terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Enxugando Gelo



Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br


No cenário educacional muitos são os atores laborando sobre um texto ininteligível, quase como a confusão da Torre de Babel, e na platéia, sem entender bulhufas, os espectadores aguardando o “grand finale” para ir aos apupos ou às palmas.
Entre perplexidades e espantos, no  desenrolar da tragicômica peça, fica a
pergunta se é uma tragédia que vai ao rizível ou comédia que sai da amargura e a patuléia sentada não consegue identificar quem é protagonista ou coadjuvante, se a peça foi mal e apressadamente ensaiada, se os figurinos beiram o surrealismo de Dalí ou Miró, se a iluminação ficou a desejar, se a marcação de chão está míope e até se o BG(background) sonoro tem ruídos demais e produção musical de menos.
Na relação que segue, o leitor está com a palavra: É a busca da interação virtual.
Só reclamações, muitas. Para reflexão e opinião.
- Os docentes universitários dizendo que os alunos egressos do Médio não têm a mínima condição de acompanhar os conteúdos por eles propostos e que foi um absurdo o processo seletivo ter aprovado o candidato;
- Os professores do Médio falando que os egressos do Fundamental não carregam o mínimo indispensável para continuidade dos estudos mas vão em frente com a “aprovação automática”;
- Os estudantes, poucos, reprovando a performance do professor como sendo insatisfatória, em todos os sentidos;
- Os pais não entendendo nada sobre progressão continuada ou aprovação automática, de que maneira o filho foi promovido se mal sabe assinar, fazer qualquer cálculo elementar de aritmética, ler algum texto e baixando interpretações, mas exigindo das escolas que os reprovem;
- Os mantenedores superiores desesperados com o pouco ingresso e com as absurdas(?) reprovações ao longo do semestre, para não falar da calamitosa desistência e evasão do alunado;
- As escolas minimizando o valor das mensalidades nas raias dos “nine-nine”
   (R$199,00 – R$ 299,00, etc. )
- As contas não batendo e não fechando, mês-a-mês e turmas sendo “desmontadas” para aglutinações;
- O Sinaes/Conaes/inep/MEC com o tacão do IGC e o CPC, além do Enade,
totalmente ideologizado;
- E dá-lhe repúdio, insatisfação e revolta das instituições via análise das avaliações por réplica à curva de Gauss; no que os matemáticos são vorazes usuários, provando que zero é igual a um;
- Os cursos de formação, de licenciaturas, bem como pedagogia, se isentam de responsabilidades, sejam eles de dois, três ou quatro anos, igualmente atribuindo suas falências ao item primeiro desta compilação;
- Os licenciandos atribuem suas baixas formações ao corpo docente da instituição que pouco ou nada lhes propiciaram, completa e integral, dado que não tiveram condições ideais de exercer suas práticas e/ou estágios;
- Na contrapartida, os contraditórios porque  nem o Estado nem as particulares têm condições físicas de recebê-los para tais exercícios profissionais, porque são mais interessados do que existem de ofertas. A demanda não suporta as ofertas. Igual raciocínio como Enfermagem, Direto  e outras que carecem de atividades praticizantes;
- Hoje, o ciclo básico transfere responsabilidades formativas ao universitário que deve(ria) completar o que foi “impossível” de ser feito;
Então, essa barafunda educacional nos arremessa à velha questão do ovo e da galinha: quem nasceu primeiro, cuja resposta ninguém dá, salvo um arrojo científico de que o ovo veio antes, ou a galinha. Como fica isso ?
Onde está o problema e onde está a solução, começar do zero e adotar a premissa de supervalorizar a formação dos futuros docentes com cursos de licenciaturas impecáveis ? Para tal projeto/ação deve-se considerar um longo prazo, coisa de dez anos para completar o círculo. Temos tempo para isso ou vamos levando com a barriga ? Não vai dar certo, nunca.

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