quarta-feira, 25 de agosto de 2010

PROPOSTA PARA OS PRESIDENCIÁVEIS

São Paulo, 25 de agosto de 2010
Prezado(a) candidato(a)

Dentro das limitações impostas para apresentar uma sugestão educacional ( 10.500 caracteres – Arial 12 ), fico à disposição para ampliar em outro documento o que trato abaixo
( roney.signorini@superig.com.br ):

Lembrando a máxima de “quem veio primeiro o ovo ou galinha ?”, me arrojo em afirmar que
a primeira preocupação de V.S. deve ser, por ordem, focar a máxima atenção nos cursos de Pedagogia e Licenciaturas, ou seja resolver a a questão das formações que preparam tais licenciados.
Estes,deverão esta nas salas de aulas do Fundamental e Médio com excelentes capacidades e habilidades.
Mas, de onde eles viriam para estar frente da infância e juventude(adolescentes ) ?
Simples: egressos de cursos de excelente qualidade ( públicos ou privados ) tendo se submetido ao melhor dos currículos e respectivos conteúdos programáticos ( disciplinas ), habilitando-se não só para o presencial como também para o virtual. Quanto a este último, nada existe, nada se propõe, é mistério abissal.

Até aqui, verdadeira esbórnia, incoerências e incongruências formativas. Com a palavra a educadora Eunice Duran. Aqui, não confundir práticas com estágios nem com atividades complementares.
Então, obtido tal grau de excelência, vamos conduzi-los para o trabalho nas salas de aulas do ensino básico de tal forma que efetivamente preparem os alunos à postulação da etapa seguinte, seja tecnológica ou bacharelado.
Com tal medida estaremos resolvendo alguns problemas:
a)eficiência e eficácia dos ensinos fundamental e médio;
b)proficiência para o ensino superior;
c)acabar com seletivos/vestibulares que unicamente se parametrizam pelo número de vagas admitidas por turno, conforme o CNE, que as IES, públicas ou particulares, se submetem, como se não houvesse disponibilidade territorial/espacial nelas para receberem mais alunos.
É preciso urgentemente acabar com essa camisa de força deixando à ociosidade milhões de carteiras e milhares de metros cúbicos ocupáveis. Temos pressa, muita pressa.
d)no particular seguinte, aqui sim, baixar normas de aprovação no mínimo 7,0(sete) para aprovação ao longo do curso, para evitar aprovações que não ganham uniformidade nacional pois bacharelar um com média final 5,0 e outro com média 6,0 ou 7,0 é promover o facilitismo brasileiro e da lei de Gerson.
e)abandonar a premissa que só Mestre e Doutor tenham espaço na universidade pois quem conhece o “chão da fábrica “ ( no mínimo graduados ) pode ensinar muito mais que os da “academia”. As maiores e melhores universidades do planeta avalizam tal assertiva.
f)propiciar subsídios ou incentivos para tais formações, junto às instituições privadas, de modo a quase gratificar tais cursos aos interessados, pois há alunos que custeiam seus estudos sem a menor perspectiva de zerarem os custos em quatro ou cinco anos após formados.

Como disse, há muito mais por ser dito e considerado nessa linha de pensamento: valorizar a formação de licenciaturas. Antes mesmo de crivar o ensino superior, o que pode ser concomitante até aguardar a primeira desova. Ou seja, plano/proposta de alcance no médio ou longo prazo. Não existe fórmula ou forma intermediária. É ou vai ou vai .

Requisitos para avaliação de proposta: MUITA CORAGEM E VONTADE POLÍTICA.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fim dos Professores

(autoria desconhecida)

Está trafegando na internet o texto abaixo, do qual me aproprio.
roneysignorini@ig.com.br

CRÉDITOS : o e-mail que me chegou trazia no final as indicações:
Participação: Luciano Zanelli (Copacabana – Rio de Janeiro)
Formatação: Rosa Ro rosa-ro@uol.com.br

O ano é 2.109 D.C. - ou seja, daqui a cem anos - e uma conversa entre avô e neto
tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando?
A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom, vem a resposta:
– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?
O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
– E como foi que eles desapareceram, vovô?
– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas, sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.
Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos.

Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para quê estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas públicas e particulares, estas, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos.
Viraram saco de pancadas de todo mundo.

Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse.
“Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas.

Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.
Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor.
As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país. Eles fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos... Foi o tiro de misericórdia nos professores..

Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.
– Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?
– Era, meu filho, era, não é. Também não existem mais...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tá com a Razão mas vai Preso – Ultimato de uma Discussão

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Em artigo publicado em vários sítios, na última quinta-feira, dia 12, Roberta Muriel ( leia-se Carta Consulta – Editau ) publicou o artigo (www.abmeseduca.com ) que faltava para esconjurar as recentes medidas de avaliação propostas vias transversas para a avaliação das IES: Avaliação ? Contratem Um Cérebro, Urgentemente !!!. Recomendo sua leitura, também urgentemente, porque tem-se pela frente uma safra de avaliações in loco, calendarizadas. E mais, dar um “print” no texto para distribuir a todos os colaboradores de direção das IES. Fala nos diversos enroscos e “imbróglios” que sujeitam daqui pra frente a saúde das escolas superiores, à mercê e à deriva dos sistemas normativos, sem nexos de causa e de caso. Coisa do tipo “vamos ver no que dá”.

É dela também a afirmativa de muita propriedade que os problemas são inúmeros e a possibilidade de, mesmo seguindo os instrumentos, estarmos em falta com o atendimento à legislação é enorme. E a conseqüência já se sabe: não fez nada mas vai preso do mesmo jeito.

Com a saúde abalada pelos transtornos anteriores da prova fraudada, do vazamento de dados pessoais e mais agora com a questão da impressão das provas do Enem, o INEP está fervendo com graus além da ebulição. Alguma dúvida que há conspiração, sabotagem e demais lá dentro ? Senão isso, como explicar, incompetência, inabilidade, não são do ramo, desdém com milhares de instituições e milhões de alunos ? Bons tempos os de profa. Maria Helena Guimarães.

A irresponsabilidade do órgão é muita e chegou no fim da linha, a se cobrar do Ministério Público medidas saneadoras do ensandecimento regulatório ali dominante.

Como bem diz a autora, não se trata de aceitar ou não as mudanças, embora seja uma constante no setor. Até porque, como regra de vida, nada é mais certo do que as mudanças.

Mas, o jogo começou dia 2 último, o semestre está em curso com tudo locado e alocado.

E agora, especialmente quanto ao corpo docente, dispensa e contrata outros ?

Pode ser um jogo semântico: houve mudança, transformação, substituição, reposição ou modificação nos últimos dispositivos, principalmente o Ofício Circular 048, Ofício Circular 067, o Parecer Conaes 04 e o Projeto de Resolução nº 01, este último tratando do Núcleo Docente Estruturante (NDE)?

As milhares de IES pelo território estão sem ação ainda que interessadíssimas no atendimento das novas posturas, mas sem um amparo de assessoramento jurídico-educacional estarão todas sujeitas a apedrejadas, à moda iraniana.

As novas disposições mostram-se ardilosas até pela incúria na manutenção técnica do site do MEC, que insere o novo mas não retira o velho, deixando o consulente com expressão de ué !

Em boa oportunidade a CONSAE ( www.consae.com.br ), de Belo Horizonte, está programando com experts o seminário Regulação, Supervisão e Avaliação: aspectos jurídicos. Quem sabe aí estará a oportunidade para desembaçar o vidro, sem o que, com certeza, vai bater de frente. E vai machucar muito.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

APROVA ou REPROVA — Avaliação sob julgamento

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Inicia-se um novo semestre letivo. Estarão nas salas de aula os rematriculados e os novos ingressantes dos seletivos. Os primeiros talvez tenham sido promovidos com aprovação total no semestre anterior ou carreguem alguma(s) dependência(s). Os segundos, muitos com mínima qualificação e capacitação para a carreira universitária, mesmo assim lograram ingresso. Outros deles atravessaram o vestíbulo da universidade carregando aprovações automáticas da educação básica. (Aliás, o candidato ao governo de São Paulo Aloísio Mercadante tem posição firmada, declarando que acabará com a aprovação automática nas escolas paulistas, se for eleito, mas não promoverá uma política de repetência dos estudantes da rede pública.)

Ambos os alunos (rematriculados e ingressantes) se sujeitaram a provas para a continuidade dos estudos. Mas, suas avaliações terão ocorrido com eficácia ou as aprovações decorreram de muita tolerância avaliativa, prevalecendo outros interesses do avaliador?

O que está subjacente à avaliação do educando na escola é o conhecimento disponibilizado pelo educador, portanto, ela se impõe aos dois. É essa constatação que explica o medo instalado hoje nas salas de aula em dias de provas/exames, aterrorizando docente e discente e levando à indagação: para que o conhecimento se ele não é testado e avaliado? Qual a validade do teórico se não é posto em prática? Dúvida de ambos. O primeiro quer testar e o segundo quer a nota.

A inexorabilidade da substituição, do upgrade do conhecimento – do que até neste minuto era atual e ficou obsoleto – mostra que os ciclos tecnológicos com respectivas rupturas são apavorantes. Imagine-se o conhecimento obtido no início de um curso e que, ao final dele, não terá a menor importância e valor porque ficou velho.

Assim será (ou já é?) a sociedade do conhecimento, que interioriza a sociedade avaliativa – ou valoradora, ou avaliadora – sem distinguir, com efeito, onde começa a informação e onde termina o conhecimento. E se uma ou outro leva ao saber, evitando-se a chamada “indústria da cultura inútil”.

Eis uma situação típica de imbricação do conhecimento/informação, quando o conhecimento passa a ser o maior, o único tesouro e principal bem de consumo, conforme Peter Drucker (o guru do marketing), para quem é imperativa a necessidade de mantê-lo permanentemente atualizado. Mas, se a informação leva ao conhecimento e se transforma em saber, que se consolida e estratifica pela sua validação/constatação utilitária e consumerista, que papel tem aquele que aprova, avalia, dá certificação e validade ao conhecimento? O próprio detentor do conhecimento, na sua utilização ou não, assim como o avaliador que imprime o seu passed e o utilizador final (sociedade) são os degustadores desse produto e, portanto, também responsáveis por sua aprovação.

Se a sociedade está disposta a abrir mão de qualidade garantida, em qualquer campo da atividade humana, avalizada/avaliada, é direito próprio, mas não do avaliador. A tarefa responsável, portanto, está antes no avaliador, no agente do processo que visará como fim aos resultados.

Então, o que é possível verificar sobre avaliação educacional, estabelecendo uma diagnose nos processos cognitivos dos estudantes, na avaliação do aprendizado?

Até pouco tempo, um Plano de Ensino de disciplina era elaborado visando integrar um currículo de curso com algumas premissas: ementa, objetivos, conteúdos programáticos, metodologia, avaliação e bibliografias (básica e complementar). Tudo permeado com trans e interdisciplinaridades. Em algumas instituições, inclusive o Plano de Aulas.

Com algumas discussões na "semana de planejamento pedagógico", sempre antes do início do ano letivo, consideravam-se o público-alvo, o mercado de trabalho, as mudanças e alterações do cenário sociopolítico e econômico, etc. Com o surgimento das Novas Diretrizes Curriculares, cujo propósito é contemplar o entorno das disciplinas ou ir além delas, com o estabelecimento de competências e habilidades sob impregnância no educando, a tarefa de avaliar o nível e grau de aquisição de conhecimentos dele tornou-se perigosa. Deixa o professor/avaliador em duas situações bastante incômodas: a de refém ou de cúmplice do aluno nessa avaliação. Mas a avaliação responsável e isenta do avaliador, com ele próprio, com o aluno e com a sociedade, não permite dúvidas e fragilidades.

Avaliação equivocada ocorre porque o conhecimento proposto era um equívoco, de forma e conteúdo, e suspeito é o avaliador que se coloca ambiguamente, ao desdém do que deve(ia) ser ensinado, porque precisa ser aprendido. Não é mais possível o uso do velho clichê "o aluno será capaz de..." e completar a frase com qualquer verbo no infinitivo. Pode ser o coração, mas não é a alma do que deve estar contido nos objetivos e justificativa da disciplina.

Sabendo que o ensino e o aprendizado devem ser conduzidos para estimular, provocar no educando uma consciência de construção, interatividade e crítica, visando descobrir e mergulhar em habilidades e competências pessoais, conduzindo a alguma capacitação, o educador sempre levará em conta os resultados impostos e a se obter do processo, ou nas palavras de T. Kellaghan, “a busca por resultados responsáveis”. Cresce significativamente tal responsabilidade na medida em que os currículos mínimos e plenos deixaram de ser a sustentação basilar na formação profissional do aluno. Há muito mais situações e acontecimentos sendo aplicados no ensino atual, impensáveis há dez anos.

Aplicação, essa é a palavra do momento no ensino, aliás, a volta dela. A agenda reformista da educação é sempre dominada pelos modismos, por algum tempo. É preciso, a qualquer custo, ampliar o potencial de uso e aperfeiçoamento das capacidades de avaliação dos professores com relação aos alunos. Nisso reside, no mínimo, o acerto da escolha. Não deve ser a busca da aprovação na “coitadice” nem a reprovação na “vitimez” do avaliado.

O emprego adequado de um "molde de avaliação" , sem extremos e exageros, torna-se um facilitador nessa tarefa tão difícil. Afora poder colocar em sacrifício absoluto o futuro de um jovem, sobretudo o que está em desencanto com o ambiente atual e dele foge, se rebela e se angustia pela aparente falta de perspectivas socioprofissionais.

Essa moldura, entretanto, não é fórmula, padrão ou gabarito estabelecido. É antes um método pessoal, pelas singularidades do avaliador e do avaliado. Deve-se caracterizar como ato de neutralidade, sem a rixa ou acidez inquisitória. Não deve mostrar-se como esgrima rancorosa, desafiadora de quem, não obtendo resposta satisfatória, desabafe "...eu sabia que você não sabia" ou "...tinha certeza de que você não responderia".

As habilidades e competências podem dar sinais indicativos apropriados na elaboração de um momento de avaliação. Por consequência, na construção de uma vida profissional mais realizada. Adequada às aspirações pessoais, grandes ou pequenas porém autênticas.

Desse modo, aqueles objetivos da disciplina têm de ser repensados, refeitos para outras realidades e dimensões: a das competências e habilidades, fulcro do ENADE.

Não é tarefa simples para quem não está inserido nos mercados e desconhece perfis. Só por esse aspecto, hoje, o PDI ganha importância fundamental na montagem de um curso, e deve estar sob a batuta de um competente coordenador.

A juventude atual tem forte razão para a recusa em ser avaliada, de fora para dentro, à moda antiga. É simples, certo ou errado, possível ou não. O jovem admite ser avaliado, porém, de dentro para fora. Não admite ser questionado pelo avaliador sobre o que ele não sabe, mas deveria saber, e o avaliador insiste em saber o que ele não sabe. Será que o avaliador não sabe que não adianta querer saber o que o avaliado não sabe? A questão central é por que o aluno não sabe? Por incrível, a resposta todos sabemos.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Bomba, Bomba !

Prof. Roney Signorini
Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Embora com 64 anos de idade, e não entenda nada de armas nem de munições, começo a pensar na possibilidade de fazer um curso sobre esses artefatos, tiro ao alvo, defesa pessoal, e comprar revistas especializadas. Quem sabe iniciar por estágios em “paint ball”. O mais perto que chego sobre algo contundente é o velho estilingue e nunca consegui sequer acertar um pardal, na infância.

Mas, cá pra nós, o futuro se avizinha em escuridão, preto total, de onde precisarmos todos nos tornar Senhor da Guerra ou Senhor das Armas.

Essa foi minha percepção ao ler notícia no site www.notícias.r7.com sobre as declarações do candidato do PSOL à presidência nas próximas eleições,Plínio de Arruda Sampaio, mais um que começa a dar tiros pra todo lado, nas quais ele “defende o fim das escolas privadas”, querendo tornar o sistema educacional totalmente público. Valha me Deus ! É o que faltava para uma festança, tipo farra do boi educacional.

O candidato está senil para ocupar o cargo pretendido ou antes da entrevista se entregou a Baco. Por mais razões que ele tenha ( ? ) com tal afirmação/proposta, com certeza, não ganhou nem mais um voto. Seja pelo tresloucado e disparate, não quanto à idéia mas quanto a realidade numérica e estatística que se mostra.

Os números falam por si quanto ao universo de alunos no básico e no superior, ao volume de escolas, cursos, e sobretudo valores. O SEMESP — www.semesp.org.br — abriga tais informações, senão também o MEC-INEP.

O candidato sabe quanto custa um aluno em escola particular e o mesmo aluno na pública ?
Nas públicas, em alguns deles, 2 ou 3 vezes mais, em outros, 4 a 5 vezes mais.
O patrimônio/investimento das particulares ronda aos bilhões de reais.

Mas, vamos à crítica construtiva sobre as afirmações do candidato, ainda que com ironia, por força de estilo:

1-)Com a medida ele pretende o fim das escolas particulares evitando a desigualdade social no país. É mesmo por aí ?;

2-)Os imóveis dessas escolas devem ser desapropriados para que o acesso ao centro (?) se torne universal e cita o Colégio Santa Cruz, de São Paulo. O candidato não conhece o patrimônio das demais escolas, básicas ou superiores ! ;

3-)Duvidando da meritocracia, os professores devem receber o mesmo salário. Com todo o respeito, o candidato sabe do investimento pessoal de um professor do Piauí e de São Paulo ou Rio de Janeiro ?;

4-)Ao se referir ao ProUni afirma que é preciso dar mais atenção ao ensino básico, antes de investir muito no universitário. Prezado candidato, com todo o respeito, novamente, recomendo ler uma crônica do Stanislaw Ponte Preta que relata a saga de uma madre dirigindo uma Lambretta pela Ponte da Amizade, em eventual contrabando de algo.

5-)Ao se referir às cotas ele diz que “de certo modo é um mal necessário e que na verdade não deveria ser racial, deveria ser de pobreza. Comé que é ? Certa feita meu motorista se apresentou pedindo aumento de salário porque a mulher dele estava grávida, sem que eu tivesse feito sexo com ela. Eu deveria pagar pelo “bem bom de alguém” ? Pode ?

6-)Quanto à educação no campo é enaltecida a ação do MST, cujos expedientes seriam a redenção. Um momento, vamos organizar o galinheiro. Solução educativa para qual fim? Ocupar/invadir terras de outrem sem que a Lei admita ? É negar o Poder Legislativo! ;

7-)Quanto à religião, deveriam fornecer curso de pensamento religioso e os estudantes obrigados a participar da escolha. Os pais dos alunos deveriam ter o direito de escolher a religião do professor. Quer dizer, a comunidade é quem escolhe as habilidades e competências do docente, não importando suas propriedades profissionais e formativas mas só em função da prática religiosa ?

Nesse quesito, questionado se a religião poderia tornar-se um tema de segregação entre o povo brasileiro o candidato admitiu que o risco existe,. “mas também existe o intercâmbio de cultura”. Ah! existe mas qual a solução e efetividade dos resultados?

Desculpe os contraditos no foco ideológico. Deram-se por razão de deferência ao septuagenário, a quem credito respeito pela cultura e Inteligência.
Sem bola de cristal na minha frente, não vai dar certo, não mesmo, embora adote o bordão latino “traditiones mores majorum”.

Em Tempo, recomendo a leitura de excelente artigo/considerações sobre o Ensino Privado, Benefício Público, autoria de Luiz Roberto Liza Curi ( www.amanhã.com.br ), de 28/07/2010, replicado no blog www.abmeseduca.com

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Inteligentzia Eleitoral

Prof. Roney Signorini
Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Nunca fui partidário político senão pela forma de governo: republicano e democrático.

Avizinhando-se outro momento de eleições, os candidatos começam a dar tiros pra todo lado e os eleitores ficam reféns de afirmações e promessas de campanhas que extravasam o bom senso, ou melhor, vão ao risível, ao ridículo, como o perpetrado pela candidata Dilma ao prometer em entrevista de rádio numa emissora de Londrina, no Paraná, que criará, com o ProMédio, bolsas de estudo em escolas privadas para alunos de baixa renda, abrindo vagas no ensino particular a alunos carentes. A promessa decorre do ranking divulgado pelos resultados do Enem, que apontou o enorme desastre do ensino público.

A candidata não está interessada em alocar verbas para melhorar o fundamental e o médio em escolas públicas, mesmo com os demonstrativos de que tais escolas estão em desespero socioeducacional. Não, ela quer resolver por vias políticas que os carentes, mais uma e outra vez, se beneficiem do cardápio de benesses de outra “bolsa” no curtume governamental.

Para ela, o programa funcionará(ia) nos moldes do ProUni, que oferece vagas em faculdades ou universidades particulares, com todas as mazelas de seus resultados. Dilma admitiu que “Fica claro que as escolas estaduais e municipais se saíram bastante mal” , quando comentou sobre o resultado do Enem, no qual escolas privadas tiveram os melhores resultados. Nem poderia ser diferente. Alguma dúvida ? Ora, ora, santos e divindades!

Resta saber se a “coisa” acontecerá por adesão e voluntariedade das IES particulares ou por “decreto”.

Aliás, não se sabe porque ainda não subjugaram as escolas da educação básica às avaliações pretorianas a que o Inep submete o ensino superior. Seria porque é “possível” avaliar escolas de educação superior, públicas e privadas nos mesmos gabaritos? Engano, crasso erro. Nada a ver.

Em recente artigo publicado pela Consae, sob o título “A Agonia das IES Nanicas”, o autor, Samuel José Casarin, com todo o respeito pela autoria, se equivoca no título da matéria. As IES, localizadas em cidades com até 50 mil habitantes estão, isto sim, em total desespero, na beira do abismo. Não contra o “canibalismo” das grandes e também das médias instituições mas ante o holocausto. Seja em presencialidade, seja em EAD. Não tem volta nem atalho. Aliás, o texto do autor é rico em detalhes estatísticos que comprovam as “quebras dos empreendimentos nanicos” (www.gestaouniversitaria.com.br).

Qual organismo educacional pode sobreviver diante da volúpia legisferante como indica o portal www.enciclopediadaeducacao.com.br, quando 13.606 normas querem regular a educação no país? É o acervo atual que acumula mais de 30 itens entre portarias, pareceres, despachos, resoluções, decretos, medidas provisórias, etc. etc. É bolero, cha-cha-cha, tango, valsa, funk e polca à vontade. Santa Maria!

Só para registro, com os resultados do Enem 2009, está consolidado que das mil piores escolas do país, 97,3% são estaduais. Como dizia o prof. Wagner Horta, em escola de ensino ruim a vítima é você, aluno.

Nenhum candidato, nem mesmo o atual governo, se deu conta de que a solução, definitivamente, está mais embaixo, com a formação ideal e adequada dos alunos de hoje que serão professores amanhã, ou seja, tratar com a máxima atenção os fazeres das pedagogias e das licenciaturas. Não temos professores capazes por competências e habilidades no manejo do fundamental e médio, porque tais cursos de formação não têm pessoal para tais propostas. A educação formativa na pedagogia e nas licenciaturas é mais do que deficiente, é mentirosa, e ninguém assume a irresponsabilidade. Currículos anacrônicos, conteúdos defasados, laboratórios inexistentes, aplicação de estágios e práticas obsoletos, tutores senis, salários em perspectivas irrealistas com o mercado colocam tais cursos em marcha a ré. Salvo melhor juízo de avaliação, pouquíssimos são os cursos que preparam pedagogos e licenciados para a EAD. Não conquistam capacitação para essa modalidade. Pode?

Novamente, o articulista Samuel José Casarin mostra isso com muita competência na amostragem da participação de grandes grupos na educação EAD. Os números falam mais do que a retórica.

Então, para os milhões de rádiouvintes que escutaram a baboseira de Dilma, configura-se estelionato educacional ou eleitoral? A candidata está inteirada do universo que compreende uma proposta dessa natureza, baseada em números históricos do real significado na eventual implementação do ProMédio? Com tal projeto o que fica de preocupante é que o governo de fato assumiria que suas escolas básicas não têm a saúde necessária para preparar os estudantes à universidade. E mais, gravíssimo, leia o publicado na Gazeta do Povo, transcrito a seguir, dando visão clara dos desacertos em políticas de não resultados de 8.165 “tadinhos”:

Eles passaram no ProUni, mas não ganharam a bolsa
Gazeta do Povo – 19/07/2010

“Abriram uma porta e logo depois a fecharam na minha cara”. Dessa forma o motorista Roberto Cosme Raimundo, 33 anos, explica a sensação de conquistar e perder, no mesmo dia, uma bolsa de estudos do Programa Universidade Para Todos, o ProUni, em que o governo federal concede bolsas em instituições privadas de ensino superior. No começo de julho, ele soube que havia sido pré-selecionado na segunda chamada para o curso de Comunicação Social com habilitação em Ra¬¬dialismo da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Na hora da matrícula, descobriu que a bolsa tinha sido cancelada, porque a instituição não havia recebido número suficiente de inscrições para formar uma turma.

O estudante não é o único bolsista do ProUni a enfrentar esta situação. Só no primeiro semestre deste ano, 8.165 candidatos tiveram a mesma decepção. Segundo o Ministério da Educação (MEC), esse foi o número de pré-selecionados pela nota do Enem, mas que acabaram sendo reprovados por não haver alunos suficientes para formar turma. O número representa 6,5% das 125.496 bolsas ofertadas para o período.
Então, pode ?

Em quermesse de igreja, o estande do coelho não tem porta pra ele entrar e assim pode levar um tiro, do atirador caolho, sem pontaria, do estande vizinho. O leitor está com a palavra.

Mesmo assim, os mantenedores das IES superiores estão com a atenção voltada para a “qualidade” de suas atividades e expedientes formativos frente às avaliações movediças, que pra tirar animal caído nelas só dando um tiro de misericórdia, na testa.

O presidente Lula faz tanto esforço para impor sua avaliação sobre a conduta do Irã na questão do enriquecimento do urânio, por que não fazer o mesmo para colocar um dedo no problema da educação básica? E já está tarde demais.

Pensa-se muito na Copa de 2014, mas ela não é tão importante quanto o futuro da educação nacional.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um tesouro chamado EGRESSO

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Em outras oportunidades já destaquei a imensa importância que as IES deveriam atribuir aos egressos de seus cursos, voltando-se com políticas atraentes para a manutenção da relação deles com a escola (se é que ela existiu desde o ingresso, como manda o figurino), como quem cuida de um cliente cativo, reputando o MKT da fidelidade.

Afinal, o maior tesouro de uma escola é o aluno. Podem existir prédios, corpos docente e administrativo, bibliotecas e laboratórios, mas sem o aluno a escola padece, perece e desaparece.
São poucas as IES que dão atenção ao seu egresso e pouco se sabe deles após a solenidade de formatura.
Sequer podem se cadastrar numa AEA – associação de ex-alunos – por esta inexistir ou ex-alunos não se prestarem a alvo de pesquisas, por exemplo, a ser feita pela CPA da instituição.

Assim, com bom motivo, razão e propriedade, a Carta Consulta, de Belo Horizonte, vai promover em agosto um curso sobre a Política de Egressos — coisa nova por aqui —, contando com palestrantes americanos que sabem das coisas, três grandes nomes da gestão universitária americana. E que trajetória profissional eles têm, incríveis e inusitadas.

O relacionamento com alunos egressos é uma das mais importantes questões para a gestão universitária brasileira, lamentavelmente, insisto, quase inexistente no setor. Os egressos podem auxiliar no recrutamento e na retenção de alunos porque são os principais "opinion makers" do produto ensino, que consumiram. Assim, depoimentos e testemunhos autênticos consolidam uma boa imagem de serviços obtidos. Podem constituir uma base de empregadores potenciais, se mantiverem um longo vínculo com a IES. Mas não, até o foco da educação continuada é relegado, pois não se abre a eventual pós-graduação. Este relacionamento, muitas vezes, é ignorado como um recurso e não faz parte do plano estratégico da instituição.

Mas como pensar e estabelecer uma política de egressos capaz de gerar recursos humanos e financeiros para o nosso sistema educacional? Como usar o máximo do potencial dos egressos? Um caminho pode ser trilhado pela análise de políticas de sucesso, implantadas e desenvolvidas por instituições que prosperam em mercados altamente competitivos. Está aí uma oportunidade para quem nunca ouviu falar do assunto.

EGRESSOS EM CAPTAÇÃO DE ESTUDANTES

Muitas escolas subestimam a importância de terem os egressos envolvidos em seu plano de captação de alunos. Os egressos desempenham um papel fundamental em ajudar sua “alma mater”. A questão é se todos os bons alunos com alto nível de empregabilidade se disporiam a dar seus testemunhos. Quem arrisca a resposta?
Um dos palestrantes da Carta Consulta, o professor Trent Argo (Georgetown College – Oklahoma Baptist University), foi Diretor de Captação, Retenção, Seleção e Desenvolvimento de alunos da Oklahoma, bem como, na mesma função, da Campbellsville University. Aí desenvolveu planos de marketing e Estratégia para Crescimento dessas universidades com aumento de 198% para os projetos de captação e retenção. Foi presidente da Associação Americana dos Diretores de Captação de Estudantes das universidades americanas. Ou seja, cá pra nós, nunca ouvimos falar que isso existe(ia).

PARTICIPAÇÃO ATIVA DE EGRESSOS NA IES

Os egressos são o maior recurso que as Instituições de Ensino têm e, sem a participação ativa deles, as IES não podem alcançar seu melhor potencial. Um pequeno perfil da professora Libba Andrews, outra participante do seminário: nos últimos 20 anos, ela atuou em uma série de funções na Universidade Estadual do Mississipi (MSU) e atualmente detém o título de Diretora de Relações com os Egressos, gerenciando um universo de mais de 115 mil ex-alunos. Com esta capacidade, ela tem sido responsável por elaborar o plano estratégico da Associação dos Egressos.

RELACIONAMENTO COM OS EGRESSOS

O tema relações com egressos é um dos assuntos mais críticos para as instituições de ensino hoje. Relações saudáveis com os egressos reforçam a base de apoio das instituições de ensino nas áreas de captação de novos alunos, retenção dos alunos atuais e sustentabilidade financeira dessas instituições. Quem argumenta com bases sólidas e profundos conhecimentos sobre a matéria é o professor J. Robert Gaddis, também da Campbellsville University. Com um currículo bem diferenciado, o Dr. Gaddis tem o bacharelado em Música e Mestrado em Educação pela Universidade do Kentucky. O foco de sua atuação é na direção de programas de música com espantoso crescimento de 25 programas de graduação para os atuais 160, entre graduação e pós-graduação.

Fato é que a desatenção aos egressos vai além da desídia institucional, negligência e descaso, porque não é interpretada como um dos canais mais vivos de interação e comunicação com a coletividade, que se avoluma a cada formatura, podendo atingir números muito significativos, decorrentes de alguns anos na oferta de cursos.
E hoje, com a internet, não há o que se pensar em custos para "falar" com todos eles, seja um expediente simpático de cumprimentar pelo aniversário, seja para informar sobre uma atividade de extensão ou algum curso de especialização, seja um convite para a comemoração de alguma efeméride, etc. Em pouco tempo acaba se tornando uma rede social das melhores (e que já existe, por iniciativa dos próprios ex-alunos, basta conferir no Orkut, Facebook e outros). E mais, o egresso solteiro de hoje é pai amanhã, com prole caminhando para os estudos.