domingo, 1 de dezembro de 2013

Gauss e a Distribuição Normal no Enade



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Raramente lemos algo que se possa afirmar ser o texto definitivo, acabativo quanto ao tratamento dado, completo e terminal. Assim, não creio que algo mais possa ser acrescentado ao que Jorge Gregory considerou em Avaliação: os pecados do MEC – Os problemas do conceito Enade.
Para um leitor leigo(mas não ignorante) em matemática e estatística, como eu, tomo a liberdade de esclarecer algumas abordagens feitas por ele, aqui transcritas logo abaixo no trecho com o subtítulo A INDUÇÃO AO ERRO NA INFORMAÇÃO PÚBLICA, carecedoras de esclarecimentos técnicos que se oferecidas ao artigo original alongariam demais as explicações. Afinal, o conteúdo de Gregory visou certo público alvo de leitura que não os iniciados em números, mas, no trecho citado ele desceu um degrau e matou a cobra.

A distribuição normal é uma das mais importantes distribuições da estatística, conhecida também como Distribuição de Gauss ou Gaussiana.
Além de descrever uma série de fenômenos, possui grande uso na estatística inferencial. É inteiramente descrita por seus parâmetros de média e desvio padrão, ou seja, conhecendo-se estes se consegue determinar em uma distribuição normal qualquer probabilidade(?) (Qualidade de provável. Motivo ou indício que deixa presumir a verdade ou a possibilidade dum fato.).
A distribuição normal foi introduzida pela primeira vez por Abraham de Moivre em um artigo no ano 1733. Gauss, que alegou ter usado o método desde 1794, demonstrou-o rigorosamente em 1809 supondo uma distribuição normal para os erros.

Carlos Roberto de Lana explica que para entender o que é distribuição normal, é necessário, primeiramente, definir evento aleatório. Trata-se de evento cuja ocorrência individual não obedece a regras ou padrões que permitam fazer acertadas, como, por exemplo, qual face de um dado lançado cairá para cima.

A estatística mostra que, apesar de a ocorrência individual destes eventos aleatórios ser imprevisível objetivamente, é possível tirar algumas conclusões a partir de um conjunto suficientemente grande deles.

Muitos dos conjuntos de eventos aleatórios apresentam padrões que não são identificáveis em cada evento isoladamente, como a tendência de os eventos se concentrarem próximos a uma posição que representa uma média matemática deles. Assim, a quantidade de eventos diminui constante e gradativamente à medida que nos afastamos da média.

Um levantamento das estaturas de homens adultos, em uma amostragem significativa, tende a posicionar a maioria das medidas na chamada estatura mediana, entre 1,70 e 1,80m. Já as estaturas entre 1,40 e 1,50m e entre 2,00 e 2,10m tendem a apresentar poucas ocorrências.
Um exemplo bastante próximo de todos sobre como a curva de distribuição normal ajuda a definir padrões esperados é a pressão arterial. Quando o médico infla a almofada em nosso braço, lê o manômetro e nos informa que o resultado é 12 por 8, nos sentimos aliviados.
Alguém já se perguntou, porém, por que 12/8 e não qualquer outro resultado é considerado padrão de normalidade deste parâmetro médico?
A resposta é simples: as curvas de distribuição normal para a pressão arterial sistólica e diastólica tendem a concentrar seus resultados em torno de 120 e 80 mmHg, respectivamente.
Ou seja, quem tem 11/9 ou 13/7 não está bem, está mal ? Deve ser internado e tratado do que ?
A INDUÇÃO AO ERRO NA INFORMAÇÃO PÚBLICA
“Suponhamos, para tornar o meu raciocínio mais didático, que eu seja um estatístico e queira me meter a futebólogo. Suponhamos que eu pretenda estabelecer um padrão de avaliação da qualidade dos jogadores profissionais de futebol. Suponhamos que, para tanto, eu elenque 100 habilidades e aplique testes a todos os jogadores de futebol para verificar quantas destas habilidades cada um domina. Suponhamos que como resultado, dentre um grande número de clubes pesquisados, no Luverdense o jogador Emerson apresente a menor qualidade segundo este meu critério, demonstrando dominar apenas 5 das 100 habilidades, e o Rubinho, o de melhor qualidade, mostrou dominar 25 habilidades. Suponhamos que os mesmos testes sejam aplicados ao Barcelona e o jogador com menor desempenho tenha sido o Pique, mostrando dominar 65 habilidades. Já o de melhor desempenho tenha sido o Messi, mostrando dominar 99 das 100 habilidades. Suponhamos que uma vez tabulados estes dados eu decida aplicar Gauss à amostragem de cada clube e converter a Distribuição de Gauss numa escala de 1 a 5 como se faz no ENADE e CPC.

Aplicadas todas estas suposições, chegaríamos ao resultado de que a Distribuição de Gauss no Luverdense seria aplicada no intervalo amostral de 5 a 25, e no Barcelona se daria no intervalo de 65 a 98. Aplicada a Distribuição de Gauss aos dois casos e convertido o resultado a escala de conceito de 1 a 5, eu teria como resultado que no Luverdense o Emerson é conceito 1 e o Rubinho é conceito 5. Já no Barcelona, o Piquet seria conceito 1 e o Messi conceito 5 (e quem sabe o Neymar conceito 4). Isto posto, eu divulgo os resultados da minha pesquisa para que o público tome conhecimento da qualidade dos jogadores.
Para os familiarizados com estatística, desde que informados que o método aplicado foi a Distribuição de Gauss e tendo acesso à média e ao Desvio Padrão de cada clube, entenderiam perfeitamente o padrão que eu estaria estabelecendo. Para 99,9% dos mortais que mal sabem o que é uma média, não fazem a mínima ideia o que é Desvio Padrão e muito menos uma Distribuição de Gauss. A mensagem que estaria transmitindo é que Pique é um perna de pau ao tempo que Rubinho é um craque, que Rubinho é tão bom quanto o Messi e até mesmo melhor que o Neymar. Lamento afirmar isto, mas é exatamente o que se está fazendo na educação superior.
Pior ainda, depois eu faço o somatório de todos os conceitos 1 de todos os clubes e digo que o mundo tem tantos pernas de pau jogando (incluindo o Emerson e o Pique). Somo todos os conceitos 3 e digo que temos tantos jogadores mediando jogando no mundo. Somo todos os conceitos 5 e digo que temos tantos craques maravilhosos no mundo (incluindo o Messi e Rubinho e excluindo o Neymar que ele não é conceito 5 e, portanto, pela lógica do INEP não seria um craque de ponta como o Rubinho).”

Ou seja, Gauss, distribuição normal, probabilidade, evento aleatório, desvio padrão e outros transformam o Enade, CPCs e IGCs num samba do crioulo doido regado a sakê ou cicuta(*).

(*)Sócrates
foi condenado à morte por ingestão de chá de cicuta. Após tomar a cicuta, ficou dando voltas no quarto como lhe haviam recomendado, até que sentiu as pernas pesadas. Deitou-se de costas para que, em intervalos, se examinassem os pés e as pernas, ocasião em que Sócrates já não mais os sentia. Sócrates começou a ficar frio e enrijecido, até que o veneno chegou no coração do filósofo e sobreveio a morte.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dilma não esclarece tudo



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Com o título “Dilma: faculdade comunitária interioriza  ensino superior” a sucursal do Estadão em Itajaí(SC) relata a presença da presidente na quarta-feira, 26, no teatro da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) em solenidade revestida de tons eleitoreiros, como de hábito da mandatária.

Enchendo a bola das Comunitárias, Dilma saiu com a afirmação de que elas favorecem a interiorização do ensino superior e que “Se não fossem essas vagas, muitos brasileiros não teriam condições financeiras para se formar nas capitais.”(?)
Gap de comunicação : Itajaí (180 mil hab.) ainda não é Capital.

O que fica a desejar na reportagem é a não citação do real motivo que levou a presidente até aquele campus, sugerindo ter ido até lá para ser cumprimentada por reitores pelo motivo da criação da Lei 12.881, assinada no começo de novembro e pela qual as instituições comunitárias de educação superior são qualificadas a receber recursos orçamentários e participar de editais reservados para instituições públicas.
Com isso ficam estabelecidas as diferenças e as distâncias dos cursos privados que na região sobrevivem a duras penas.

Com tal medida mais uma colher de cal foi lançada sobre as PMIES pois a maioria das Comunitárias no País estão em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Pizza grande.  

Conforme a reportagem, além da Univali, há 13 outras no Estado e que 70% dos catarinenses que frequentam faculdades estão nas Comunitárias. Ou seja, PMIES, requiescant in pace (descansem em paz).

Assim, o que já estava difícil para as particulares agora talvez fique impossível. Isso me lembra comercial de TV quando dois irmãozinhos disputavam o saquinho de jujuba e o mais velho dizia “Um pra você e dois pra mim”. Pela iniciativa ficou: um pra mim e nenhuma pra você.

A presidente, por certo, ignora(va) ao assinar aquela Lei que estava(ria) sepultando as pequenas e médias IES que representam uma enorme alavanca no ensino interiorizado do País, e que a ABMES, por seu presidente Gabriel Rodrigues, estabeleceu uma extraordinária ação para apoiá-las como plataforma da gestão.
Para ele, é grande a expectativa em relação à colaboração das instituições associadas e não associadas: “espero que participem da pesquisa para legitimar o projeto/ carro-chefe da atual gestão e também para oferecer subsídios ao Plano de Ação para as PMIES que a nossa entidade pretende coletivamente construir e implementar”.

Está com a palavra Cecília Rocha Horta ao afirmar que “Sabe-se, porém, que as PMIES estão localizadas, na sua maioria, em locais em que o Poder Público não está e/ou está precariamente presente. Os responsáveis pela criação dessas instituições são em geral educadores – forças vivas locais – que se organizam visando não só oferecer ensino superior aos estudantes da região, que não podem frequentar as escolas dos grandes centros, como também viabilizar, de forma expressiva, a interiorização da educação no país.
De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), ano base 2011, as PMIES com até 2.000 alunos representam 71,17% do total de instituições privadas do país, são responsáveis por 17% das matrículas e por 27,3% do total de cursos. Apesar das dificuldades e obstáculos, as PMIES contribuem para a formação de pessoal de nível superior, empregam professores e auxiliares de administração escolar, movimentam o comércio e o mercado de trabalho por meio da qualificação de mão de obra para atender às demandas locais e regionais.
O lado ruim da história é que o Ministério da Educação (MEC), com  base nos indicadores de avaliação – que ignoram a especificidade e a heterogeneidade do sistema educacional –, penaliza duramente as instituições, e de forma especial as PMIES, com cortes de vagas, desligamento de programas de apoio financeiro ao aluno, arquivamento de processos de cursos em tramitação, fechamento de cursos, dentre outras medidas.”.

O diretor do SEMESP e sócio do Instituto Expertise também tem sua avaliação: Rodrigo Capelato observa que as PMIES são estratégicas para a economia do país, para a economia local, para a interiorização do ensino e para garantir a diversidade da oferta de cursos superiores nas regiões em que ensino público não chega. No entanto, adverte: “O Brasil precisa de políticas públicas para que as PMIES possam se tornar competitivas”.

De fato, as particulares são os náufragos da “Nau dos Insensatos” e só resta remar, e remar, e remar sem prazo de validade dos remos e do barco.

domingo, 24 de novembro de 2013

Curso Nota 10 (?)



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br
 
Carregando nas costas algumas dezenas de anos trabalhando no setor educacional e tendo participado de inúmeras reuniões de docentes, diretores/coordenadorias, conselhos e demais órgãos, nunca ouvi de qualquer Diretor ou Coordenador de curso que o “seu curso” tivesse qualquer problema.  Ao contrário, de peito aberto, alto e bom som, diziam que tudo corria às mil maravilhas, que tudo ia bem, da faxina e bedéis passando pela secretaria, indo aos laboratórios e sobretudo que o corpo docente era o melhor que uma escola podia ter.
Que a frequência do alunado era bem positiva quase inexistindo faltas às aulas, que os programas/conteúdos  estavam sendo muito bem elaborados/aplicados e constatação disso era o alto grau de aproveitamento como resultado das correções de provas e aprovação final.
Que a sala dos professores era um ambiente  feliz, perto do familiar, todos se dando muito bem ao meio de um cafezinho cedido pela cantina da escola e que pontualidade e assiduidade eram pontos altos da performance dos seus  profissionais de magistério, inclusive com a menor taxa de demissões e substituições. E mais, ninguém ficava doente se ausentando com atestados médicos pra não dizer o incrível, que nenhuma mulher engravidava e assim não havia afastamentos. Todas assexuadas, parecia.
Quanto à inadimplência, bem, isso não tinha nada a ver com o declarante ufanista pois era assunto do departamento financeiro.  Afinal das contas, nenhum Diretor/Coordenador é o Mantenedor, não é mesmo ?  Não um autêntico gestor do “negócio”.
Ou seja, sempre estive ao lado de gente que tinha a cartografia do caminho das pedras em direção à terra prometida, com  a grande recompensa: o paraíso. E ao que tudo indicava, na colação de grau referido Diretor/Coordenador de curso entregava não só o canudo mas uma CP-Carteira Profissional assinada com emprego garantido, pois que uma escola com tal brilho não exigia polimento algum.
Eram verdadeiros encantadores de serpentes, de gatos, cachorros e outros bichos.
Em escolas onde as CPAs – Comissão Própria de Avaliação existam no papel ele  aceita qualquer “rabisco” , o resultado de tudo sempre foi /é maravilhoso aos olhos da Mantida porque se conduzida pelo Mantenedor o quadro seria outro, claro, claríssimo. E tem mais, se com equipe externa contratada para tal fim, o  resultado/demonstrativo seria aterrador. Bem em consonância com outras avaliações de organismos federais: precárias e assustadoras que com certeza conduziriam a conceito ”1”, com alguma corrupção ao “2”.
Para aliviar a crítica, inexiste escola  que disponibiliza aos professores do 1º semestre a redação do vestibular bem como o resultado das questões de múltipla escolha, que permitiriam a cada um deles fazer suas avaliações objetivas, sérias e responsáveis. Não, tais dados, via de regra, não são disponibilizados  e  esse seletivo, como tal não tem nada de seleção. O objetivo é preencher as vagas, a qualquer custo, transferindo equivocadamente aos docentes o encargo de levar os seletivados e alunos matriculados no colo, para a frente. Um descalabro porque esses mesmos alunos se sujeitarão ao Enade ou a avaliação in loco perante habilidosos entrevistadores.
Então, o feitiço vira contra o feiticeiro numa consequência negativa sem tamanho para a IES.

Na outra ponta está o aluno, indefeso, passivo e impotente a interagir com todo o processo
unicamente na posição de observador, mas percebendo que alguma coisa não vai bem, pois a calmaria incomoda já que a escola não tem boa temperatura, não tem pulso e está pálida indicando que há desnutrição em potencial. Anemia dominante na mantida  o que permite dizer que a mantença está alheia à caminhada e quem sabe também indefesa, passiva e impotente em dar soluções, padecendo igualmente de uma anemia, desta feita anoréxica.
Mas, aluno bom nunca é refém da escola  pois pode se transferir se desejar. Quando muito pode ser cúmplice diante do quadro em que muita gente faz de conta que ensina e outros fazem de conta que aprendem: dois polos fraudados.

Conforme Luiz Flávio Gomes – jurista -, “O ensino, por melhor que seja, jamais produzirá efeitos notáveis em quem não quer saber de absolutamente nada. Bares periféricos cheios, salas de aula vazias.”
A situação de perplexidade, em alguns casos bem graves, quando a contemplação e tolerância dão lugar a uma  bulimia severa, podem jogar o paciente em uma UTI com estertores terminais. E não é o caso de um “salve-se quem puder” mas salve-se a escola, o alunado e o corpo docente porque o outrora garboso Átila agora está montado num pangaré moribundo.
Escola é um ente em construção diária carecendo de atenções constantes como a que se dedica a uma criança. Exceção aos estudantes, que entram em férias—e diga-se de passagem, muito longas --  essa palavra inexiste no vocabulário da mantida e da mantença pois é atividade de ouro que precisa estar sempre reluzente. Uma brigada de gente sempre de plantão, pronta e de atalaia evitando descuidos e desídias. Quando uma escola “vai muito bem, obrigado” é hora de se redobrar cuidados.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Conteúdos e NDCs



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Desde quando deixaram de existir os currículos mínimos dos cursos – então apresentados por Resoluções do extinto CFE (Conselho Federal de Educação), os quais traziam um rol de disciplinas a ofertar, com ementas “mínimas” – e o surgimento das NDCs (Novas Diretrizes Curriculares), muita coisa mudou no cenário da oferta dos componentes e conteúdos. Há quem chame de Matrizes Curriculares.
Algumas já decenárias, outras nem tanto, provocam o bom senso do que devem conter os programas em todos os cursos de graduação, inclusive os tecnólogos, para fazer frente à boa formação, atualizada e contemporânea, de forma a dar sustentação para a empregabilidade. Isso, sem se falar no que o candidato ao Enade deve/precisa ter aprendido para responder com suficiência as baterias de testes propostos.
Currículos e conteúdos sempre foram grande desafio para as IES, predeterminados sob consenso que espelham o projeto institucional e que devem ser estruturados, exatamente consensualmente, pelos membros integrantes de departamento, em reuniões ao menos anuais de maneira somatória, para constituir uma arca de conhecimento a ser oferecida e assim buscar o fim precípuo da universidade. Deve-se desenhar também o que será preocupação contida nas Atividades Complementares, que atuarão subsidiariamente sobre o currículo, lógica e organizadamente, para cerzir a intra e transdisciplinaridade. E porque tudo envolve conteúdos, os TCCs não podem exorbitar a tal ponto que tomem o alunado em histeria e ela chegue a tal ponto, que em muitas IES os TCCs beiram a ansiedade incontrolável, de torná-los uma pré de pré-dissertação, sem um bom encaminhamento dessa tarefa, com rigor, aos moldes e padrões fundados em metodologia científica.

Aliás, padecemos da falta de currículos e conteúdos desde o Fundamental passando pelo Médio em todo o país, existindo em alguns Estados e faltando em outros. Onde existam, não há semelhanças de conteúdos, indicando alguns predicativos: desinteresse, negligência ou desídia, talvez despreparo diretivo, quem sabe do próprio corpo docente das escolas, para não falar da ausência de regramento das secretarias municipal e estadual de Educação. E veja o leitor que o Enem tem cunho nacional. Assim, vamos à deriva em todos os quadrantes do país.

Fato é que no superior, fase terminal para o preparo ao mercado de trabalho, também existe resistência na formulação dos conteúdos, cada um achando que não há muita propriedade nas NDCs, ou obsolescência de temas/assuntos a discutir no andamento do curso. Então, diretrizes curriculares são abstracionismo ou realidade, é sugestão ou um magister dixit do CNE?

A ausência de conteúdos bem determinados pressupõe alguns equívocos a partir da dosimetria, das cargas horárias das disciplinas, sejam quais forem, sobretudo se adotado um título/nome genérico como, por exemplo, Língua Portuguesa I, Língua Portuguesa II e daí por diante. Escolas há que publicam os currículos, mas sem os conteúdos respectivos como que a ocultá-los deliberadamente e assim não deixar ao uso da concorrência. Discussão de currículos e conteúdos é dever de casa para o docente, a cujas reuniões não pode ausentar-se. Nesse trabalho deve-se agregar o novo que bibliografias recentes trouxeram à tona ou foram motivo de congressos e fóruns. E dê asas aos conhecimentos, caso a dissertação ou tese seja o fulcro da disciplina assumida. Caso contrário, simplesmente “persiga” o conteúdo determinado.

Definitivamente, conteúdo é tudo e não basta estar depositado nas secretarias do curso, antes deve ser exercido na plenitude sem o que a bússola não terá um norte magnético.
Por extensão, reflitamos sobre a produção de conteúdos e sua relevância que ora domina a web, quando dentro do contexto da otimização de sites e do planejamento estratégico do marketing digital, como um todo, o conteúdo constantemente é apontando como uma das principais estratégias, senão a principal.

De fato, o conteúdo representa uma das estratégias mais seguras na geração de relacionamentos, principalmente em EAD. Porém, não é qualquer conteúdo que gera engajamento, isto é, o seu conteúdo precisa ser único e incrivelmente relevante para a sua audiência (aula/alunos). Conteúdo relevante é todo aquele que imanta, que terá utilidade operacional no presente e no futuro. E por incrível, todo aluno percebe isso a partir do primeiro ano do curso. Já é tarde mas é preciso parar de falar os nomes dos afluentes da margem esquerda e direita do Rio Amazonas. Quem quer saber busca no “Tio Google”.

Também por aproveitamento, leia a importância do buzz(burburinho) marketing estreitamente relacionado com conteúdo no site http://pt.wikipedia.org/wiki/Buzz_marketing

Parabéns se você já utiliza ferramentas de MKT em suas aulas, adaptando os quatro (?) Ps (Produto-Preço-Praça-Promoção) em cada sessão. Com boa reputação e certeza suas exposições estão indo parar nas conversas das mesinhas da praça de alimentação da escola.