusiva da terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) for aprovada pelo Conselho Nacional de Educação..

Sobre a polêmica de acabar com a obrigatoriedade das disciplinas de sociologia, filosofia, arte e educação física, a questão não será decidida pela lei (MP), mas pela
BNCC, que ainda está sendo definida. Em outras palavras, a ideia é flexibilizar o currículo propondo várias disciplinas optativas dando autonomia aos alunos. Pode ser uma forma de reter na escola quem conseguiu passar bem pelo Fundamental 2. Mas não é solução para quem chega ao ensino médio com dificuldades.

Se o aluno carregar déficits de anos anteriores – e isso parece ser a regra – não haverá disciplina optativa que o segure na escola. Ele vai desistir.
O que parece ser uma simples escolha, isso de preferir por esta ou aquela optativa, nunca se mostrou como solução do autoexame de preferências. No passado, quando os cursos eram pelo regime de créditos, o aluno era quem “montava” a sua grade, uma autêntica colcha de retalhos, ou, como queiram, um rançoso queijo suíço. E com isso o estudante achava estar se preparando para o mundo do trabalho quando então existiam menos opções funcionais.
Hoje, se o egresso de curso universitário não tiver saído dele para enfrentar um mundo multifacetado, pode correr sérios riscos de empregabilidade.

Conforme Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo, de 22/09/16, no Brasil, o aluno corre o risco de escolher apenas as disciplinas com as quais tem alguma afinidade, mas deixando de lado aquelas nas quais tem dificuldade. Com isso, pode terminar a escola com uma defasagem enorme, sem condições de competir por vaga no ensino superior. Ser "protagonista do seu percurso", como prega o ministro Mendonça Filho ao falar de escolha das disciplinas, é uma ideia tentadora. No entanto, a maioria dos adolescentes não tem condições psicológicas nem fisiológicas para decidir sozinhos. A parte cerebral responsável pelo planejamento de longo prazo, por exemplo, só amadurece por volta dos 24 anos. A escolha de disciplinas e o planejamento de estudos, portanto, devem ser feitos com orientação e mentoria. Isso vai acontecer de maneira efetiva ou os alunos ficarão soltos à própria sorte?

E mais, o Ministro não tem a mínima ideia de custos operacionais tendo que “plantar” na escola um enorme time de docentes para atender às optativas. É inadministrável para o país.
A possibilidade de abrir mão de educação física da grade também pode se configurar um desastre. Há estudos em várias áreas do conhecimento que mostram que os esportes, além de melhorar a autoestima, essencial na escola, aprimoram a capacidade de concentração e memorização. Especialistas recomendam a redução de horas de estudos e aumento de horas de esportes – prática bastante adotada na Finlândia, um dos países modelo em educação no mundo. A proposição estaria bem ao sabor do culto ao corpo, o fitness, a longevidade. Isso de recomendar menos horas de estudo parece ir na contramão de um país emergente, até porque, por aqui já temos o mínimo do mínimo ainda que pela MP haja a intenção de ampliar a carga horária, sem no entanto melhorar o desempenho dos docentes, instalação de laboratórios que assim possam ser chamados, incremento de acervos nas bibliotecas, etc. etc.

Aqui vale ressaltar que temos, isso sim, muito poucos dias letivos ao longo do ano e urge diminuir as férias letivas, os dias sem atividades, o exagero de feriados e tudo o mais que em realidade não permite somar sequer 80 dias em cada semestre. Um absurdo, afora greves e paredismos de todos os setores.

A BNCC específica para o ensino médio começará a ser discutida de acordo com o Ministério da Educação (MEC) e deverá ser finalizada até meados do ano que vem. Ou seja, sua implantação só se dará em 2018.
Na ediçãohttps://t.dynad.net/pc/?dc=5550001580;ord=1474912112901https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001579;ord=1474912119702de 29/09/16, no caderno Ciência + saúde, a Folha traz considerações de Gabriel Alves sob o título “Educação física e artes trazem benefícios”, que enfatiza o consenso científico a favor de maior oferta de atividade física a estudantes e da disciplina Artes, que podem aumentar a criatividade. A julgar pelo destaque que a mídia deu relativamente à supressão de Educação Física e Artes do currículo do médio, como obrigatórias podendo passar a facultativas, a exclusão beira a insanidade.

Conforme G. Alves, dedicar-se a uma atividade artística – seja tocar piano ou aprender técnicas de escultura – faz uma pessoa ficar mais inteligente e melhorar o seu desempenho em outras disciplinas, como matemática e redação. Praticar uma atividade física, além de melhorar a coordenação motora e aumentar a sociabilidade, diminui drasticamente a incidência de doenças como diabetes, obesidade, câncer e acidentes cardiovasculares.
Para o sociólogo José de Souza Martins, membro da Academia Paulista de Letras, em artigo publicado no último dia 2, domingo, no caderno Aliás do jornal O Estado de S.Paulo, “a reforma curricular do ensino médio, proposta por medida provisória, centraliza a educação brasileira no português, na matemática e no inglês. O resto, por assim dizer, fica no plano secundário de decisões tópicas. Só uma explícita omissão de referência no cardápio educacional para as novas gerações, a suposta irrelevância da educação física, gerou gritos e berros. Não houve queixas similares em relação às artes e às humanidades. Ao que parece, queremos uma pátria de gente atlética, mesmo que ignorante”.
Opiniões divergentes à parte, G. Alves também sai em defesa da manutenção de Artes no currículo pois, para ele, se menos traumática para a saúde física, a retirada da obrigatoriedade do ensino de artes terá impacto importante não só na formação cultural, como também no aprendizado de outras disciplinas.

Jose S. Martins tem várias perguntas: Como ter alguma certeza no meio de tanta incerteza? Como saber sem conhecer, conhecer sem aprender, aprender sem ter quem ensine? Como ter notório saber para ensinar sem ter aprendido para saber? Quem ensinará ao ensinador? Quem aprenderá no vazio das perguntas sem respostas?

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) diz acreditar que “a felicidade dos indivíduos será maior em países onde a arte tem um papel proeminente nas escolas”. A entidade também elege a arte como a melhor maneira de fomentar a criatividade, competência hoje muito procurada em profissionais por causa da capacidade de inovar e de achar soluções não usuais para toda sorte de problemas.
E onde entra nisso tudo a Economia Criativa? Nossos jovens, futuros universitários e ingressantes no mercado de trabalho, não careceriam de tudo que envolve e está por trás das artes, da educação física, do desenvolvimento integral?

A economia criativa foca, essencialmente, no potencial individual ou coletivo para produzir bens e serviços criativos. Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet (desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico), por exemplo.

A economia criativa tornou-se uma poderosa força transformadora no mundo de hoje. Criatividade e inovação, tanto individual quanto em grupo, são a verdadeira riqueza das nações no século 21. A base da economia criativa é a junção de pessoas com imaginação e talento, que comunicam ou transmitem valores culturais através de produtos ou serviços como: música, teatro, entretenimento, artes visuais e moda, etc. Será tudo isso viável sem que o currículo das escolas contemple a disciplina Artes como essencial para o desenvolvimento integral do aluno?

[1] Xavier Greffe:
professor da Universidade Sorbonne (Paris), onde coordena o programa de doutorado de economia das artes e das mídias. Autor de A economia artisticamente criativa – arte, mercado, sociedade (Iuminuras).

domingo, 25 de setembro de 2016

(in) Aproveitável TCC ( ! ? )



Sonhos determinam o que você quer.
Ação determina o que você conquista.
Aldo Novak

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na universidade, parece, pegou mesmo, nas públicas e nas particulares, em todos os cursos, e raro quem não o aplica regulamentadamente.
A sigla ganhou irmão siamês com Terminal de Carga Comprometida (TCC) e por certo tem lá seus motivos e razões, pois a expressiva maioria dos TCCs não tem qualquer aplicabilidade, usabilidade e é descartada ao virar do ano letivo.

E há nisso um desperdício monumental de todo mundo, alunos e professores, quando, se ao contrário fosse, seriam um extraordinário portfólio para os egressos dos cursos universitários. Com o TCC podem(riam) se apresentar frente a Recursos Humanos (RH) e começar por se oferecer no mercado de trabalho. Ou seja, podem(riam) levar na pasta um produto inovador ou uma minidissertação, esta, aliás, como um primeiro degrau de encaminhamento para um MBA ou Mestrado stricto sensu, no percurso da educação continuada. Com isso, milhares de folhas sulfite impressas com alguns litros de tonner/deskjet acabam indo para vala comum após o consumo de dezenas de horas de “dedicação” à obra prima, sem qualquer serventia e uso, seja na comunidade, seja nos mercados ansiosos por inovação. Fora as capas duras, o cabelo da mamãe feito na cabeleireira do bairro e o terno do papai bem passadinho, com vincos e tudo o mais, para a “grande apresentação”. Um desperdício sem conta que se arrasta por anos.

Apropriação de uma carga horária no currículo que poderia ser destinada a uma disciplina efetivamente útil à formação ou bem aproveitada no escopo do TCC, claro, mediante uma severa observação e  proficiente condução de parte dos docentes orientadores. O quadro indica um corporativismo muito grande na base do “eu engano que ensino e você engana que aprende”.

Pelos poucos resultados efetivos, ou melhor, nenhum, levando-se em conta que o ultimoanista tem um semestre para desenvolvê-lo, mas antes tem uma carga horária, digamos, de pré-requisito para definir o tema, receber a orientação do docente encarregado de conduzir o trabalho, a escolha da bibliografia, etc.
Supondo-se que a confecção do trabalho se dê no oitavo semestre, no sétimo é frequente a presença das disciplinas Metodologia Científica e Planejamento de TCC, e convindo com a lógica, nada mais correto para preparar o aluno e assim conduzi-lo com sinalizações de critérios.

Afinal, é voz corrente que o TCC é o clímax do curso, o apogeu que tudo mostra e demonstra na proposta de ensino-aprendizagem. Algo como “Eis aqui tudo que me foi ensinado, tudo que aprendi”.
Inteirei-me de centenas de TCCs, principalmente nas décadas de 1990 e 2000, cujos conteúdos mais pareciam um projeto experimental, aninhado numa iniciação científica. Um produto meio híbrido cuja consequência era a de apresentação com certo formalismo que inclui(ía) uma banca examinadora composta do professor orientador, um convidado externo e outro convidado integrante do corpo docente da escola.
O trabalho, individual ou grupal (neste particular limitado a até três colegas[?]), impresso e encadernado, via de regra, era deixado com dias de antecedência ao membros da banca para a leitura, anotações e eventuais questionamentos.

O grande dia, num auditório da escola, pronto e preparado para o grand finale, recebe(ia) parentes e amigos do(s) expositor(es), tudo com certa solenidade, iluminação adequada, sonorização afinada e lá iam espaço adentro, para a apresentação, limitadamente a um determinado tempo, parte a parte. Uma performance um tanto teatral ou circense. Funambulismos no canto, de quem anda sobre arame ou corda, em geral, o tema é decepcionante, sem empregabilidade no mundo real do trabalho. A escolha do elaborador do TCC e pior ainda, a concordância do docente orientador, é de uma insignificância muito grande quando temas aflitivos na sociedade, em todas as áreas, clamam por estudos e pesquisa. Ou seja, desinteligência gigantesca.

Então, para que serve o TCC no conjunto da matriz curricular de um curso?
A resposta me parece óbvia, pois a conclusão do curso deve se dar após a exaustão de todo o currículo, o que pode ficar próximo de 35 a 40 disciplinas que dominaram os estudos com as exigidas trans-interdisciplinaridades. Ou seja, é a razão da composição holística do projeto, do Trabalho, tangenciando todas as riquezas conteudísticas ofertadas ao longo do curso.
Os TCCs, se pensados com consequência(e ouso dizer, com mais seriedade) devem(riam) servir para dois propósitos.

O primeiro, é a apresentação de um produto inovador no mercado. O estudante teria, então, durante todo o processo de desenvolvimento, a orientação do seu professor e uma banca capaz de apontar fragilidades e boas ideias para que o aluno burile o seu objeto. Na Europa, percurso inverso,  universidades existem que não propõem vestibular para ingresso mas a apresentação de um projeto exequível / executável para ser trabalhado ao longo do curso. Se não tem futuro “é reprovado”.

O segundo seria a continuidade da educação. Há alunos que não querem ir para o mercado sem antes cursar um pós-graduação. Sua monografia (orientada e julgada do mesmo modo que o produto) pode ser o seu projeto de dissertação de mestrado.
Incomoda muito a incapacidade de leitura do mundo, o distanciamento da competitividade, a desconsideração da globalização, a cegueira do inevitável
no confronto da criatividade.

Então, as respostas dessa dissociabilidade estão na orientação docente ou na resistência discente que insiste em adotar a mesmice, o descomprometido, o "laissez faire, laissez passer"?
Fica aqui um grito de utilização, a docentes e discentes, que se ocupem com o que a contemporaneidade está cobrando das mentes e inteligências atuantes: a utilidade decorrente da inovação e da criatividade, como dominantes e preponderantes na circunstância educacional de resultados, é o que importa e interessa.
Está mais do que na hora de se parar de perder tempo, papel, impressão e demais na montagem dos TCCs sem antes focar-se na utilidade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Paradoxos do neologismo



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional


Que a língua pátria vai de mal a pior a minoria já sabe, haja vista o desempenho e performance sofríveis que ficou demonstrado recentemente por certames nacionais e internacionais. Amargamos os últimos lugares.

A nova ortografia, que só a minoria sabe, já está em vigor (?) ou ainda não está, só veio pra complicar mais ainda a cabecinha da criançada posto que a maioria dos professores do fundamental e médio não têm domínio sobre o assunto.
O que brasileiro gosta mesmo é de estrangeirismos. Vejam a chegada destas dez  palavras e expressões que passaram a ser usadas em inglês na última década, largamente empregadas por aqui:
1. Amazeballs
Amada por alguns, odiada por outros tantos, essa gíria curiosa causou e ainda causa, um bocado de polêmica em relação ao seu uso e suas origens. Várias pessoas alegam serem suas precursoras, incluindo o notório colunista de fofocas de Hollywood, Perez Hilton. Foi em 2012 que a palavra apareceu no dicionário online Collins, que a definiu como uma bem-humorada alteração do original amazing. Como sua irmã mais velha, é usada para definir algo extraordinário e surpreendente, sendo mais utilizada por adolescentes.
2. Binge-watching
A palavra binge é usada para falar sobre situações em que alguém comete algum excesso, geralmente fazer a farra, beber todas, atacar a comida, ou, nesse caso, assistir de uma vez só vários episódios de seu seriado favorito. Fazer as chamadas “maratonas” de séries se tornou mais fácil após a popularização dos serviços de streaming e com a nova mania veio a nova expressão, bastante utilizada, inclusive, em sites de reviews e recomendações, como o Rotten Tomatoes.
3. Captcha
“Completely Automated Public Turing test to Tell Computers and Human Apart” ou Teste de Turing Público Completamente Automatizado para Diferenciação entre Computadores e Humanos é uma ferramenta utilizada por vários sites para, claro, diferenciar humanos e computadores. Implementado por mais de três milhões e meio de sites ao redor do mundo, ele impede os bots – programas usados para completar tarefas automatizadas – de participarem de esquemas de fraudes, criando perfis falsos que podem ser utilizados em inúmeras práticas ilegais.
4. Chillax
Outra gíria formada pela junção de palavras, nesse caso chill e relax. Utilizada principalmente quando queremos sugerir a alguém que relaxe, deixe pra lá as preocupações e curta um pouco o momento.
5. Click bait
Imagine a situação: Você navega tranquilamente pela sua página favorita quando começam a aparecer sugestões para outras notícias com chamadas curiosas e extraordinárias, como uma dieta milagrosa ou um animal estranho que foi descoberto em um país exótico. Quando você clica, é direcionado para uma página infestada por anúncios oferecendo produtos que você nunca teve a intenção de comprar. É isto que faz um click bait, ou uma “isca de cliques”. Elas também estão presentes em páginas de redes sociais, serviços de mensagens e, recentemente, alguns youtubers também têm sido acusados de nomearem seus vídeos com títulos interessantes e atrativos, e apresentar conteúdos não tão interessantes ou atrativos, ou até mesmo sem relação com o título.
6. Cyberbullying
Conforme a discussão ao redor da prática de bullying nas escolas foi ganhando força, a atenção também se voltou ao cyberbullying, que pode ser tão prejudicial e perigoso quanto aquela prática. De acordo com o site stopcyberbullying.org, voltado ao combate da prática através da conscientização, o cyberbullying “é quando uma criança, pré-adolescente ou adolescente é atormentado, ameaçado, assediado, humilhado, exposto, ou de qualquer modo alvejado por outra criança, pré-adolescente ou adolescente por meio da internet, tecnologias digitais e interativas ou telefones celulares”. O site reforça que a definição só se aplica quando há uma criança ou adolescente nas duas extremidades da relação. Quando um adulto está envolvido, trata-se de assédio ou perseguição, práticas também graves.
7. Paywall
Uma paywall funciona como uma barreira virtual que previne o acesso a certos conteúdos em uma página da internet, a não ser que o usuário contrate o serviço completo, o que envolve o pagamento de taxa mensal ou de assinatura. Sabe quando você está lendo uma notícia, mas precisa se cadastrar e pagar a assinatura para continuar? Pois é. O paywall também é utilizado em alguns games online grátis, onde parte do conteúdo como mapas e personagens precisa ser liberada através de pagamento.
8. Podcast
Programas de notícia ou de variedade que são transmitidos em formato digital e distribuídos por meio de streaming ou download. O nome vem das palavras broadcast e ipod, o famoso gadget da Apple. Os podcasts se tornaram muito populares e os assuntos tratados nos programas variam de notícias locais a política e cultura pop.
9. Unfriend
De acordo com o Oxford Dictionary, “remover (alguém) da lista de amigos ou contatos em uma rede social”. Começou com o Facebook, mas hoje em dia é comum encontrar a opção pouco amigável em outras redes sociais. A propósito, o verbo é regular, então, para formar o passado, usamos –Ed: I haven’t unfriended him yet.
10. Meetnapping
Essa palavrinha interessante, resultado da junção de meeting (reunião) e kidnapping (sequestro), tem sido usada no mundo dos negócios para definir uma prática considerada prejudicial tanto para os funcionários quanto para a empresa: Meetnapping é o ato de forçar um colega de trabalho a participar de reuniões inúteis que acarretam em perda de tempo. É isso mesmo. Descrita por vezes como um tipo real de sequestro, embora não seja ilegal, a prática tem sido tratada como uma questão séria de abuso no ambiente de trabalho.

Assim, ficamos expostos a todo sorte de extravagâncias linguísticas e vocabulares, ainda que proposta de ministério fosse a de abolir qualquer termo/palavra que não o português/brasileiro em todos os canais de comunicação.

Quase uma insensatez, um projeto de lei, aprovado em março de 2001 na Câmara dos Deputados, restringia o uso de palavras estrangeiras obrigando o uso da língua portuguesa por brasileiros natos e naturalizados e pelos estrangeiros residentes no Brasil há mais de um ano. O projeto regia o ensino e a aprendizagem; o trabalho; as relações jurídicas; a expressão oral, escrita audiovisual e eletrônica oficial e nos eventos públicos nacionais; os meios de comunicação de massa; e a publicidade de bens, produtos e serviços. Era o PL nº 1676, proposto pelo então deputado Aldo Rebelo, do PC do B de São Paulo. Não passou no Senado. Arnaldo Niskier levantou as mãos aos céus.



Para promover, proteger e defender a língua  portuguesa, o Art. 2° do Projeto de Lei determinava que o Poder Público, com a colaboração da sociedade, devia melhorar as condições de ensino e de aprendizagem da língua portuguesa em todos os graus, níveis e modalidades da educação nacional.
 
O professor de português Pasquale Cipro Neto, na coleção didática Ao Pé da Letra, trata do uso de certos estrangeirismos de forma bem humorada. Ele sugere, ironicamente, que não há substituição para palavras como pizza, por exemplo, que teria que ser substituída por algo como "disco de massa com queijo e molho de tomate". Acrescentaria, digerida por políticos.

No texto de apresentação do projeto aos seus pares no Congresso, intitulado "Culta, Bela e Ultrajada: um projeto em defesa da língua portuguesa", Aldo Rabelo afirma que a proposta "trata com generosidade as exceções, e ainda abre à regulamentação a possibilidade de novas situações excepcionais". Neste mesmo documento, o deputado mostra a sua intenção de "conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem xenofobia ou intolerância de nenhuma espécie. É preciso agir com espírito de abertura e criatividade para enfrentar - com conhecimento, sensibilidade e altivez - a inevitável, e claro indesejável, interpenetração cultural que marca o nosso tempo globalizante."

Quase que provocando, entra no ar a sordidez no livro didático ao propor atividade escolar fazendo piada obscena para ilustrar 'variedade linguística'.
O fim do mundo. No exercício, os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental tinham de reescrever um trecho em linguagem culta, no entanto, uma parte dizia: “magina ocê que tinha um pinto dentro!!!!? Agora cê já pensô seu cuzinho [sic] cum pinto dentro??” O foco era um ovo galado.

Em 2011, o livro “Por uma Vida Melhor” da Coleção Viver, Aprender, adotado pelo Ministério da Educação, foi alvo de críticas por usar linguagem popular, como “nós pega o peixe”. Agora em 2016, uma escola estadual em Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, é alvo de uma nova polêmica por conta de um exercício que teoricamente pretende estudar regionalismo linguístico, mas que na prática usou o duplo sentido para fazer uma piada obscena.
Apesar da direção da escola ter negado a suposta maldade no exercício, muitos pais não se convenceram e não aprovaram a tarefa. “Ressaltamos que não se trata de uma atividade avaliativa, e sim de uma atividade trabalhada em sala de aula com a mediação dos professores, cujo objetivo era de  transformar a linguagem coloquial para a linguagem formal, além da valorização e o respeito da linguagem popular/diversidade. A atividade proposta transcorreu tranquilamente em sala de aula, pois os alunos e os professores não levaram em consideração a maldade por duplo sentido criada por outras pessoas”, disse a escola em nota. A Secretaria de Educação, por sua vez, disse que vai fazer uma reunião com os pais para esclarecer a situação.
O uso de linguagem popular em sala de aula, inclusive em obras didáticas que abordam essas variantes da língua, segue uma orientação do MEC.
Foi o maior bafafá,  escola tentando explicar o texto com palavra obscena e os pais questionando a  atividade, com justa razão.

Aprovada, ou não, pelo MEC, essa suposta pedagogia avançada só reflete a pequenez e visão tacanha de muitos “soi disant” pedagogos, inclusive os do próprio MEC, ideologicamente contaminados. Eles estão contribuindo para nos afastar, cada vez mais, da indispensável língua culta, referência necessária para desenvolver o pensamento. Não à toa, continuamos a ocupar vergonhosas posições no ranking mundial de escolaridade básica. Até parece intencional cultivar a ignorância e desinformação do futuro (e)leitor.

Para arrematar, o internetês está em nossas praias com acinte de explodir túmulos machadianos / camonianos.
Se você acha que não sabe o que é internetês, mas consegue ler as orações sem nenhuma dificuldade, Vc sabe o q eh internetês? Naum? Entaum tá na hra de aprender + sobre esse assunto! =),  acaba de descobrir que não só sabe como provavelmente também o usa!  A abreviação das palavras durante um bate-papo virtual é imperativo, precisando eliminar letras, sílabas inteiras e até mesmo a acentuação de alguns vocábulos na hora de conversar nos ambientes virtuais, tudo isso para deixar a comunicação mais dinâmica e mais parecida com nossas conversas da modalidade oral.
Essa linguagem simplificada e informal chamada internetês surgiu no ambiente da Internet, lá nos anos 1990. Sua principal função é conferir dinamismo às conversas. Para isso, inventamos uma sintaxe meio maluca, ignoramos as regras ortográficas e abusamos dos “emoticons”, que servem para traduzir em símbolos a maneira como nos sentimos, já que a escrita não conta com os mesmos recursos de expressividade disponíveis na oralidade.