segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Abandonando o lugar-comum



“Não se pode resolver os problemas utilizando o mesmo
tipo de pensamento que usamos quando os criamos.”
                                                                 Albert Einstein

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com
Dia desses fiz rápida leitura sobre os textos deixados neste blog, em 2015, para confirmar os conteúdos aqui alocados ao longo do ano. e foi gratificante conferir o nível das colaborações que se apresentaram. Como de praxe, algumas suscitavam leitura demorada e aprofundada, outras exigiam ser arquivadas para posterior avaliação. Inequivocamente todas conduzindo a reflexões preocupantes, sobretudo as que abordavam o uso de novas tecnologias de informação e comunicação(TICs) no ensino superior, pois tratavam de práticas educacionais que têm modificado substancialmente os paradigmas da educação, presencial ou  a distância.
A utilização das mídias digitais e da Internet propiciou o desenvolvimento não só da educação a distância, mas também de um modelo pedagógico mais interativo e colaborativo, permitindo modos de interação. Contudo, observa-se que não há um consenso em torno da viabilidade, da aplicabilidade efetiva com o uso de novas práticas educacionais.. Há muita timidez ou receios dos operadores da educação em aceitar, homologar, definir e decidir por medidas e iniciativas que considerem sua adoção. Melhor dizendo, a teoria pode estar amedrontando diretores e coordenadores como bichos-de-sete-cabeças, que exigem na implementação e à prática profissionais que deem cabo da tarefa, muitos deles, ainda, escravos da resistência e da mesmice.
Há referências a processos inclusive colocando teóricos em confronto com as realidades de mercado, mais exacerbadas junto às PMIES (Pequenas e Médias Instituições de Ensino Superior), maioria absoluta no país, que provocam tanta preocupação quando o assunto é qualidade desejada ou possível.
O desenvolvimento de novas TICs modificou o modo de organização das sociedades. A digitalização, o armazenamento e a transmissão de informações tornaram-se possíveis com as inovações na microeletrônica e na computação. Assim, o século XXI vivencia mudanças consideráveis na infra-estrutura de diversos setores sociais, como na economia e na difusão da cultura. Na educação – e especificamente no âmbito do ensino superior –, não é diferente.
O que parece ainda não ter ficado absolutamente claro e evidente é que não há como voltar atrás, ao contrário, a escola do século XXI precisa inexoravelmente andar para frente. O caminho não tem volta. É a típica viagem com passagem só de ida e para muitos pode ocorrer que não consigam pegar o último voo, o último ônibus, preferindo a última carruagem.
Hoje, existem milhares de textos tratando do assunto novas tecnologias de modo que ninguém pode se furtar a tais conteúdos e práticas. Não pode haver desdém ou desinteresse por projetos, histórias e análises sobre as mudanças nos parâmetros de aprendizagem.
Gestores, pais interessados em conhecer o perfil e a dinâmica das IES inovadoras, estudantes que buscam informações sobre a identidade acadêmica das IES, professores engajados em conhecer as mudanças que estão acontecendo e que estão por vir, legisladores da área de educação, todos são atores responsáveis por avanços e melhorias nos modelos educacionais. Não se pode, hoje, por falta de coragem e audácia, pelo medo de errar, deixar de inovar. Mas a necessidade de as IES responderem a contento as exigências do CPCs, por exemplo, tem adiado a entrada no século XXI. Assim, vai se claudicando pelo caminho..
Para o prof. Fábio José Garcia dos Reis, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), professor e diretor da Unidade Lorena do Centro Unisal, “há uma falta de sintonia entre os parâmetros da inovação acadêmica e a legislação educacional. A legislação engessada, elaborada por pessoas que, em muitos casos, não conhecem as tendências do ensino superior, é um empecilho para o avanço da inovação. Em casos de sistemas educacionais burocráticos, os gestores encontram dificuldades para implementar processos de inovação que apresentam bons resultados de engajamento e de aprendizagem, nos sistemas educacionais dinâmicos”.
Fazendo coro a essa constatação, Priscila Simões, doutora em Educomunicação pela USP, diz, em entrevista ao blog EXAME Brasil no Mundo: “A meu ver o MEC, com seu aparato regulatório, não está conseguindo induzir um processo de aumento de qualidade nas instituições de ensino superior. Precisaríamos ter mais flexibilidade e diversidade para atender às demandas em termos de formação de um país grande e diverso como o Brasil, mas o MEC induz a todos fazerem o mesmo da mesma forma. E frequentemente as instituições de ensino ficam mais preocupadas em atender às demandas regulatórias impostas pelo Ministério da Educação do que em discutir efetivamente a qualidade de seus cursos, professores e dos profissionais que estão formando”.
A grande preocupação, hoje, é que as IES mais burocráticas percam o timing da mudança (inclusive do seu modelo de gestão), a capacidade de discutir inovação e de introduzir novas formas de organizar o processo de ensino-aprendizagem.
As sintonizadas com a inovação estão produzindo material didático com assuntos que podem servir para um componente curricular (uma disciplina) ou para a discussão de determinado tema (customização da demanda), estão na busca de programas online de educação que melhoram a qualidade da oferta acadêmica, estão preparando ofertas de ensino híbrido com foco na aprendizagem ativa, estão oferecendo programas que orientam a vida acadêmica e profissional dos estudantes (coaching para o sucesso do aluno), estão utilizando e criando plataformas adaptativas de aprendizagem e investindo em plataformas de cursos no modelo moocs. Transitar por esses modelos é abraçar o novo, e as IES rapidamente perceberam que precisam mover-se em direção aos processos de inovação.
A tecnologia é (e cada vez mais será) uma aliada do processo de aprendizagem. Através das plataformas de aprendizagem, é possível fazer a gestão do aprendizado dos estudantes. O conceito de currículo, de avaliação, de espaço de aprendizagem mudará de forma significativa. Portanto, é preciso ir além das ideologias e das normas do MEC. A experiência do aprendizado não é mais controlada pelo professor, que ainda em muitos casos, pode viver a nostalgia do passado, atrasando de certa forma o processo de inovação. Ou pior, interrompendo-o ou sepultando-o.
O papel das IES que atuam nos novos campos da educação é apresentar para os agentes reguladores e para os avaliadores de instituição e de cursos que a inovação quebra paradigmas, mas de forma alguma representa perda de qualidade. Pelo contrário, a inovação promove ganhos reais na dinâmica administrativa e acadêmica das IES.
O que está em discussão não é a formação de cidadãos, o papel relevante das IES para a sociedade na produção de conhecimento e na contribuição com o desenvolvimento nacional. Esses são temas internalizados na cultura das IES. O que se deve discutir são modelos ideológicos, corporativistas e burocráticos de IES, que estão pouco alinhados com as novas perspectivas econômicas, sociais, culturais e tecnológicas da sociedade.
O desafio da inovação requer tempo, investimento financeiro e na formação de pessoas, além de capacidade de fazer a gestão da mudança cultural. É preciso ter coragem, atitude empreendedora, conhecimento, recursos financeiros, pessoas e capacidade de gestão para enfrentar o desafio de iniciar um projeto com tal escopo.
Debaixo de muitos ônus, iniciativas e sobretudo muito boa vontade para deixar o velho teremos de aprender a repensar os nossos modelos de ensino e aprendizagem, teremos de intensificar o uso da tecnologia, que será a nossa grande aliada, teremos de repensar o papel do professor e dos estudantes, os espaços de aprendizagem e a organização dos sistemas de ensino superior.
É possível identificar inovações na educação no tocante à produção de materiais didáticos, como é o caso dos ambientes virtuais de aprendizagem, e com relação às propostas metodológicas de ensino-aprendizagem, as quais enfatizam a possibilidade de autonomia e independência dos estudantes, potencializada pelas novas tecnologias de informação e comunicação.
O tema inovação, quando abordado em instituições do ensino superior, gera diferentes reações do mundo universitário., Há os que se manifestam a partir das inovações tecnológicas implantadas, outros que consideram a inovação a partir de políticas que buscam ampliar a participação de jovens na universidade, discutindo a relação “massificação versus elitização”, e outros que ainda entendem por inovação os processos de globalização e internacionalização das universidades brasileiras.
Vivemos um momento de profundas transformações, e a bandeira da educação deve ser a de mais relevo. A falta de projetos efetivos e o descaso de investimentos e práticas na educação trazem graves reflexos para a nação.
O Brasil perde todos os anos posições importantes quando se fala em competitividade e inovação. Boa parte dos problemas está na vontade política, mas também na distância que as universidades de uma forma geral têm em relação ao processo inovador, e na construção de modalidades de ensino inovadoras para práticas mais concretas de desenvolvimento econômico para o país.
Com a crescente demanda educacional brasileira, e principalmente na grande necessidade de mão de obra qualificada, as universidades brasileiras precisam de uma nova postura, principalmente em programas inovadores e conectados com o mercado.
Temos de abandonar definitivamente os lugares-comuns, girando em torno do mesmo eixo imantados por força centrípeta.

O que vem primeiro, Inovação ou Criatividade?



Se for pensar que hoje estou formando um aluno para ter emprego daqui a 20 anos, eu não posso formar para profissões que já existem, porque elas estão desaparecendo. O que vai sobrar? Só o que depende de criatividade e pensamento crítico. Cesar Augusto Amaral Nunes (especialista em avaliação de criatividade)
O título deste artigo foi calcado no aforismo picante: o que veio primeiro o ovo ou a galinha ?
A segunda revolução, de 1870, nos trouxe a divisão do trabalho, a eletricidade e a produção em massa. A terceira, de 1969, carregou forte nas tintas levando o homem para os eletrônicos com a tecnologia da informação e produção automatizada com destaque para os voos espaciais. A quarta revolução, que vivemos atualmente, na opinião de Klaus Schwab, chairman do Fórum Mundial de Davos, une mudanças socioeconômicas e demográficas e terá impactos mundiais nos modelos e formas de fazer negócios e no mercado de trabalho. “As mudanças são tão profundas que, da perspectiva da história humana, nunca houve um tempo de maior promessa ou potencial perigo”, afirmou.
O mercado de trabalho será afetado dramaticamente, mas a grande ameaça aos empregos não está mais na indústria, como nas revoluções passadas, os softwares inteligentes estão chegando ao setor de serviços. Hoje eles são capazes de dirigir veículos, atender clientes em serviços de telemarketing, preencher formulários de Imposto de renda, etc.
Em 1993, a IBM marchava rapidamente para a falência, com um prejuízo previsto de 16 bilhões de dólares e a ameaça de ser retalhada num conjunto de empresas menores. Usando de empatia, isto é, ouvindo seu cliente, colocando-se no seu lugar (uma das etapas do design thinking), logo percebeu que era hora de mudar.
“Nossa prática de estratégia e mudança combina estratégia de negócios e questões tecnológicas para auxiliar as organizações no desenvolvimento, alinhamento e implementação de suas visões de negócio com objetivos de inovação e crescimento”, diz a empresa no relatório Fazendo a mudança acontecer (file:///C:/Users/USER/Downloads/fazendo_a_mudanca_acontecer.pdf). A IBM desenvolveu o Watson [1], seu supercomputador cognitivo, que veio para ajudar em vários setores, pois é projetado para entender, raciocinar e aprender. Tendo chegado ao Brasil no ano passado, o Watson está quase fluente no português e está ficando tão habituado à nossa língua, que seus serviços foram utilizados pelo banco Bradesco neste primeiro semestre de 2016, na função de atendimento aos clientes.
É inevitável que a cada habilidade aprendida pelos computadores, milhões de empregos tenderão a desaparecer. A tecnologia, ao longo do tempo, vai reduzir os postos de trabalho que demandam menos habilidades, como exatamente são os operadores de telemarketing. Foi assim nas linhas de produção robotizadas, nas funções de datilografia e de ascensorista, por exemplo.
À medida que os avanços nas tecnologias de machine learning e robótica avançarem, será inevitável a substituição de funções ocupadas por humanos hoje. Ocupações que envolvam tarefas e procedimento bem definidos poderão ser substituídas por algoritmos sofisticados. Como o custo da computação cai consistentemente ano a ano, torna-se atrativo economicamente a substituição de pessoas por máquinas.
A quarta revolução industrial afetará de forma dramática o mercado de trabalho. Claro que novos empregos serão criados, mas exigirão conhecimentos muito especializados e altos níveis de educação. Novas carreiras e funções, que ainda não conhecemos, serão criadas.
A mudança de paradigmas no século XXI exige, com base no conhecimento intangível, gerar novos conhecimentos que, convertidos em processos, produtos e serviços, garantam crescimento econômico e desenvolvimento social responsável. Assim, o conhecimento ganha um lugar de destaque na economia e nas sociedades. A economia do conhecimento caracteriza-se por um papel crescente da produção, da difusão e da utilização dos saberes (o capital intangível, imaterial) na competitividade das empresas e das nações. Essa economia requer ensinar aos futuros cidadãos um conjunto renovado de competências: competências genéricas de aprendizado, competências de criação e inovação e competências de colaboração.
A criatividade é parte de um processo subjetivo e que implica incluir e fazer dialogar as dimensões social, cultural e histórica dos indivíduos. O que, felizmente, até agora, nenhum robô consegue fazer. Para formar cidadãos do século XXI, a escola deve formar alunos capazes de aprender a triar, a selecionar grandes quantidades de informação, de analisá-las criticamente, a fim de utilizá-las para resolver criativamente problemas complexos em cooperação com seus pares e, por fim, mas não menos importante, ser capazes de comunicar os resultados de maneira articulada e pertinente. E tudo isso ao longo da vida.
Nesse contexto, emerge a demanda de um novo currículo educacional, que abandone a memorização de fatos e fórmulas para focar mais em criatividade e comunicação. A capacidade de ver as coisas de um ponto de vista novo é fundamental para o processo criativo, e essa capacidade repousa na vontade de questionar toda e qualquer premissa. Por isso, há a necessidade de passar de uma docência baseada no ensino para outra baseada no aluno, na aprendizagem, em que os docentes tenham dupla competência: a científica e a pedagógica. Nesse contexto, a formação continuada, numa dimensão para além da construção da racionalidade humana, inclui a dimensão da subjetividade e da criatividade.
A educação tem como fim integrar o homem, torná-lo sensível para enfrentar os desafios da vida e seus complexos ditames. Torná-lo inteligente não em um nível circunscrito, mas, sim, em todos os níveis criativamente e num processo cumulativo e cooperativo, pois a criatividade humana não é uma missão solitária.
Ser criativo é uma possibilidade real e acessível a todos ou é um dom pessoal? Ao longo dos últimos 30 anos, pesquisas revolucionárias nos campos da física e da biologia vêm revelando que a criatividade é mais do que um fenômeno humano; é um padrão extraordinário. Portanto, é perfeitamente possível a toda e qualquer pessoa exercitá-la.

À luz de uma  nova ciência, o físico indiano Amit Goswami demonstra claramente de onde vêm as ideias criativas, como elas se manifestam, qual a origem de nossas motivações e como podemos ampliar nossa propensão para a criatividade. Ele dá ao público leigo, um verdadeiro manual que integra ciência e criatividade, explicando o papel fundamental da intuição, do livre-arbítrio e das inúmeras possibilidades de escolhas criativas no desenvolvimento humano, apontando caminhos para que tenhamos uma vida mais íntegra e plena.
A questão que se coloca é a materialização, a solução de provocações interiores porque a Inovação é multifacetada. A inovação é especifica para algum setor, produto ou serviço. Por exemplo, pode-se ter Inovação em ensino, em sala de aula, em corpo docente, em tecnologia educacional e até inovação em arquitetura escolar. O que ninguém fala é que a base de qualquer inovação é a criatividade, porque ninguém inova se não tiver mente criativa. E mente criativa se adquire com metodologia e treinamento.
Lamentavelmente a inovação não ocorre com tanta frequência em nosso meio universitário. Se o segmento particular quiser ocupar algum lugar de destaque terá sim que promover inovação, através de parcerias, união de esforços e procurar empresas para dialogar, ver o que precisam e de que forma cada Instituição pode pesquisar para resolver os problemas. Ai mora o feeling da pesquisa, do criar, do imaginar do idealizar. É muito suor que produz resultados.
Mas, afinal, de onde vem a motivação, como podemos aprender e ampliar a nossa propensão para a criatividade e adotá-la como centro alegre da vida?
A criatividade requer consciência como entidade causal, livre-arbítrio e liberdade de escolha. Ela requer a capacidade de processar significado, envolve emoções e tudo começa com a intuição. Ou seja, a criatividade humana requer uma visão de mundo na qual a consciência seja dotada de potência causal e na qual não só nossas experiências físicas, mas também as do pensamento, de sentimento e intuição são validadas. Melhor explicando, um debate permanente entre os seguidores de uma consciência causalmente potente (os idealistas) e os do materialismo científico (materialistas ou realistas).
Em tese somos todos seres potencialmente criativos mas a imaginação antecede ao pensador virtual, a quem a visão não engana, que tem a tendência  de avaliar o seu redor com base no que vê, às vezes se assumindo uma pessoa intuitiva. Tal atributo forma compreensão sobre 'o que é isso' e 'o que isso poderia ser' usando a imaginação. O portador dessa qualidade é dono de uma combinação perfeita, porque continua sendo imaginativo, mas não se afasta da realidade, formas preferidas de interpretar o mundo. Daqui à inovação é preciso praticar os modos de ser criativo, aplicando a criatividade para resolver problemas de um novo paradigma, que seja o interesse e satisfaça o potencial criativo, contribuindo para a evolução da consciência.
A criatividade é o centro da vida, razão porque aparece associada à ansiedade e ao êxtase.
Mas, em que consiste o processo criativo ? A resposta foi dada pelo pesquisador da criatividade Graham Wallas que sugeriu que os atos criativos envolvem quatro estágios: preparação, incubação, iluminação e manifestação.
Conforme ele, a preparação começa com uma intuição, um sentimento vago sobre um possível problema e/ou uma possível solução. É o manifesto desejo de inovar, valendo-se da intuição.

Checklist [*]



À medida que vamos dando mais importância e desenvolvendo mais interesse no universo da criatividade humana, por lógico, vem crescendo bastante a bibliografia sobre o assunto, e já encontramos boas leituras não só para os iniciantes, mas também para os que dominam o assunto e correm atrás de aperfeiçoar o conceito associadamente à ideação e à inovação.

O que ainda falta falar ou escrever é sobre quanto, como e desde quando, no Brasil, a ausência dessa preocupação sistematizada vem prejudicando as diversas gerações, salvo para os que criaram interesse e, portanto, procuraram pelo autodidatismo.
Fosse possível fazer uma pesquisa adotando-se um checklist para saber no que e como as autoridades governamentais erraram, negligenciaram na educação por décadas, as respostas já evidenciariam aquilo nas mesmas décadas, em outros países: a evolução com o agregado do estudo e aplicação exponencial da criatividade. Tivéssemos feito isso, poderíamos ter colocado o país em outros patamares sociais, culturais, econômicos, etc.

Será que a carência desse conhecimento não tem intimidade com a insuficiência de aprenduizados na escola, inclusive até mesmo a justificar os baixos IDHs nacionais, a baixa performance em certames internacionais como o PISA?

O ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, quando no MEC, escolheu a socióloga Helena Singer para ser a ponte entre o MEC e o universo das experiências inovadoras em educação. “A ideia é buscar que tipo de inovação deve se tornar referência, mapear o que é preciso multiplicar e fortalecer mutuamente os projetos pelo contato entre eles”, explica Helena, que avisa: pretende dar visibilidade a projetos radicais.
“A inovação parcial, incremental, vem ganhando força, mas quero falar de experiências que radicalizem a forma de organizar o tempo, que trabalhem o espaço de modo totalmente diferente – como a de escolas que não estruturam mais o currículo em cima de aulas convencionais de 50 minutos nem usam carteiras enfileiradas de frente para a lousa”, diz a socióloga. “A estrutura fechada de tempo-espaço ainda é o padrão usado pela maioria das escolas, públicas e privadas. As pessoas sabem que isso não funciona, mas não conhecem outras formas de fazer.”

Infelizmente Janine Ribeiro teve uma passagem meteórica pelo MEC, mas soube-se por primeiros levantamentos que existiam perto de 178 escolas do ensino básico que já adotavam algum tipo de inovação e criatividade.

Não sem razão, a dificuldade de adotar soluções inovadoras em massa num país com 49,8 milhões de matriculados da creche ao ensino médio, dos quais 40 milhões estudam na rede pública, é tarefa das mais hercúleas, que sem financiamento não saem do papel e vão com o vento numa primeira lufada.

Um grande otimismo, tipo “agora a coisa vai” tomou conta dos operadores da educação quando Janine Ribeiro baixou a Portaria 751, de 21 de julho de 2015,
Instituindo o Grupo de Trabalho responsável pela orientação e pelo acompanhamento da iniciativa para Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC, tendo à frente Helena Singer.
Alguns meses mais tarde, Aloizio Mercadante reassume o MEC e dessa vez baixando a Portaria 1.154, de 25 de dezembro de 2015, que instituiu a Comissão de Orientação e Acompanhamento da Iniciativa para Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC.
Tudo igual, mas não semelhante. Hoje, nenhuma dúvida que puxaram o breque de mão. Hoje, a bola da vez é a Base Curricular Nacional quando já se passaram quase dois anos do PNE. Alguns otimistas acham que dá pra finalizar a questão do currículo até dezembro. Sectário, não creio.

De prático e de práticas, que é o combustível da criatividade, até agora nada de firme, bom e valioso para nossa meninada.
Exceção para exatas 178 instituições educacionais entre organizações não governamentais, escolas públicas e particulares, foram reconhecidas pelo Ministério da Educação como exemplos de inovação e criatividade na educação básica. Interessado em identificar e conhecer iniciativas inovadoras para saber em que medida elas podem contribuir para a melhoria da qualidade da educação brasileira, o Ministério da Educação lançou chamada pública em setembro passado, à qual se apresentaram 682 entidades.

Depois de criteriosa avaliação, a seleção foi realizada. Constam da lista 138 instituições que já trilham um longo caminho na prática da inovação e 40 organizações que estão caminhando na direção da inovação com vistas a garantir qualidade à educação oferecida. O Ministério vai acompanhar o desenvolvimento de todas.

As organizações selecionadas traçam o perfil da inovação na educação do país. Elas estão presentes nas cinco regiões brasileiras e sua distribuição corresponde à da população: mais da metade (50,8%) estão na Região Sudeste, seguida da Região Nordeste (21,9%), Sul (13,7%), Centro-Oeste (8,7%) e Norte (7,6%).

A maioria dos inscritos foram escolas, tendência que se repetiu entre as selecionadas: 74,3% são escolas e as demais 25,7% são organizações educativas que atuam na formação de crianças, adolescentes e jovens, algumas com foco específico em cultura, comunicação, tecnologias digitais ou educação ambiental. Entre elas, 52,5% são públicas e 47,5% são particulares.

[*] Uma lista de verificação, um tipo de ajuda de trabalho, informativo usado para reduzir a falha , compensando possíveis limites do humano de memória e atenção. Ele ajuda a garantir a consistência e a integridade na realização de uma tarefa. Um exemplo básico é a "lista por fazer".

Investimento Público em Educação



Experiências em cidades brasileiras mostram que professores e diretores escolares estão, aos poucos, aprendendo uns com os outros a melhorar a qualidade da educação. Falta o Ministério da Educação aprender a lição.
Leo Branco (jornalista da revista
Exame, na reportagem Quem copia melhora (17/08/2016)

Peças teatrais ou filmes com natureza tragicômica deixam o espectador sempre dividido, ao final da sessão, quase sempre preferindo o lado trágico do espetáculo porque machuca e dói. Só Freud explica. Faz verter lágrimas e as cenas serão, sem dúvida, as mais lembradas. O cômico, por incrível, não faz a memória registrar.
Guardada a relação, os assuntos e temas educacionais se assemelham ao engraçado porque raramente nos lembramos de ações e iniciativas que assumem um volume colossal, ao longo dos anos e das gestões administrativas dos governantes, mas, parece, surgiram para desaparecer. Não têm vida perene, ao contrário, são voláteis e desaparecem na espiral do silêncio.
É o caso da discussão de que a escola pública deve ser paga por aqueles que tenham condições, renda e poder econômico suficiente para ter o filho, por exemplo, cursando medicina, engenharia e tantas outras cujo custo é alto. A discussão do tema ainda não ganhou foros políticos com total propriedade porque todos sabemos o que está nas coxias desse palco. Em 2014 já se exteriorizavam manifestações como a de que não é possível dizer que as cotas são o melhor caminho para se reduzir disparidades sociais na educação superior do Brasil, nem está claro que a medida acabe com o problema. A afirmação consta no relatório Investing in Youth: Brazil (Investir na Juventude: Brasil), publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Conforme a entidade, no lugar de políticas afirmativas, o governo deveria considerar a cobrança de mensalidades, em universidades federais, daqueles que puderem pagar, mantendo a gratuidade para estudantes menos possibilitados.
Esta é a declaração mais contundente sobre cotas já feita pela organização, reconhecida mundialmente por gerar indicadores e pesquisas de mercado e educacionais de excelência, como o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês).
E é esse exatamente o foco atual, de se discutir o grau de investimento público na educação que perpassa, no meu entender, por dez condicionantes pétreas:
1-O corpo docente das escolas precisa ser mais bem preparado;
2-O corpo docente tem de ser mais bem remunerado;
3-Do corpo docente deve ser exigida uma educação continuada;
4-A Escola não pode deixar de ter biblioteca e atualizada;
5-Laboratórios são imprescindíveis;
6-O Estado tem de se preparar financeiramente para enfrentar o período integral;
7-A direção de todas as escolas só é possível mediante concurso, nunca por politicagem;
8-É irreversível no caminho para o futuro tecnologias, informatização, wi-fi, etc.;
9-Nenhuma escola sem quadra esportiva;
10-Imediata aplicação de novo currículo e metodologias e conteúdos anualmente atualizados.
Como ponto extra, de honra, o repensar das formações nas licenciaturas levando os discentes licenciandos para efetivas práticas educacionais, assistidas e avaliadas. Seja sob qual critério for – estágios, atividades complementares ou mesmo as práticas. Com a palavra a doutora Eunice Durhan.
O ensino médio nacional apresenta os maiores índices de evasão e de reprovação escolar. Em 2014, mais de 620 mil alunos abandonaram os estudos nessa etapa de ensino, segundo o Censo Escolar. É o triplo do registrado no ensino fundamental. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o ensino médio alcançou apenas 3,7 pontos, em uma escala de 0 a 10. Os dados escancaram a realidade de um ensino médio falido, incapaz de cumprir metas e de atender às necessidades de seus estudantes.
Poucos dias depois de o Ministério da Educação divulgar, com atraso, um desempenho decepcionante do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013, o relatório Panorama da Educação de 2014, da OCDE – o clube dos países ricos –, apresentado nesta terça-feira,16, em Paris, mostra que o investimento do Brasil no setor continua muito aquém do desejado. E bem distante da média das nações mais desenvolvidas. Segundo os dados da OCDE, o país é o penúltimo entre 35 pesquisados quanto ao investimento por aluno nos ensinos fundamental, médio e superior.
Ainda conforme o estudo, os valores nacionais são inferiores aos de países de renda semelhante, como Turquia (US$ 3.240), México (US$ 3.286) e Hungria (US$ 5.410), mas muito distantes da média de US$ 9.487 do conjunto de países que compõem a OCDE (organização da qual o Brasil não faz parte, mas é “parceiro”). No topo da tabela figuram nações como Suíça (U$ 16.090) e Estados Unidos (US$ 15.345).
O relatório da OCDE demonstra ainda os investimentos per capita por segmento da educação. E o resultado é desanimador. Quanto ao ensino médio, das 36 nações analisadas, por exemplo, o Brasil só ganha da Indonésia e da Colômbia em investimentos. Nosso valor, de US$ 2.605 por aluno, fica atrás dos de Argentina (US$ 3.184), Turquia (US$ 3.239) e México (US$ 4.034).
Temos o que aprender, e com pressa, e com efetividade, e com realidades que outros países já deglutiram. Há distorções gritantes, conforme o quadro adiante, do investimento por aluno em 2013, em dez estados brasileiros com números que atordoam qualquer analista. São números que guardam relativizações intrigantes as quais só podem ser explicadas pelos respectivos secretários de educação.
Estado
R$
Alunos
Escolas
Profs.Ativos
Distrito Federal
Santa Catarina
Amapá
Espírito Santo
Roraima
Sergipe
R.Grande do Sul
Piauí
MT do Sul
São Paulo
10.942,86
  6.829,52
  6.477,85
  6.242,08
  6.217,98
  6.044,69
  6.003,89
  5.853,29
  5.821,29
  5.778,19
   456.919
   541.766
   142.670
   270.743
     80.412
   188.430
1.014.342
   256.266
   257.675
4.198.200
   632
1.266
   409
   537
   381
   374
2.574
   765
   359
5.609
  18.887
  24.256
    6.601
  13.831
    4.015
    7.373
  49.265
  13.916
  10.653
170.449

Uma análise dos orçamentos das pastas estaduais de educação previstos para 2013 mostra a desigualdade brasileira. A diferença já se mostra nos números absolutos: os investimentos previstos vão de R$ 500 milhões em Roraima a R$ 24 bilhões em São Paulo. No cálculo aproximado de quanto é investido por aluno em cada estado, fica mais claro o que significam tais cifras. Quanto ao investimento relativo, ele inverte o quadro: Roraima, o menor orçamento, aparece na quinta colocação e investe, em média, R$ 6.217,98 por aluno da rede pública, enquanto São Paulo figura na 10ª posição, com um investimento médio de R$ 5.778,19 por estudante. O Distrito Federal ocupa o primeiro lugar investindo R$ 10.942,86 por aluno. Os estados que menos investem por aluno matriculado são o Amazonas (R$ 3.075,89) e a Bahia (R$ 3.366,39).
Convém salientar que investimento e desempenho não são necessariamente proporcionais. É o que mostra o cruzamento desses valores com as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011.
E não bastasse a escassez de recursos para o ensino básico, vem por aí péssima notícia quando pesquisa revela que mais pobres são maioria em universidades federais. As universidades públicas brasileiras devem passar por um intenso processo de precarização durante a gestão do presidente interino, Michel Temer (PMDB-SP). Na última semana, o Ministério da Educação (MEC), por meio do secretário de Educação Superior, Paulo Barone, anunciou cortes da ordem de 20% no repasse para universidades federais em 2017. Os valores serão incorporados no Projeto de Lei do Orçamento Anual (Ploa), que o Executivo deve enviar ao Congresso até o fim deste mês.
No site do Inep, nós nos deparamos com uma matemática complicada: “Os indicadores brasileiros de Investimentos Públicos em Educação (*) fornecem informações de cunho orçamentário e financeiro sobre a aplicação de recursos públicos em todos os níveis de ensino. Os índices financeiros educacionais, como o percentual do investimento em educação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o percentual do investimento em educação em relação ao Gasto Público Social (GPS), o percentual do investimento em educação por aluno em relação ao PIB per capita e o investimento público por aluno, são desagregados por níveis de ensino. O investimento de recursos públicos na área educacional compreende os valores financeiros brutos aplicados pelo setor público no atendimento de demandas educacionais, como no custo de bens e serviços – inclusive bens de capital – e nas transferências, excetuando-se a depreciação e a amortização dos investimentos em estoque. O conceito utilizado para a agregação corresponde à finalidade dos recursos alocados por área de atuação”. Deu para entender?
Toda essa ginástica matemática visando à melhoria da qualidade da educação, mas Priscila Cruz, diretora executiva do movimento Todos pela Educação rebate e denuncia o que todos sabemos: "O Brasil investe pouco e ainda tem poucos resultados diante do que é investido. Ainda temos um desafio enorme, não cumprimos nem a agenda do século passado, ainda temos crianças fora da escola e qualidade ruim (...). Visitando algumas escolas, fica-se horrorizado com a situação. Temos um descaso histórico com a educação e isso faz com que haja dívidas que o sistema tem que cobrir". Um absurdo.
Mas o Brasil é resiliente e tem ilhas de excelência, mesmo em escolas públicas, cujos resultados são pouco divulgados como explica Ricardo Paes de Barros, do Instituto Ayrton Senna: “Há muita inovação no ensino que não é replicada porque o MEC não sabe reproduzir histórias de sucesso”. Ele faz referência ao caso da cidade paulista de Novo Horizonte que ganhou os holofotes dentre os 5.570 municípios brasileiros depois de elevar seu índice no Ideb de 5 para 7,4.
O próprio MEC só esperava essa melhoria para 2021. Apesar disso, a receita sobre a excelência educacional da cidade não mereceu nenhuma linha nos sites e conteúdos produzidos pelo Ministério e, a depender dele, a experiência ficaria restrita aos novo-horizontinos.
A fórmula, porém, não é miraculosa nem tampouco exige investimentos estratosféricos (canal certo para corrupção no Brasil): a) não deixar nenhum aluno de fora do processo: quem vai mal é imediatamente convocado para aulas de reforço; b) monitoramento constante do desempenho de professores com discussão a respeito dos maus resultados em provas periódicas formuladas pela Secretaria de Ensino local; c) docentes mais experientes atuam como tutores, estabelecendo planos de ação com metas para superar os resultados adversos; d)professores com resultados acima da média viram consultores da rede; e) troca constante e colaborativa de dicas e técnicas para alcançar a excelência.
Quando o governo não toma as rédeas do processo, fica a cargo dos próprios gestores escolares, e da sociedade civil, espalhar e fazer frutificar os bons exemplos.
           O desajuste avança sobre todos os quadrantes, fortunas despendidas, ano a ano, e não conseguimos lograr nenhuma melhora. Ou os recursos são poucos ou são/estão muitíssimo mal-administrados. Ou seja, falta administração/gerência eficiente e eficaz.
           O que nos reserva, espernear, chorar, gritar, dar de ombros, pegar em armas, ir às praças públicas, cobrar políticos (vereadores, deputados, senadores), fazer passeatas ou movimentos revolucionários pela educação nacional? Ou insistir no conformismo colonial subjacente à cultura brasileira?
           Quanto à porcentagem do investimento público direto em educação, em relação ao Produto Interno Bruto, ainda não há um indicador principal que permita acompanhar de forma plenamente adequada o cumprimento da Meta 20. Isto ocorre porque não há dados disponíveis de investimento público em educação apurados de acordo com o instituído pelo Plano Nacional de Educação(PNE).​
“(*) Os indicadores de Investimentos Públicos em Educação têm como fonte estudos e pesquisas elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com a Subsecretaria de Planejamento e Orçamento (SPO) do Ministério da Educação (MEC), com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Além disso, utilizam-se como fontes de dados primários as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).” E agora, está tudo explicado ?