segunda-feira, 15 de maio de 2017

Competências imprescindíveis exigidas por antecipação



Em tudo que fazemos é imprescindível ter coragem
para se mudar e competência para ser a diferença 
Benicio Annunzeck

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional 
signorinironey1@gmail.com

Ultimamente temos lido e ouvido que os futurólogos, ansiosos por pisar  no chão dos fatos relacionados a um tempo que há de vir, seja amanhã, semana que vem ou próximo mês, quem sabe o ano seguinte e por distante 2020 começaram a “desenhar” as competências exigíveis para uma geração que pretende o mercado de trabalho.

Situação um tanto incômoda quando há tantas incertezas nos horizontes educacionais, a partir de uma reforma educativa no ensino médio, troca ou substituição de disciplinas e conteúdos, regime parcial e/ou integral, proposta de conclusão no modo técnico, etc. etc.  Variáveis incontroláveis postas no cenário quando sequer sabemos do (in)sucesso do nosso PNE-Plano Nacional de Educação, decenal com início atrasadamente em 2014 mas com final em 2024 sendo que em 2017 já terão passados 3 anos e a carruagem continua onde começou, na estaca zero, sequer atrelada com uma parelha.

Interessante notar que a cenarização do que vem pela frente, “estabelecido” pelos Profetas da Educação que não são brasileiros mas todos integrantes do Fórum Econômico Mundial(Odisseia de Homero e as sereias)[2], por certo alheios ao nosso presente, não considerados todos os infortúnios que atravessamos no país. Thomas Morus também responde “presente” dentre os que estão na sala das utopias.
O Universia Brasil esbanja alegrias num palco nacional de desolações em sua fonte Shutterstock, passeando num tapete voador, alegando que não tem jeito porque para se dar bem no ambiente corporativo de 2020 é preciso pensar dois passos à frente (um não basta). Em geral, os que se destacam em suas carreiras são aqueles que vislumbram o futuro e já se preparam para ele. O ano 2020 pode soar um pouco distante, mas já sabemos (ou deveríamos saber) de algumas competências que serão essenciais – e muito requisitadas,
não necessariamente encontradas junto à geração “Z”. Mas as sereias continuam cantando ao longo das praias brasileiras.

Por exemplo, com a tecnologia cada vez mais se superando, é esperado mudanças em vários âmbitos da sociedade, entre eles, a educação. Por essa razão, uma das principais competências será o domínio das novas mídias. Porém, não se trata apenas de saber mexer nas ferramentas e sim saber analisá-las de maneira crítica, avaliar sua credibilidade e ir além do que é mostrado.

Será essencial dominar os processos e sistemas, por mais difícil que pareça,  que envolvem códigos de computador e programação. Exatamente, mais do que saber utilizar as máquinas, será preciso saber como elas funcionam e como resolver possíveis problemas que podem aparecer durante seu uso. Profissionais que entendam de computação além do básico para ser usuário serão cada vez mais solicitados.
Parece estranho quando comparado às outras competências, porém, um dos principais pedidos será nada mais, nada menos do que empatia e inteligência emocional. Questões envolvendo ética estarão cada vez mais presentes no dia a dia e, junto ao pensamento crítico, a empatia será necessária na hora de tomar as melhores decisões.
Não há como se negar as mudanças que vêm ocorrendo no mundo. Elas continuarão e aqueles que souberem dominá-las e entenderem serão os que obterão mais sucesso tanto socialmente quanto profissionalmente. Aos educadores, cabe a tarefa e a responsabilidade de debater e ensinar tais habilidades a seus alunos, afinal, antes de profissionais, estamos formando também seres humanos. Mas vejamos o que por ora o mandala[1] contém:

Nos próximos, mudanças socioeconômicas, geopolíticas e demográficas terão impacto direto no mercado de trabalho seja no surgimento ou desaparecimento de novas profissões ou na demanda por novas competências. É o que concluiu o relatório "The Future of Jobs" produzido pelo Fórum Econômico Mundial
(janeiro 2016)
, que afirma que as mudanças são justificadas no contexto da chamada Quarta Revolução Industrial formada pela era da robótica avançada, inteligência artificial, automação no transporte e aprendizagem automática.

Os setores mais afetados desde já pelas novas exigências do mercado são de mídia e entretenimento, consumo, saúde e energia, segundo o relatório. No entanto, as áreas de finanças, infraestrutura e mobilidade deverão sofrer transformações mais profundas nos próximos anos. Confira quais as competências que todo profissional precisar dominar até 2020, segundo o Fórum Econômico Mundial.

1 - Resolução de problemas complexos
Tal habilidade já foi prevista como a mais requisitada para 2015 e volta a aparecer em primeiro lugar no ranking de previsões para 2020. Nos próximos anos, 36% das atividades em todos os segmentos da economia deverão exigir a habilidade de solucionar problemas complexos.
2- Pensamento crítico
No relatório, o pensamento crítico é descrito como o uso da lógica e da razão para detectar forças e fraquezas de soluções alternativas, conclusões e abordagens a problemas. O profissional que apresentar a habilidade de se comunicar claramente, de fazer as perguntas certas e de analisar um problema sob diferentes perspectivas, tem grandes chances de se destacar.
3-Criatividade
Os robôs perdem para as pessoas em criatividade. Os profissionais criativos terão a chance de se beneficiar desde cenários de rápidas mudanças em produtos, tecnologias e modos de trabalho. Criatividade ficou em 10ª da lista de previsões das demandas de mercado para 2015, agora faz parte das três competências mais valorizadas até 2020.
4 - Gestão de Pessoas
O papel fundamental do gestor de pessoas é motivar, desenvolver pessoas e identificar talentos. Essa habilidade é vista como destaque até 2020 nos setores de energia e de mídia.
5 - Coordenação
Para quem atua em cargos de liderança, a coordenação, trata-se de uma competência crítica. Aspectos ligados à colaboração e facilitação de processos são as principais qualidades que especialistas apostam como obrigatórias nos gestores do futuro.
6 - Inteligência Emocional
A
gestão das emoções é fundamental aos profissionais, uma vez que a inteligência artificial passa longe dos aspectos da inteligência emocional. Entre as características do profissional que tem inteligência emocional estão: saber ouvir, estar disposto à ajudar e ter autocontrole das próprias emoções.
7 - Capacidade de julgamento e de tomada de decisão
Profissionais hábeis em analisar dados e tomar decisões se destacam no mercado de trabalho e tendem a ser ainda mais valorizados até 2020. A habilidade foi a oitava mais demandada na lista de previsões para 2015 e subiu para a sétima posição do ranking. Um bom líder é aquele que saberá tomar as decisões certas em ambientes de alta complexidade.
8 - Orientação para servir
A dedicação em ajudar os outros perdeu uma posição no ranking das habilidades com mais demandas do mercado de 2015 para 2020. Porém, ainda é vista como uma competência indispensável ao trabalho em equipe.
9 - Negociação
A habilidade de negociação é importante para todos os profissionais. Mas o relatório destaca os setores de computação, matemática, artes e design como os que mais vão exigir bons profissionais negociadores até 2020.
10 - Flexibilidade cognitiva
A flexibilidade cognitiva é a capacidade de desenvolver ou usar diferentes conjuntos de regras para combinar as coisas de diferentes maneiras. Os setores que mais vão exigir essa capacidade são bens de consumo, comunicação e tecnologia da informação.

[1] Diagrama composto de formas geométricas concêntricas, utilizado no hinduísmo, no budismo, nas práticas psicofísicas da ioga e no tantrismo como objeto ritualístico e ponto focal para meditação. Segundo a teoria junguiana, círculo mágico que representa simbolicamente a luta pela unidade total do eu.

[2]O livro "Odisséia" é um dos textos mais fantásticos já escritos. Ele faz parte de um conjunto de narrativas feitas por Homero.
A Odisséia conta a história de Ulisses que era rei da ilha de Ítaca e se juntou a outros gregos na guerra contra Troia, mas depois que eles vencem a guerra, Ulisses e seus homens acabaram passando incríveis aventuras tentando voltar pra casa navegando pelo Mediterrâneo.
Passando próximos à ilha, Ulisses ouviu as Sereias e gritava desesperadamente para ser desamarrado, mas seus homens não o ouviam, como não ouviam as sereias que encantavam Ulisses que foi capaz de ouvir o canto e sobreviver.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Carteira de Trabalho assinada: sem chance, peça de museu



“A sociedade em que cada qual podia esperar ter um lugar, um futuro direcionado, uma segurança, uma utilidade, essa sociedade –
a sociedade do trabalho – está morta.”André Gorz[1]
Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional 
signorinironey1@gmail.com

Ensinou-me a professora de história no colegial, que a filosofia nasceu na Ásia Menor, porque lá havia uma sociedade opulenta, que não precisava trabalhar e podia dedicar-se ao “ócio criativo”. Tomei emprestada a expressão de Domenico De Masi, para quem “vivemos em um mundo não mais industrial, mas pós-industrial, cuja sociedade se dividiu em dois grupos: os analógicos, impregnados pelo industrial e com medo de mudanças, e os digitais, que têm mais facilidade com a informação e são predispostos às inovações”. Ele explica que fazemos parte de uma sociedade em que a vida adulta é/era dedicada exclusivamente ao trabalho, mas que isso está mudando.
O declínio dos empregos estáveis e de tempo integral é um dos sinalizadores dessa mudança irreversível. Se o medo de que o desemprego se espalhe por todo o planeta é real, o temor de que as máquinas tomem o lugar dos homens não é novo: no século XIX, luditas[2] destruíram fábricas que substituíam trabalhadores braçais por máquinas a vapor.
No entanto, na história das "revoluções produtivas" o desemprego é momentâneo. A introdução da máquina no campo substituiu o homem, que migrou para a cidade à procura de novos empregos. Quando na cidade a máquina tomou-lhe o lugar nas fábricas, o homem foi para a área de serviços. Ou seja, o homem é resiliente, tem inteligência de longe, o mais versátil e o mais móvel dentre todos os ativos econômicos.
A adoção de máquinas no lugar da mão de obra humana permitiu que todo o mundo se tornasse mais rico. E aumento no padrão de vida está diretamente relacionado a um aumento na quantidade de bens e serviços disponíveis – tudo possibilitado pela automação.
Erik Brynjolfsson, diretor do centro do MIT para negócios digitais, e Andrew McAfee, também pesquisador do órgão e ex-professor de Harvard, em seu livro The second machine age, afirmam que estamos vivendo a maior transformação na história desde a Revolução Industrial: os computadores estão fazendo para nosso poder mental o que o motor a vapor fez para nosso poder físico.
O problema é que a inovação está ocorrendo rápido demais. Se antes uma ocupação demorava décadas para sumir, hoje elas morrem num passe de mágica: por exemplo, onde estão as locadoras de vídeo? e vendedores, caixas,


atendentes e funcionários de escritórios já não estão sendo substituídos por inovações tecnológicas?
Solução? No curto prazo, Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee recomendam foco total na educação, estímulos para o empreendedorismo e apoio à ciência. Sobreviver nesse novo mundo exige novas competências e habilidades relacionadas à gestão da própria carreira como se ela fosse um negócio.
Se o emprego está em crise, o empreendedorismo, não. A era do “fim do emprego” é só o efeito colateral do início de outra era – a do empreendedorismo de massa.
Glauco Cavalcanti, em seu artigo “Tempos modernos – o fim do emprego de Carlitos”[3], criou um interessante quadro (que reproduzo a seguir) adaptado do livro de Fernando Dolabela Oficina do empreendedor[4]. Nele, descrevem-se as características que permitem que o empreendedor se adapte melhor ao novo mercado do que as pessoas focadas no emprego tradicional.

Empreendedor
Empregado

É visionário
Consegue ver o futuro para seu negócio e para sua vida.
Dependente
Necessita de alguém para tornar-se produtivo; para trabalhar, precisa de supervisão.

Sabe explorar as oportunidades
Identifica mercados e cria produtos revolucionários que atendem o consumidor.
Tem visão restrita
Não busca conhecer o negócio como um todo (cadeia produtiva, dinêmica dos mercados, evolução do setor).

É criativo
Cria produtos e serviços nos quais ninguém havia pensado antes.

Pouco criativo
Não se preocupa com o que não existe ou não é feito, apenas procura entender o que já existe, especializando e melhorando a ideia dos outros.

Sabe tomar decisões
Não se sente inseguro para decidir, mesmo em momentos críticos.
Pouco oportunista
Não se preocupa em transformar as necessidades do consumidor em produtos/serviços rentáveis.

É determinado e dinâmico
Comprometido com o que faz, atropela as adversidades. Mantém-se dinâmico e cultiva certo inconformismo diante da rotina.
Acomodado
Não é proativo, apenas reativo. Só percebe que está em perigo quando recebe a carta de demissão.

É apaixonado pelo que faz
Adora o trabalho que realiza, e é essa satisfação que o leva ao sucesso.
Medroso
Tem medo de errar, prefere participar de projetos com baixo risco e de preferência com algum supervisor com muita experiência de mercado.

Planeja
Tem um elaborado Plano de Negócio.
Estuda pouco
Não se atualiza e fica obsoleto para o mercado de trabalho, sua única forma de reciclagem são os cursos que a empresa fornece e julga importantes para o empregado.

Assume riscos calculados
Sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso.
Detesta tomar decisões
Sente-se ameaçado quando tem de tomar uma decisão e busca a solução menos arriscada e que gera menor desgaste pessoal.
Cria valor para a sociedade
Gera empregos, dinamiza a economia, inova e procura melhorar a vida das pessoas com seus produtos.
Não planeja
Vive o aqui agora, não está pensando no futuro, apenas na próxima visita da alta gerência da empresa. Seu único planejamento é para atender a chefia no curto prazo.

Nesse contexto, é difícil acreditar que algum dia se volte a ter algo parecido com o pleno emprego. Se o emprego da forma como o conhecemos hoje tende a ser cada vez mais escasso, por que continuamos exclusivamente a formar jovens para serem empregados? Por que não formamos também nossos jovens para serem empregadores? Ou, melhor, empreendedores?
O mundo está mudando profundamente e não se pode impor aos jovens desejos, anseios e medos de gerações passadas. É preciso formá-los/instrumentalizá-los para o empreendedorismo: para o trabalho autônomo, para o associativismo, para o cooperativismo, que surgem como novas possibilidades de geração de trabalho e renda na economia criativa.
Essa ideia das novas formas de trabalho, e não exclusivamente de emprego, tem de ser levada para o jovem desde o ciclo básico até a universidade, de modo que ele seja educado para a mudança e não para estabilidade. Ele deve ser ensinado a conviver com o risco e aprender com ele, a pensar grande, a ter autoestima, coragem, confiança e capacidade para gerir a própria vida, vendo na mudança oportunidade e não ameaça. Como já disse Érico Veríssimo, “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”.
Estão as IES preparadas para o desafio? De que lado da coluna estão seus colaboradores?


[1] André Gorz (1923-2007): filósofo austro-francês, também conhecido pelo pseudônimo Michel Bosquet. Como jornalista, ajudou a fundar em 1964 o semanário Le Nouvel Observateur.
[2] Ludita: partidário do ludismo, movimento coletivo, iniciado por Ned Ludd, que se estendeu pela Inglaterra desde o início do século XIX e que era contrário à mecanização do trabalho e visava à destruição da máquina, responsabilizando-a pelo desemprego e pela miséria social nos meios de produção.
[3] http://www.rh.com.br/Portal/Mudanca/Artigo/6337/tempos-modernos-o-fim-do-emprego-de-carlitos.html
[4] http://www.martinsfontespaulista.com.br/anexos/produtos/capitulos/535380.pdf

A Educação Nacional



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional 
signorinironey1@gmail.com


A Educação no Brasil, como um processo sistematizado de transmissão de conhecimentos, é indissociável da história da Companhia de Jesus. As negociações de Dom João III,  junto à ordem missionária católica podem ser consideradas um marco. No período da exploração inicial, os esforços educacionais foram dirigidos aos indígenas, submetidos à chamada "catequese" promovida pelos missionários jesuítas que vinham difundir a crença cristã entre os nativos. O padre Manuel da Nóbrega chefiou a primeira missão da ordem religiosa em 1549. Em 1759 houve a expulsão dos jesuítas (reformas pombalinas), passando a ser instituído o ensino laico e público através das Aulas Régias.  A partir de 1772, dá-se a implantação do ensino público oficial no Brasil (que manteve o Ensino Religioso nas escolas, contudo).

Durante esses quase 300 anos da história do Brasil, o panorama não mudaria muito. A população do período colonial formada além dos nativos e dos colonizadores brancos, tivera o acréscimo da numerosa mão de obra escrava oriunda da África. Mas os escravos negros não conseguiram qualquer direito à educação e os homens brancos (as mulheres estavam excluídas) estudavam nos colégios religiosos ou iam para a Europa. Os colégios de jesuítas negavam as matrículas de mestiços mas tiveram que ceder tendo em vista os subsídios de "escolas públicas" que recebiam.

Não se conseguiu implantar um sistema educacional nas terras brasileiras, mas a vinda da Família Real no início do século XIX permitiu uma nova ruptura com a situação anterior. Para preparar terreno para sua estadia no Brasil Dom João VI abriu Academias Militares (Academia Real da Marinha (1808) e Academia Real Militar (1810)), Escolas de Medicina (a partir de 1808, na Bahia e no Rio de Janeiro), Museu Real (1818), a Biblioteca Real (1810), o Jardim Botânico (1810) e, sua iniciativa mais marcante em termos de mudança, a Imprensa Régia (1808).

A educação, no entanto, continuou a ter uma importância secundária. Basta ver que enquanto nas colônias espanholas já existiam muitas universidades, sendo que em 1538 já existia a Universidade de São Domingos e em 1551 a do México e a de Lima, a Universidade Federal do Amazonas, considerada a mais antiga universidade brasileira, foi fundada em 1909. A USP de São Paulo surgiu em 1934.

Em 1822, havia propostas para a Educação na Assembleia Constituinte (inspiradas nos ideais da Revolução Francesa) mas a sua dissolução por Dom Pedro I adiaria qualquer iniciativa no sentido de estruturar-se uma política nacional de educação. A Constituição de 1824 manteve o princípio da liberdade de ensino, sem restrições, e a intenção de "instrução primária gratuita a todos os cidadãos".

Com a instauração da República (1889), a Educação sofreria mudanças mas sempre sob os princípios adotados pelo novo regime: centralização, formalização e autoritarismo. Passamos por cinco reformas: Reforma Benjamim Constant, Reforma Epitácio Pessoa, Reforma Rivadávia, Reforma Carlos Maximiliano e Reforma João Luiz Alvez. Ações meramente políticas deixando de contar com cientistas, intelectuais e a inteligenzia da época.
Só a partir de 1930 surgem as reformas educacionais mais modernas. Assim, na emergência do mundo urbano-industrial, as discussões em torno das questões educacionais começavam a ser o centro de interesse dos intelectuais.

E se aprofundaram, principalmente devido às inquietações sociais causadas pela Primeira Guerra e pela Revolução Russa que alertaram a sociedade para a possibilidade de a humanidade voltar ao estado de barbárie devido ao grau de violência observado nessas guerras.

O Decreto 19.850 de 11 de abril de 1931 organizou o Conselho Nacional de Educação e a Constituição de 1934 deu-lhe a incumbência de criar o Plano Nacional de Educação. Em 1932 alguns intelectuais brasileiros como Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira, dentre outros (no total de 26), assinaram o "Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova".

Desse modo, os intelectuais voltaram sua atenção para a educação, uma vez que, pretendiam contribuir para a melhoria do processo de estabilização social. Não demoraram muito a declararem a insuficiência da pedagogia tradicional diante da exigência do mundo moderno, capitalista, concluindo que as instituições escolares deveriam ser atualizadas de acordo com a nova realidade social.

O movimento educacional que surgiu naquele momento e que influenciou consideravelmente o pensamento educacional brasileiro foi o que nos Estados Unidos denominou-se de Escola Nova. Este movimento, valorizava os jogos e os exercícios físicos de forma geral, desde que servissem para o desenvolvimento da motricidade e da percepção. O seu desenvolvimento levava em consideração os estudos da psicologia da criança e buscava os métodos mais adequados para estimular o interesse delas, sem, no entanto, privá-las da espontaneidade.

Tanto o manifesto de 1932 como a constituição de 1934 traçaram pela primeira vez as linhas mestras de uma política educacional brasileira. Contudo, a constituição de 1934 durou pouco e foi substituída pela de 1937.
 Em 1942, o ministro Gustavo Capanema incentivou novas leis de reforma do Ensino, que ficaram conhecidas como "Reforma Capanema".

Alguns outros momentos no percurso educacional nacional merecem destaque como o contido na Constituição Brasileira de 1988 que em seus dispositivos transitórios dava o prazo de dez anos para a universalização do Ensino e a erradicação do analfabetismo. Ainda em 1996 surgiu a nova LDB - Lei das Diretrizes Básicas, que instituiu a Política Educacional Brasileira. A lei 9131/1995 criou o Conselho Nacional de Educação, substituindo o antigo Conselho Federal de Educação, extinto em 1994. Em 1990 foi organizado o SAEB - Sistema de Avaliação do Ensino Básico. Com a lei 9.424/96 foi organizado o FUNDEF - Fundo de Manutenção do Desenvolvimento do Ensino Fundamental (que depois de dez anos foi substituído pelo FUNDEB), que obrigou os Estados e Municípios a aplicarem anualmente um percentual mínimo de suas receitas (e desse montante, 60% pelo menos para o pagamento do pessoal do magistério).

Como se vê, não é possível contar a história da educação brasileira sem necessariamente se reportar aos momentos/movimentos políticos pelos quais passamos e com raras exceções alguns poucos com expertise educativa.
A bibliografia sobre é assunto é pequena, sobretudo a que tenha por finalidade analisar a função social da escola, buscando compreender as ligações existentes entre ela e as demandas de sua clientela escolar ao longo da história .

A educação escolar no Brasil, desde os primórdios de sua história, sempre foi pautada por uma forte tendência elitista e excludente.
A educação dada pelos jesuítas, transformada em educação de classe, com as características que tão bem distinguiam a aristocracia rural brasileira, que atravessou todo o período colonial e imperial e atingiu o período republicano, sem ter sofrido em suas bases, qualquer modificação estrutural, mesmo quando a demanda social de educação começou a aumentar, atingindo as camadas mais baixas da população e obrigando a sociedade a ampliar sua oferta escolar.

Uma mudança a ser destacada foi a instituição do Ato Adicional de 1834, que atribuiu às províncias como medida de descentralização a criação e a manutenção do ensino primário e secundário.
O resultado foi que o ensino, sobretudo o secundário, acabou ficando nas mãos da iniciativa privada e o ensino primário foi relegado ao abandono, com pouquíssimas escolas, sobrevivendo à custa do sacrifício de alguns mestres-escolas, que, sem habilitação para o exercício de qualquer profissão rendosa, se viam na contingencia de ensinar. O fato de a maioria dos colégios secundários estarem em mãos de particulares acentuou ainda mais o caráter classista e acadêmico do ensino, visto que apenas as famílias de altas posses podiam pagar a educação de seus filhos.

A Constituição da Republica de 1891, consagrou o sistema dual de ensino e oficializou a distância entre a educação da classe dominante (escolas secundárias acadêmicas e escolas superiores) e a educação do povo (escola primária e escola  profissional).

No início do século XX, fatos relacionados ao crescimento da importância das cidades, à explosão demográfica, a industrialização e a urbanização, seguidos da emergência de uma classe média e da imigração, forçam a sociedade brasileira a propor mudanças no campo educacional.
Entre os anos de 1920 e 1930 ocorreram várias reformas que cada Estado acabou implementando porque o Congresso não se “mexia.”
.
Em 1932, ocorre à divulgação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, movimento que marcou a educação nacional e defendia a ideia de uma educação pública, gratuita e laica para todos os cidadãos brasileiros.
Desnecessário dizer do insucesso.

Então chegamos a trancos e barrancos nos anos 1964 e seguintes com forte expansão da educação superior para evitar que os classificados nos vestibulares engrossassem a fila dos excedentes. Uma vergonha que alijava milhares de estudantes da oportunidade de estudos superiores. Estes, carregando outro fardo vergonhoso de ter estudado o Fundamental e Médio em escola pública, de sofrível reputação a ter de estudar em faculdade particular. Inverso senso, os originários de bons colégios buscavam as vagas públicas superiores, no mais, com evidente êxito.
Dezenas de ministros da educação em recente e curto espaço de tempo, desacertos nas propostas estapafúrdias como o Enem, o Enade, as obsoletas Diretrizes Curriculares, o Fies e todo o cipoal que o envolve, as cotas e muito mais, para não falar no regime/sistema de avaliação das instituições de ensino..